Helena parecia diferente nos últimos tempos. Havia uma confiança nova no brilho do olhar dela, como se a tempestade tivesse finalmente passado e agora ela pudesse se entregar novamente ao calor do que éramos. Não era apenas a Helena mãe, doce e cuidadosa com Flora, mas a mulher que sempre incendiou minha vida, desde o primeiro instante em que cruzamos olhares. Eu percebia isso nos pequenos gestos. O jeito como ela caminhava pela casa, como deixava o cabelo solto de propósito quando sabia que eu estava olhando, o sorriso enviesado quando nossos corpos se encontravam por acaso nos corredores. E, principalmente, a forma como as mãos dela insistiam em me tocar mais vezes: um carinho no pescoço quando eu lia relatórios, os dedos passeando pelo meu braço enquanto eu segurava Flora, ou aquele be

