O ar no galpão parecia cada vez mais pesado, como se as paredes estivessem fechando sobre nós. Meus pulsos ardiam contra a corda grossa, e mesmo assim, meu coração não acelerava de medo. Não. Era outra coisa. Era fúria. Era a imagem de Helena e Flora, tão frágeis, tão vulneráveis, e um verme como Marcelo ameaçando encostar nelas. Os dois capangas continuavam imóveis, trocando olhares nervosos, as armas ainda em punho. O primeiro, o da filha doente, parecia dividido entre a lealdade e o desespero. O segundo, mais duro, mais brutal, tremia de raiva por dentro, mas eu já havia visto — e aprendi a ler — a dúvida que crescia por trás daquele olhar. Não havia tempo. Eu sabia disso. O Marcelo não era burro. Ele tinha se adiantado uma vez, poderia se adiantar outra. Se ele sabia que Victor e eu

