Concreto Quebrado

1052 Palavras

A madeira do assoalho ainda rangia sob meus passos pesados, mas a casa agora parecia morta. O silêncio era diferente — não o silêncio calmo de um refúgio de montanha, mas o silêncio de uma ausência brutal. O lenço com sangue no chão... era como uma sentença. E o cheiro... o cheiro ainda era dela. O vinho derramado na taça, a manta no sofá, os chinelos jogados ao lado da poltrona. Tudo indicava que ela estivera ali. Tudo gritava que ela havia sido arrancada dali. Me ajoelhei ao lado do lenço, os punhos cerrados. O sangue ainda estava fresco. E isso significava que fazia pouco tempo. Talvez minutos. Talvez eu tivesse cruzado com Daniel na estrada sem saber. Ele havia esperado o momento certo, me afastado com aquela armadilha do bilhete e agido enquanto eu não estava. Frio. Calculista. Sujo.

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