Jaime Beaumont Assim que meu último paciente deixa o consultório, me recosto na cadeira e solto um longo suspiro — não de cansaço, mas de frustração. Uma frustração que vem se acumulando há semanas, ardendo no fundo do peito e tirando o meu sono. Não sei mais o que fazer para a Mayara me perdoar. Já tentei de tudo: conversas, gestos, cuidados, até provocações — e sei que funcionam, porque sempre que me aproximo, o rosto dela cora, as pupilas dilatam, a respiração muda. Eu conheço aquele corpo, conheço as reações dela. Ela me deseja tanto quanto eu a desejo. Mas, mesmo assim, ela não me dá uma brecha. Nenhuma. Já faz dois meses que ela voltou a morar comigo. Dois meses em que durmo ao lado da mulher que amo, sem poder tocá-la como quero. Tê-la tão perto e ao mesmo tempo tão longe é uma

