Morte

1551 Palavras

O cano frio da arma encostou na minha testa. O metal gelado queimava mais do que fogo, atravessando pele, carne e ossos até atingir a alma. A respiração do capanga estava próxima, pesada, cheirando a cigarro barato e raiva. Ele segurava firme, o dedo já pressionando o gatilho, pronto para mandar uma bala atravessar meu crânio. Fechei os olhos por um instante. Não por medo, não por rendição. Mas porque, de repente, flashes da minha vida começaram a surgir. Helena sorrindo, a barriga enorme diante do espelho. Flora, tão pequena, chorando pela primeira vez enquanto eu a segurava nos braços, o choro que fez o meu coração de pedra se despedaçar em milhares de pedaços e renascer. A primeira vez que Helena encostou a cabeça no meu ombro e disse que confiava em mim. Eu respirei fundo. “É assim q

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