A gravidez da Helena foi se tornando, pouco a pouco, o centro de tudo. Era como se o mundo lá fora tivesse diminuído de volume, como se nada mais importasse tanto quanto os detalhes daquele universo particular que a gente estava criando juntos. E por mais que os dias tivessem uma certa repetição, nunca foram iguais. Cada manhã trazia alguma novidade — às vezes uma nova manha, um novo enjoo, às vezes uma emoção diferente, uma conversa mais profunda, uma vontade de fazer planos mais ousados. Ela começou a dormir mais cedo, e eu, ao invés de achar chato, comecei a gostar de ficar ali do lado, lendo um livro enquanto ela ressonava leve, com a mão pousada na barriga, como se quisesse proteger o nosso filho mesmo dormindo. Às vezes ela dava uns pulos no sono, acordava dizendo que sonhou com uma

