Mundo dos Vivos

1880 Palavras

Nos dias seguintes, o bilhete não saiu da minha cabeça. Eu tinha memorizado cada traço da caligrafia doentia de Daniel, cada palavra cheia de veneno, e aquilo latejava no fundo da minha mente como uma bomba-relógio. Por fora, eu mantinha o rosto sereno, o sorriso amoroso, os planos com Helena. Mas por dentro, um redemoinho se formava — não de medo, mas de raiva. Uma raiva fria, paciente, determinada. Daniel não queria apenas aparecer. Ele queria fazer parte da nossa vida de novo. Como um fantasma que não aceita ser esquecido. E eu... eu já tinha chegado no meu limite. Numa manhã ensolarada, Helena apareceu na cozinha de cabelos molhados, usando um vestido leve, com as bochechas coradas e um sorriso que me fazia esquecer até de respirar. Sentou-se no balcão enquanto eu terminava de prepara

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR