Eu a tirei daquele maldito galpão nos braços. O corpo dela pesava menos do que o normal, como se o medo e a dor tivessem esvaziado a alma que sempre iluminava meu mundo. Helena não dizia uma palavra, mas seus olhos falavam por ela. Olhos de guerra, olhos de alguém que viu o inferno e voltou com cicatrizes invisíveis que ninguém mais entenderia. Mas eu entenderia. Eu veria cada uma delas. Eu cuidaria. E eu destruiria quem a fez sofrer. Dirigi como um animal ferido. As mãos cerradas no volante, o maxilar travado, e o coração... o coração em carne viva. Helena estava no banco do passageiro, o rosto virado pra janela, tentando não tremer — mas eu via. Eu via tudo. O ombro esquerdo estava roxo. Os pulsos marcados. Havia um corte fino na lateral do queixo, provavelmente de uma lâmina. O cabel

