*Michael PoV*
Arena de shows lotada. É o que tivemos nas cidades anteriores e aqui não é diferente. O público fervilha enquanto aguarda nossa entrada. Entendo agora, mais que nunca, a preocupação do nosso produtor com o conflito interno entre Dorothy e Amber. Se a banda se desmontasse em suas mãos, seu prejuízo seria incalculável. Nosso castigo também, por consequência. Fico aliviado por ver que elas estão conseguindo lidar com tudo isso, apesar da situação estranha pela manhã.
Os fãs também têm sido generosos conosco, a prova é a crescente legião de seguidores em todas as redes sociais. Os comentários são audaciosos e até hilários. Já perdi a conta de quantas vezes li que alguma fã quer ser mãe dos meus filhos.
Filhos... Como alguém como eu pode achar que...
Sacudo a cabeça e passo os olhos pela plateia agitada, escondido pela cortina atrás do palco. O nome da banda é gritado várias vezes. A satisfação dessa sensação ajuda a preencher o vazio que de vez em quando sinto.
Meu olhar volta a percorrer os bastidores e eu vejo Amber também observando a multidão. Ela ainda parece nervosa, porém de um jeito diferente. Nas primeiras vezes, achei que ela fosse desmaiar no palco. Com o tempo, ganhou segurança e até ousadia. Ela me desafia quando está tocando e, ao mesmo tempo, parece se segurar a mim como se eu fosse sua tábua de salvação. Essa percepção é tão prazerosa quanto escutar a plateia lá fora. É como observar uma delicada flor desabrochar, enquanto cuido dela.
Está na ho®a de lhe dar mais espaço.
Eu caminho até ela e a abraço de lado, plantando um pequeno beijo em sua bochecha. Amber tem se arrumado mais para as apresentações, não que eu não a achasse s&xy antes, ela exala sensualidade sem perceber, porém esse macacão preto que está usando hoje é de arrasar. Tenho que segurar todos os meus instintos para evitar mandar o show para o espaço e arrastá-la para o camarim, onde poderíamos satisfazer nossa luxúria.
ㅡ Você está linda nessa roupa, embora eu goste especialmente do que você está usando por baixo. ㅡ Apalpo sua bund@ e ela, com um ar falsamente sério, tenta me empurrar, no entanto eu a mantenho nos meus braços. É a forma que encontro para ajudá-la a lidar com a pressão e, também, de tirar proveito desse corpo lindo. ㅡ Eu tenho uma surpresa para você.
ㅡ É mesmo? Tudo bem, gosto de surpresas, porém, se houver velas no meio, devo dizer que está precisando ter mais imaginação.
E a senhorita "provocação em pessoa" dá o ar da graça. Não vou negar, eu adoro sua petulância.
ㅡ Chata... ㅡ Resmungo enquanto passo meus lábios por seu pescoço. ㅡ Você quase merece que eu te deixe morrer de fome.
ㅡ Por mim tudo bem.
ㅡ Você é um pé no saco, little bunny.
ㅡ Se eu não fosse, você me taxaria de tiete pelo resto dos meus dias.
ㅡ Quem disse que não? A diferença é que agora você tem consciência disso.
ㅡ Eu admiro seu talento e o que você faz. Isso não me torna sua fã.
ㅡ É tudo o que você admira? Veja bem o que vai responder, Amber, se não vai ficar sem presente.
ㅡ Chantagista... De qualquer maneira, tenho outras formas de conseguir o que eu quero...
Isso está ficando interessante...
ㅡ Ah, é? Como?
Ela olha os arredores e cochicha para mim.
ㅡ Coisas que eu não posso fazer em público…
Eu acabo rindo e me afasto um pouco, beliscando levemente sua bochecha.
Monstrinha s@fada...
ㅡ Bom, eu estou um passo à frente de você. Meu presente será em público.
*Amber Lee PoV*
Eu o encaro aturdida por um momento. Ele disse que jamais faria algo obsceno em público que nos expusesse de forma negativa, mesmo assim é de fritar os meus miolos.
ㅡ Está na ho®a, little bunny. Essa noite, vou fazer você perceber que não é só o meu talento musical que você admira.
Meu sorriso sem graça se faz presente e olho ao redor para disfarçar. Vejo Dorothy e Pete na extremidade oposta, já prontos para fazer sua entrada.
ㅡ Céus! Você tem muitas coisas para me fazer confessar, não é mesmo?
ㅡ Oh... Então, vai levar muitas noites...
Sem me dar tempo para responder, Michael me arrasta para o palco, segurando minha mão, que solta apenas no momento em que precisamos pegar nossos instrumentos. Pete dá o tempo com suas baquetas e iniciamos o show, sob os gritos frenéticos da plateia.
Toda essa química que temos quando estamos no palco, reflete no nosso trabalho. É tanta energia e cumplicidade, que, aqueles dias em que brigávamos como inimigos, parecem cenas de ficção. O público sente essa sintonia e é extremamente gratificante receber todo o carinho que os fãs da Everlasting nos dedicam.
