Durante dias, Thomas manteve distância. Dormia em silêncio, saía cedo, voltava tarde. O apartamento parecia respirar sem som. Lígia, porém, não suportava o eco da ausência. Na manhã de sexta-feira, ela o esperou na cozinha, o rosto nu, sem maquiagem — como quando se conheceram. Sobre a mesa, o café que ele gostava, pão fresco e flores amarelas num copo simples. — Eu li de novo tudo o que você escreveu no caderno — disse ela, baixinho. — E percebi o quanto destruí o que a gente tinha de mais bonito. Thomas permaneceu em pé, sem tocar nada. — Eu não quero ouvir promessas, Lígia. — Eu não vou prometer — ela respondeu, com voz trêmula. — Só quero te mostrar. Nos dias seguintes, ela começou a mudar. Falava com doçura, ria com facilidade, deixava o som das risadas dele ecoar livre pela cas

