Na manhã seguinte, algo parecia fora do lugar. Helena estava mais quieta do que o habitual. Sentada à mesa do café, mexia lentamente no chá de camomila, como se estivesse tentando afogar os pensamentos no fundo da xícara. Seus olhos, sempre atentos a tudo ao redor, estavam fixos em lugar nenhum. A comida no prato seguia intocada. — Tá tudo bem? — perguntei, puxando a cadeira ao lado dela. Ela hesitou antes de responder, respirando fundo. — Tô com umas pontadas... na parte de baixo da barriga. Desde ontem à noite. — E por que não me falou ontem? — Porque achei que ia passar... às vezes acontece, não é? Mudança de posição do útero, o bebê crescendo... essas coisas. Mas não me convenceu. Ela não era de esconder dor, não mais. Não depois de tudo que já havíamos enfrentado. — Vamos pro

