Os corredores do hospital já não pareciam tão frios quanto nos primeiros dias. Talvez fosse eu que estava diferente, com os olhos voltados para apenas duas coisas: Helena e a nossa filha, Flora. Só o nome já me fazia arrepiar por dentro. Quando dissemos em voz alta pela primeira vez, depois de decidir homenagear a médica que havia nos salvado naquela noite, eu senti algo se fixar no meu coração como um juramento eterno. Flora. O nome soava suave, leve, mas carregava a força de um milagre. Helena, ainda deitada na cama do quarto, observava cada detalhe do pequeno berço transparente ao lado, onde nossa filha dormia encolhidinha, embrulhada como um pacotinho. Ela tinha os traços delicados, o narizinho arrebitado, e um tufo de cabelo loiro que me fazia sorrir toda vez que eu passava a mão de

