A morte do Henrique me acertou como uma flecha ao alvo. Alvo esse que já estava tão calejado. Por um momento, por um segundo, por um milésimo de tempo, pensei em fugir. Tudo que eu queria era me internar numa clinica psiquiátrica e nunca mais sair de lá. Parecia mais fácil, sabe? Parecia melhor fingir que nada aconteceu e que o último mês foi inteiramente fruto da minha imaginação, acordar achando que minha vida era comum de novo mesmo que por causa de um monte de remédios. Mas eu não podia fugir disso. Não podia esquecer. Meu melhor amigo estava morto. Meu noivado acabou. Minha melhor amiga me enganou. Fui demitida. Uma coisa atrás da outra, sem tempo de sequer respirar. Tudo bem. A gente sobrevive. Sobrevivemos a exatos 100% dos nossos dias. Não é agora que vamos quebrar. Na manhã segui

