Após adiar várias vezes o seu encontro com a mulher que ainda considerava a amante de seu marido e a responsável por fazer a sua filha crescer sem o pai, Beatriz ligou para o seu advogado e disse estar pronta para a conhecer e ter uma conversa.
- Foi uma óptima decisão filha.
Já passou da hora de arrumar este assunto.
- Eu sei Mamãe. Realmente o adiei demais. Mas depois de tudo o que aconteceu, eu decidi fazer isso pela minha filha.
- Entendo meu amor. E quando será o vosso encontro?
- Esta noite. Eu pedi ao Lukas para fazer uma reserva no restaurante favorito do Alexandre.
Ele também a levava até lá.
- Não te matrizes mais filha.
Tudo isso vai ficar no passado.
- Sei que sim Mamãe.
E onde estão as crianças?
- No jardim com o teu pai. Estão num treino de futebol. E elas adoram estes momentos. O Octávio não demonstra, mas estar com eles é o que o deixa mais feliz.
- Ainda bem que é assim.
Este é um momento delicado. E ainda tem o assunto da vossa viagem.
Ele já concordou?
- Sim. Eu o convenci. Obrigada por isso filha.
- Nada por isso Mamãe. Eu já ouvi maravilhas sobre a Ilha Esmeralda. Passar um tempo lá vai ser bom. E as crianças vão adorar a surpresa.
- Eu sei que sim. E já falaste com o Flávio?
- Sim. Vamos dois ou três dias depois de vocês. Para dar tempo de deixarmos tudo em ordem.
O celular de Beatriz tocou e ela viu o nome de Lukas.
- Olá Lukas.
- Olá Bia. Está tudo pronto. Fiz a reserva em teu nome, e a Alice vai ter contigo. Marquei para as 19 horas. A vossa mesa é a mais discreta e ninguém vai interromper vocês.
- Muito Obrigada meu amigo.
Eu estarei lá na hora marcada.
- Está bem. Até mais.
Darei notícias.
- Está tudo bem filha?
- Sim. A reserva está feita. Vou me encontrar com ela às 19 horas.
Bem! Aproveito este momento para ligar ao Flávio. Ele quis ir comigo, mas eu o convenci a ir me pegar. Este assunto só eu tenho que resolver.
Beatriz ligou para Flávio. Passou ainda na sua fábrica e em algumas Pastelarias para supervisionar. Também teve teve tempo de ir ao salão.
Faltando 10 minutos para a hora combinada, Beatriz parou o carro em frente ao restaurante.
O manobrista o pegou e ela entrou.
O Maitre a recebeu e levou até á mesa.
- A Senhora gostaria de beber alguma coisa agora?
- Água com limão por favor.
Obrigada.
- Por nada Senhora. Com licença.
Beatriz bebia a sua água quando viu chegar uma mulher. Ela estava de coletas e caminhava com muita dificuldade.
- Beatriz!?
- Eu mesma Alice. Como vai?
- Melhorando. Por algum milagre eu pude me levantar da cadeira de rodas, mas ainda estou com dificuldade para me adaptar as muletas.
- Eu sinto muito. Eu puxo a cadeira.
- Obrigada. Posso perguntar porque escolheste este lugar?
- Não é óbvio? Sendo o restaurante favorito do Alexandre, ele com certeza também trazia você aqui.
- Sim. A gente vinha 3 vezes por semana.
- Escute Alice. Eu culpei você por fazer a minha filha crescer sem ter conhecido o pai, mas tudo isso já passou.
Você também perdeu alguém, e não seria justo seres acusada sem motivos.
- Tudo bem. Obrigada pela sinceridade.
Estamos aqui agora, então devemos ser honestas. Eu só vi você por fotografias.
O Alex só falava das tuas qualidades. Ele dizia que você era a melhor na cozinha.
tive raiva e ciúmes no começo, mas, depois eu entendi que não valeria a pena.
- Você o amava?
- Sim. Eu o amava muito.
Por esse amor, eu abri mão da ideia de não ser mãe e engravidei. E não me arrependo disso.
- Entendo. E como se chama o teu filho?
- Daniel Alexandre Noriega.
Tem 8 anos de idade, e agora é a única coisa que tenho do Alex.
Bia viu a fotografia do menino e notou logo a semelhança com o pai.
- Ele é lindo. Tem os teus olhos.
- Obrigada. Mas no resto parece o Alexandre.
- Entendo. Apesar de nunca o ter visto, a minha filha também tem muito dele.
E claro, me refiro ao lado bom e positivo.
- Que bom. Posso ver uma fotografia dela?
- Claro. Aqui está.
- UAU! Ela é linda demais.
Que olhos incríveis.
- Obrigada. É também muito inteligente.
- Não duvido. Mas, eu quero saber se você permite que eles se conheçam.
O meu menino já sabe que ele tem uma irmã. E eu quero muito que eles tenham contacto. Mesmo que não seja de forma constante.
- Eu preciso de pensar no assunto.
Estar aqui não está a ser fácil, mas pela minha menina eu decidi vir.
- Eu sei. E vou carregar o peso desta culpa pelo resto da minha vida.
Mas pense por favor. Eu não terei muito tempo para fazer as coisas certas.
- Como assim?!
- Eu estou doente. Estar usando muletas não foi a única consequência do acidente. O meu médico falou que a minha situação é delicada, e isto também é a causa da demora na minha recuperação.
- O que você tem exactamente?
- É uma espécie de mancha no pulmão esquerdo. Ela está aumentando e com toda a certeza vai afectar o outro também. E quando isso acontecer, a minha vida vai diminuir de ritmo.
- Eu lamento. Tens com quem deixar o menino?
- Sim. Os meus pais vão cuidar dele.
Já me assegurou de que nada lhe vai faltar. Mas, eu preciso cumprir a minha promessa.
- Está bem. Eu deixarei que a Dádiva o conheça. Ligarei para você na sexta-feira e direi a hora e local do encontro.
- Ficaremos esperando. Obrigada.
- Vamos pedir? A comida daqui é óptima.
Algum tempo depois quando voltava para casa com Flávio, Beatriz estava muito calada.
- Meu amor! Você está bem?
- Não sei Flávio....- Ela disse começando a chorar.
Eu me fiz de forte, mas foi muito difícil estar diante daquela mulher.
Ela foi o amor da vida do Alexandre. E eu fui a intrusa que se intrometeu entre eles.
- Não. Isto não é verdade querida.
Você o amava, mas ele não soube valorizar o teu amor.
- Eu sei. E eu o odeio por isso.
E me odeio também. Mas, eu não quero passar esse ódio para a Dádiva. Não sou assim tão egoísta.
- Claro que não querida.
O que ela pediu para você?
- Que eu deixasse a Dádiva conhecer o irmão. Eu disse que ligaria na sexta-feira. Fiz bem?
- É claro que sim. E isto prova que você jamais seria egoísta. Eu levarei você a um lugar que te vai acalmar num instante.
- Obrigada querido.
Flávio conduziu até ao calçadão.
Desceram e ao sentir a brisa fresca do mar, Beatriz sorriu e acalmou - se.
- Como te sentes agora?
- Muito melhor.
Obrigada meu amor....- Beatriz o beijou e o seu humor ficou bem melhor.
Flávio a deixou em casa algum tempo depois. Foi para a sua casa sabendo que estava mais do que na hora de dar um novo passo na sua relação.
Mas, será que Beatriz está realmente pronta para dar esse passo?
Seria o seu amor maior que o medo que ainda sentia? Ou o passado ficaria mesmo esquecido desta vez?