Alice ainda não tinha conseguido falar com Beatriz.
Sabendo que a outra precisava de espaço e tempo, ela não insistiu e teve a paciência para esperar.
O seu filho crescia e era mais difícil não notar que estava igual ao Pai.
Ela chamou o menino que brincava no jardim da enorme casa que Alexandre deixou para eles.
- Alex vem cá por favor.
- Sim Mamãe. Precisas de alguma coisa?
- Apenas falar com você.
Me escute com atenção está bem?
- Sim Senhora.
- Obrigada querido. Eu quero te contar que tens uma irmã mais nova. O nome dela é Dádiva.
- É sério Mamãe? E onde ela está?
- Está com a mãe dela. Elas não nos conhecem, mas em breve vamos nos encontrar para conversar.
- E ela vai gostar de mim?
- Claro que vai. Eu quero que sejas muito carinhoso com ela. Que a protejas e sejas um bom irmão mais velho. Você promete?
- Sim eu prometo.
- Ótimo. E um dia quando vocês crescerem, ainda terás que a proteger.
A família é muito importante.
O vosso pai ficaria orgulhoso. Fale dele para ela, mas somente as coisas boas.
- Ela não o conheceu?
- Não querido. Ela não teve a oportunidade de estar com ele.
Ao ter essa conversa com o filho, Alice o estava a preparar para o encontro que teriam com Beatriz e Dádiva.
Ela não duvidava que a menina fosse aceitar o irmão, mas seria difícil convencer Beatriz a fazer o mesmo.
Por outro lado, Flávio conseguiu provar que foi Marília quem atropelou Mariana.
As imagens da câmera deixavam tudo muito claro, mas ela estava sumida.
Não tinha deixado rastros e estava difícil obter uma localização.
Como não estava mais a tomar os remédios, Marília estava descontrolada.
Fazia tudo por impulso. Sem saber se Mariana estava viva ou morta, ela teve outra crise e começou a chorar descontroladamente, chamando a si mesma de assassina.
Sabia que tinha cometido um crime e com certeza a polícia estaria a sua procura.
Apesar disso, ela não ouviu a sua intuição, e acabou por cometer mais erros que seriam os que acabariam de vez com a sua liberdade.
Renata tinha ido às compras.
O seu filho iria para a escola e precisaria de varios materiais. Ela não percebeu que estava a ser seguida.
Marília a confundiu com Beatriz. e a sua intenção era dar a ela o mesmo destino de Mariana.
Com as duas fora do seu caminho. talvez Flávio a aceitasse, e então poderiam casar e serem felizes para sempre.
Após colocar as sacolas no carro, Renata teve que atravessar para comprar outras coisas. Ao passar o sinal que estava aberto para os peões, viu um carro ir em sua direção a alta velocidade.
Mas para sua sorte um home também viu e a salvou do atropelamento.
- A Senhora está bem?
Me desculpe por a ter atirado ao chão.
- Sim. Eu estou bem. Muito Obrigada.
O Senhor salvou a minha vida.
Como lhe posso agradecer?
- Basta que esteja bem e volte para casa. Eu consegui ver a matrícula do carro. Era uma mulher dirigindo.
- Certo. O meu carro está mesmo aí.
Vou anotar os dados e levar á polícia.
Mais uma vez muito obrigada.
Após pegar os dados do homem que seria sua testemunha, Renata entrou no carro. Respirou fundo e antes de sair do lugar ligou para Beatriz.
- Oi amiga.
- Bia?! Aconteceu algo terrível.
- O que foi amiga? Você está bem?
- Sim. Alguém me salvou. Mas, aquela mulher tentou me m***r. Tenho a certeza que era ela.
- O Quê?! De certeza que estás bem?
Onde estás agora?
- Indo para casa. Ficarei bem não te preocupes. Vou enviar a matrícula do carro está bem?
- Tudo bem amiga. Se cuida por favor.
- Você também. Beijos.
- O que foi filha?
- A Renata sofreu uma tentativa de assassinato.
- O Quê?! Foi aquela mulher maluca?
- Sim Mamãe. Ela a deve ter confundido comigo. Ela está cada vez pior.
Onde estão as crianças?
- Lá em cima com a Laura.
- Óptimo. Ela está m*l Mamãe.
E pode tentar fazer alguma coisa com eles também.
- Não te preocupes querida. Não vamos deixar elas sozinhas por um minuto. Ligue para o Flávio agora.
- Está bem.
Beatriz ligou para Flávio.
Ele m*l conseguiu acreditar quando ela contou o que Marília tinha acabado de fazer.
- A Renata está mesmo bem querida?
- Ela me afirmou que sim.
Mas podemos ir á casa dela mais tarde. O que vamos fazer em relação á Marília? Ela pode fazer algo pior. Temos que a parar.
- Você está certa. Venho pegar você em 15 minutos. Vamos á polícia. Está na hora de acabar com isso.
Também iremos ter com os pais dela. Precisamos de entender porque ela tem estes surtos.
- Está bem meu amor. Estou esperando por você. Bjos.
