Levei Helena pra casa no começo da manhã. Ela estava em silêncio no banco do carona, com o rosto virado pra janela e o cobertor do hospital ainda sobre as pernas. Não disse uma palavra durante todo o caminho, nem mesmo quando estacionei diante da casa e desliguei o motor. Parecia que ainda estava lá, naquela maca fria, entre paredes brancas e olhos desconhecidos que a examinavam. Desci e abri a porta pra ela. Quando estendi a mão, hesitou por um segundo antes de aceitar. Mas seus dedos, antes tão certos nos meus, agora estavam trêmulos, soltos, quase fugindo do meu toque. Isso me atingiu como uma lâmina. Fingir que não percebi foi a única forma de não desmontar ali mesmo. Entrei com ela devagar, a segurando pela cintura, e levei direto pro quarto. Ela se sentou na beira da cama e ficou e

