O cheiro de café fresco ainda pairava no ar quando Victor entrou no escritório, o semblante pesado, carregando em mãos uma pasta escura. Eu já sabia: aquilo não era notícia boa. Meus olhos encontraram os dele, e Victor apenas deixou a pasta sobre a mesa, sem dizer palavra. Abri. E ali estava. Movimentações financeiras vultosas, números que saltavam diante dos meus olhos. Marcelo não tinha mais limites: havia transferido uma quantia absurda para contas laranjas, algumas em paraísos fiscais que só eu conhecia a fundo. Aquilo não era apenas um roubo — era um insulto, uma afronta direta. Fechei a pasta com violência, fazendo a caneta sobre a mesa rolar até cair no chão. — Esse filho da p**a… — rosnei, com a mandíbula travada. — Ele teve a audácia de colocar as mãos no que é meu. Victor se