Beatriz subiu e viu a filha falando com Laura.
- Filha! A Mamãe vai sair por algumas horas está bem? Não saias de perto da Laura.
- Está bem Mamãe.
Mas, eu posso ir nadar um pouco? Está muito quente aqui.
- Tudo bem. Mas ainda assim tenha cuidado. Vou pedir aos seguranças que fiquem atentos.
Laura vem aqui por favor.
- Claro Senhora.
Está tudo bem?
- Sim. Mas por favor não a deixes sozinha nem por um segundo.
A Mamãe vai estar com vocês o tempo todo. E chame também o Murilo.
- Está bem Senhora. Não vou tirar os olhos deles.
- Obrigada. Vou me arrumar agora.
O Senhor Flávio está a chegar.
Flávio chegou e eles foram até á polícia.
Quando o delegado olhou para a fotografia de Marília, ele a reconheceu imediatamente.
- Não posso acreditar. Esta é a mulher que ameaça vocês? Têm a certeza?
- Claro que temos delegado.
Porque o Senhor está surpreso?
Ele tirou um álbum da gaveta e abriu mostrando para eles a fotografia de Marília. Estava mais nova, mas notava - se que era mesmo ela.
- O que isto significa delegado?
- Esta mulher já tem passagem pela polícia. Isto aconteceu quando ela tinha 17 anos, mas foi julgada como adulta.
- O que ela fez?
- Ela feriu um dos irmãos com uma faca.
Tirou - lhe o dedo indicador da mão esquerda. Isto supostamente porque teve um surto durante a visita que ele fez quando ela estava na clínica.
- E de onde saiu a faca?
- Depois descobriu - se que ela seduziu um dos enfermeiros, e foi ele quem deu a faca. O pior, é que apenas ele cumpriu a pena de prisão. Ela fez serviços comunitários e depois seguiu a vida.
- Eu nem consigo acreditar que fui amigo desta mulher. Ela é uma psicopata.
É doente e temos que a parar.
- Pelo que me contaram ela não mudou muito. Sendo que agora é adulta e responsável, desta vez não vai escapar a uma condenação. E será bem mais pesada.
- Essa mulher não pode estar livre. Ela é um verdadeiro perigo. E não podemos aceitar que se use novamente a desculpa destes surtos para que ela escape. Ela tem que ir presa.
- Ela irá Senhora. Vamos manter - nos atentos. Ela está sozinha e com certeza vai cometer um erro. E será desta forma que a pegaremos. Também enviaremos alertas a todos os lugares. Pediremos para quem a vir que não reaja. Deve apenas enviar mensagem com a localização.
Não se preocupem. Nós a pegaremos.
- Obrigada Delegado. Só ficarei bem quando ela estiver presa.
Eu tenho uma filha e um irmão mais novo. Eles também estão em perigo com ela á solta.
Enquanto isso, Marília foi até um outra cidade e começou a fazer contactos com gente perigosa.
Alguns homens aceitaram trabalhar com ela. Ela tinha sacado todo o seu dinheiro e os pagou sem hesitar, avisando que o resto seria depois do serviço feito.
- Saiba que não ferimos crianças nem idosos.
- Não têm que ferir ninguém.
A menina tem seis anos, ela será largada bem longe daqui. Com a mãe podem fazer o que bem entenderem. mas antes ela vai acertar as contas comigo.
Mariana também teve alta do hospital.
Beatriz a recebeu em sua casa, e percebeu que ela já tinha pago pelo seu erro.
- Obrigada por me receberes Beatriz.
Os meus pais tiveram que voltar para casa.
- Nada por isso. Vocês se reconciliaram?
- Sim. Graças á Deus. Eles me entenderam e agora estamos bem de novo.
Eu também estou aliviada por ter o perdão do Flávio. Ele te ama de verdade.
- Eu também o amo muito.
E sei que ele jamais te odiaria para sempre. Estou feliz por estarem bem.
- Eu também. Agora posso seguir com a minha vida sem a culpa me rondando.
- Mamãe! Telefone para a Senhora.
- Obrigada querida. Fica á vontade Mariana.
Beatriz atendeu a ligação e soube que teria de sair para trabalhar.
A Fábrica tinha recebido um enor e pedido de entregas. E para as legalizar ela teria que ir até lá para assinar os papéis de saída.
- Mariana eu preciso ir até á Fábrica.
Você ficará bem sozinha?
- Claro que sim. A Senhora Paula deve chegar a qualquer momento não é mesmo?
- Sim. Ela foi com o meu pai e o meu irmão á uma consulta. Levarei a Dádiva comigo. A Laura e a Fina foram às compras. Estarei de volta em uma hora.
- Não há problema.
Se eu precisar de ajuda peço aos seguranças.
- Óptimo. Até mais.
Beatriz chamou a filha e as duas saíram.
Ela sabia que ainda havia perigo.
Marília ainda não tinha sido encontrada, mas precisava de trabalhar.
Ela só não sabia que se encaminhava para uma perigosa armadilha.