Meu coração sempre dá aquela cambalhota quando chega a vez de “Wishes”. Sei que haverá outras músicas, porém essa é especial. É a primeira canção de minha autoria que ganhou vida, graças a esse homem fantástico, companheiro de banda e namorado mais que perfeito. No entanto, quando Pete muda o ritmo da bateria, Michael não faz sua entrada. Eu, assim como os demais integrantes, sabemos que ele não erraria dessa forma, então nossos instrumentos ficam apenas repetindo o ritmo, aguardando pelo vocalista. Quando ele abre a boca no microfone, fico chocada.
ㅡ Eu sei que ela provavelmente vai me xingar depois que o show acabar, porém eu gostaria que, pelo menos dessa vez, você cantasse comigo, little bunny…
Michael vira sua atenção para mim e me estende a mão. Estou petrificada.
Como ele faz um pedido desses assim? Do nada?
Vendo que não consigo acreditar no que está acontecendo, Michael se aproxima de mim. Metade das luzes sobre ele agora me colocam em evidência. Sabe quando uma gazela é atropelada na estrada por ficar parada, hipnotizada pelos faróis do carro? Essa sou eu agora.
Vamos, Amber Lee. Ele não teria feito isso se não confiasse em você…
Seu olhar é como um ímã me puxando contra ele e eu respiro fundo antes de sair do meu instrumento. Os técnicos de som o substituem por um playback, já que não vou estar nele para tocar. Só percebo como estou tremendo quando seguro a mão de Michael. Sussurro minha ameaça antes de alcançarmos o microfone.
ㅡ Vou torturar você lentamente essa noite...
Ele não deixa barato e murmura sua provocação no meu ouvido.
ㅡ Cante sua música comigo, little bunny. Sabe, aquela que você inutilmente fingiu não ter feito para mim...
*Michael PoV*
Eu sorrio sinceramente para ela e coloco uma mão em suas costas, levando-a até o microfone. Nossas vozes se misturam harmoniosamente, como se sempre tivessem sido feitas para isso.
Vejo luzes de celulares e isqueiros se acenderem na multidão, que embarca conosco em um coro. A emoção que transborda do rosto dela me faz perceber o quanto eu estava certo.
Você foi feita para brilhar, little bunny. Assim como eu.
Quando a canção termina, eu a guio de volta para seu teclado. Entretanto, não resisto e lhe roubo um beijo bem ali, no meio do palco, na frente de todos, declarando ao mundo o que somos. Um casal que se completa, tanto profissional como amorosamente.
Qualquer dia desses, ainda vou conseguir por em palavras o que, no momento, só consigo demonstrar com gestos como esse. Que eu te amo.
Nos bastidores, eu a abraço e a beijo apaixonadamente.
ㅡ Você foi incrível! Tão ousada, pequena tiete...
Ela rosna e tenta me morder. Eu rio e a empurro na direção do Pete e da Dorothy. O primeiro está quicando de euforia, já a segunda, bom, a carranca em seu rosto me diz tudo.
Deveria ter conversado com ela antes, no entanto, foi algo de momento. Não pude me conter.
ㅡ Foi fantástico, parceiro! Vocês têm que fazer isso todas as noites!
ㅡ É, foi... Intenso... ㅡ Completa Dorothy, fingindo um sorriso que não me engana.
Vou falar com ela amanhã, só para não deixar um m@l-estar. Hoje, eu só quero curtir a noite com a minha namorada.
Pete propõe tomarmos um drinque em um bar que ele viu mais cedo na praia. Será bom, a noite está quente. Seguimos para os vestiários tomar um banho e nos livrar das roupas suadas. Eu não resisto e dou uma passada de mão levemente no traseiro da Amber, enquanto caminhamos no corredor que leva para a saída. Ela pula de lado e aponta com o queixo para Dorothy, que segue adiante, sem conhecimento do meu pequeno gesto abusado.
É tão frustrante ficar me segurando só para não magoar essa cabeçuda... Eu realmente espero que as coisas mudem.
Ao sair pela porta dos fundos, ficamos em choque. Uma multidão nos aguarda, gritando o nome da banda como se fôssemos os Rolling Stones. É extasiante.
ㅡ Meu Deus…
Pete está tão perplexo que não consegue terminar a frase.
ㅡ Estamos sonhando, certo?
ㅡ Não, você só tem permissão para sonhar comigo, little bunny...
ㅡ Nossa, que ciumento!
Ela cai na risada. Pisco em cumplicidade e desço as escadas de forma confiante. É o que sempre sonhamos. Logo, somos engolidos pelos fãs, cobertos por abraços e solicitações de autógrafos e selfies. Uma das groupies até levanta a saia para que eu assine na lateral de sua bund@. É ridículo, mas faz parte do trabalho. Não é fácil ser o s&xy symbol, às vezes é cansativo, ainda mais quando a minha vontade é estar em outro lugar, sozinho com a minha gata.
Ouço algumas meninas gritarem o nome da Amber, desejando sua atenção. Ela fica aturdida no começo, sem acreditar que também é idolatrada. Eu posso ser o sonho de consumo dessas garotas, no entanto, Amber é uma inspiração. Ela me pega olhando para ela de forma maliciosa. Na verdade, sempre estou atento a ela.
É melhor se acostumar, little bunny. Porque, quando esse frenesi acabar, você será minha a noite toda…