Perdão & Promessas

1255 Palavras
Após adiar várias vezes o seu encontro com a mulher que ainda considerava a amante de seu marido e a responsável por fazer a sua filha crescer sem o pai, Beatriz ligou para o seu advogado e disse estar pronta para a conhecer e ter uma conversa. - Foi uma óptima decisão filha. Já passou da hora de arrumar este assunto. - Eu sei Mamãe. Realmente o adiei demais. Mas depois de tudo o que aconteceu, eu decidi fazer isso pela minha filha. - Entendo meu amor. E quando será o vosso encontro? - Esta noite. Eu pedi ao Lukas para fazer uma reserva no restaurante favorito do Alexandre. Ele também a levava até lá. - Não te matrizes mais filha. Tudo isso vai ficar no passado. - Sei que sim Mamãe. E onde estão as crianças? - No jardim com o teu pai. Estão num treino de futebol. E elas adoram estes momentos. O Octávio não demonstra, mas estar com eles é o que o deixa mais feliz. - Ainda bem que é assim. Este é um momento delicado. E ainda tem o assunto da vossa viagem. Ele já concordou? - Sim. Eu o convenci. Obrigada por isso filha. - Nada por isso Mamãe. Eu já ouvi maravilhas sobre a Ilha Esmeralda. Passar um tempo lá vai ser bom. E as crianças vão adorar a surpresa. - Eu sei que sim. E já falaste com o Flávio? - Sim. Vamos dois ou três dias depois de vocês. Para dar tempo de deixarmos tudo em ordem. O celular de Beatriz tocou e ela viu o nome de Lukas. - Olá Lukas. - Olá Bia. Está tudo pronto. Fiz a reserva em teu nome, e a Alice vai ter contigo. Marquei para as 19 horas. A vossa mesa é a mais discreta e ninguém vai interromper vocês. - Muito Obrigada meu amigo. Eu estarei lá na hora marcada. - Está bem. Até mais. Darei notícias. - Está tudo bem filha? - Sim. A reserva está feita. Vou me encontrar com ela às 19 horas. Bem! Aproveito este momento para ligar ao Flávio. Ele quis ir comigo, mas eu o convenci a ir me pegar. Este assunto só eu tenho que resolver. Beatriz ligou para Flávio. Passou ainda na sua fábrica e em algumas Pastelarias para supervisionar. Também teve teve tempo de ir ao salão. Faltando 10 minutos para a hora combinada, Beatriz parou o carro em frente ao restaurante. O manobrista o pegou e ela entrou. O Maitre a recebeu e levou até á mesa. - A Senhora gostaria de beber alguma coisa agora? - Água com limão por favor. Obrigada. - Por nada Senhora. Com licença. Beatriz bebia a sua água quando viu chegar uma mulher. Ela estava de coletas e caminhava com muita dificuldade. - Beatriz!? - Eu mesma Alice. Como vai? - Melhorando. Por algum milagre eu pude me levantar da cadeira de rodas, mas ainda estou com dificuldade para me adaptar as muletas. - Eu sinto muito. Eu puxo a cadeira. - Obrigada. Posso perguntar porque escolheste este lugar? - Não é óbvio? Sendo o restaurante favorito do Alexandre, ele com certeza também trazia você aqui. - Sim. A gente vinha 3 vezes por semana. - Escute Alice. Eu culpei você por fazer a minha filha crescer sem ter conhecido o pai, mas tudo isso já passou. Você também perdeu alguém, e não seria justo seres acusada sem motivos. - Tudo bem. Obrigada pela sinceridade. Estamos aqui agora, então devemos ser honestas. Eu só vi você por fotografias. O Alex só falava das tuas qualidades. Ele dizia que você era a melhor na cozinha. tive raiva e ciúmes no começo, mas, depois eu entendi que não valeria a pena. - Você o amava? - Sim. Eu o amava muito. Por esse amor, eu abri mão da ideia de não ser mãe e engravidei. E não me arrependo disso. - Entendo. E como se chama o teu filho? - Daniel Alexandre Noriega. Tem 8 anos de idade, e agora é a única coisa que tenho do Alex. Bia viu a fotografia do menino e notou logo a semelhança com o pai. - Ele é lindo. Tem os teus olhos. - Obrigada. Mas no resto parece o Alexandre. - Entendo. Apesar de nunca o ter visto, a minha filha também tem muito dele. E claro, me refiro ao lado bom e positivo. - Que bom. Posso ver uma fotografia dela? - Claro. Aqui está. - UAU! Ela é linda demais. Que olhos incríveis. - Obrigada. É também muito inteligente. - Não duvido. Mas, eu quero saber se você permite que eles se conheçam. O meu menino já sabe que ele tem uma irmã. E eu quero muito que eles tenham contacto. Mesmo que não seja de forma constante. - Eu preciso de pensar no assunto. Estar aqui não está a ser fácil, mas pela minha menina eu decidi vir. - Eu sei. E vou carregar o peso desta culpa pelo resto da minha vida. Mas pense por favor. Eu não terei muito tempo para fazer as coisas certas. - Como assim?! - Eu estou doente. Estar usando muletas não foi a única consequência do acidente. O meu médico falou que a minha situação é delicada, e isto também é a causa da demora na minha recuperação. - O que você tem exactamente? - É uma espécie de mancha no pulmão esquerdo. Ela está aumentando e com toda a certeza vai afectar o outro também. E quando isso acontecer, a minha vida vai diminuir de ritmo. - Eu lamento. Tens com quem deixar o menino? - Sim. Os meus pais vão cuidar dele. Já me assegurou de que nada lhe vai faltar. Mas, eu preciso cumprir a minha promessa. - Está bem. Eu deixarei que a Dádiva o conheça. Ligarei para você na sexta-feira e direi a hora e local do encontro. - Ficaremos esperando. Obrigada. - Vamos pedir? A comida daqui é óptima. Algum tempo depois quando voltava para casa com Flávio, Beatriz estava muito calada. - Meu amor! Você está bem? - Não sei Flávio....- Ela disse começando a chorar. Eu me fiz de forte, mas foi muito difícil estar diante daquela mulher. Ela foi o amor da vida do Alexandre. E eu fui a intrusa que se intrometeu entre eles. - Não. Isto não é verdade querida. Você o amava, mas ele não soube valorizar o teu amor. - Eu sei. E eu o odeio por isso. E me odeio também. Mas, eu não quero passar esse ódio para a Dádiva. Não sou assim tão egoísta. - Claro que não querida. O que ela pediu para você? - Que eu deixasse a Dádiva conhecer o irmão. Eu disse que ligaria na sexta-feira. Fiz bem? - É claro que sim. E isto prova que você jamais seria egoísta. Eu levarei você a um lugar que te vai acalmar num instante. - Obrigada querido. Flávio conduziu até ao calçadão. Desceram e ao sentir a brisa fresca do mar, Beatriz sorriu e acalmou - se. - Como te sentes agora? - Muito melhor. Obrigada meu amor....- Beatriz o beijou e o seu humor ficou bem melhor. Flávio a deixou em casa algum tempo depois. Foi para a sua casa sabendo que estava mais do que na hora de dar um novo passo na sua relação. Mas, será que Beatriz está realmente pronta para dar esse passo? Seria o seu amor maior que o medo que ainda sentia? Ou o passado ficaria mesmo esquecido desta vez?
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