Depois daquela reunião, algo mudou no ar. Os sócios, antes cheios de coragem para me confrontar, passaram a se curvar com um respeito renovado. Quando eu entrava numa sala, o silêncio vinha junto, quase automático, como se todos se lembrassem ao mesmo tempo de quem realmente estava diante deles. Alguns sorrisos forçados, algumas palavras rápidas de apoio, mas eu conhecia bem aquele jogo: nem todo silêncio significava respeito; às vezes era medo, às vezes era rancor. De volta à rotina, percebi que a cada dia minha vida era um equilíbrio frágil. Pela manhã, as demandas corporativas, pilhas de contratos e relatórios que Victor levava até mim em casa ou que eu revisava no meu escritório particular, sempre com Flora brincando ao lado, batendo os pezinhos contra o tapete. Helena às vezes entrav

