Capítulo 21

1050 Palavras
Troquei de camisa e ainda com os mesmos sapatos e calça que estava corri até o lugar mais próximo de qual eu poderia pegar um táxi. Minha mãe tentou me impedir, mas quando ela já tinha percebido eu já tinha caído no meio do mundo. Ouvia meu celular tocar e olhando para tela na esperança que fosse ele ligando para mim, me decepcionava, era só minha mãe tentando descobrir para onde eu tinha ido. Atravessei a rua feito um louco e sem olhar para os lados que quase chego a ser atropelado por uma motocicleta e xingando o piloto, ainda continuo o percurso em busca de um táxi. - Moço, moço. Aceno com a mão para um que estava se aproximando e parando do meu lado entro no carro depressa e dizendo para onde vou o motorista me olha assutado. - Por favor! Senhor. Leve-me nesse endereço. Ele me observa através do seu retrovisor com os olhos arregalados. E sem me fazer fazer qualquer tipo de pergunta ele dá partida no carro e vendo o meu desespero o motorista parecia querer fazer com que eu chegasse o quanto antes no meu destino. - Por favor, amor. Esteja lá , esteja lá. Minha cabeça fervendo e uma onda de pensamentos me deixando ansioso. As mãos suadas e trêmulas e estalando meus dedos tento controlar a ansiedade através de minha mania. - Estamos quase chegando, meu rapaz. Diz o motorista me olhando mais uma vez pelo retrovisor. - Sim sim. Vejo que sim, se puder andar mais depressa me ajudaria muito. O senhor não sabe a agonia que estou sentindo, e o quanto preciso chegar logo nesse lugar. Acredito que na mente daquele motorista se passou um história. Não diferente das que ele já tinha ouvido de outros passageiros, mas o mesmo conto de sempre. Um garoto apaixonado indo até um motel em busca de provas de uma suposta traição. Tinha certeza que ele estava doido para me ouvir falar o que estava indo fazer lá para provavelmente, contar a sua versão para a esposa ou amigos na rodinha de cerveja nos fins de semana fazendo de minha estória, uma grande piada. Mas não daria esse gostinho a ele, muito menos expôr a minha vida pessoal feito um bêbado maluco ou um apaixonado frustado. Quanto mais me aproximava do motel, mais distante parecia ficar o transito não ajudava já que estava em horário de pico na cidade. Todos estavam voltando dos seus trabalhos, e os garotos voltando da escola fazendo uma enorme algazarra. Estava tão ansioso a ponto de roer as unhas e arrancar as cutículas no dente o que me fez perceber o quão nojento era. - Chegamos, gostaria que eu entrasse com o rapaz ? Ele me pergunta receoso. - Claro que sim, por favor! Mas digo que só precisa me deixar no estacionamento para que eu não precise sair do carro aqui na rua. O motel era dos mais fuleiros que tinha, mas era o nosso lugar. A gente adorava estar ali, tínhamos feito do quarto o nosso lar dos fins de semana e quando vi a sua moto parada no quarto 611 achei estranho, já que nunca trocamos de suíte. - Será que você está com outro ? A força das pernas me faltaram e sem querer sair do carro olhei pro motorista que me observava sem pestanejar. Respirei fundo e pagando a corrida desci do carro e me dirigir até o quarto onde a sua moto estava estacionada. Os passos pareciam pesar cada vez mais que se aproximava e antes que a coragem me faltasse bati na porta. Tok, Tok, Tok. Silêncio.... Bato mais uma vez... Tok, Tok, Tok, persisto de novo e mais uma vez ninguém me atende. Tento por uma última vez até perceber que a porta está somente encostada deixando uma fresta de luz passar pela escuridão da garagem. Olhando para o quarto me assusto quando vejo Benjamin jogado na cama, algumas garrafas de cerveja e dois litros de vinho. Ele realmente tinha descontado toda a sua frustração na bebida e a culpa era toda minha. Estava inconsciente e por alguns segundos enquanto o tinha nos meus braços sentir a pior sensação do mundo. Me sentir como se eu tivesse perdido ele, e naquele momento pude sentir na pele o que era perder o amor da sua vida. - Amor, amor. Acorda, por favor! Não faz isso comigo. Ele não responde. - Benjamin, não me deixa aqui... Meu coração parece querer sair pela boca e dando alguns tapas de leve no seu rosto ele acorda. - Graças a Deus!!! Sinto um alívio em vê-lo reagir. - O que está fazendo aqui ? Benji me pergunta com uma voz puxada e cansada. O cheiro do álcool invadindo minhas narinas que chega a me causar ânsia. O pegando pelos meus braços o levo até o banheiro e colocando-o no chão retiro peço por peça de suas roupas e te dou um banho frio. - Você não me ama, você mentiu para mim. A voz repuxada me faz perceber o quanto ele tinha exagerado no álcool. Eu tinha certeza que além das coisas que já estava falando enquanto te dava um banho, era só o começo de uma noite longa. Nunca tinha visto meu Benji daquele jeito, chorava dizendo que não o amava e que eu tinha mentido para ele, tinha feito dele um i****a que te usei e Blá, Blá, Blá. Não dei importância a final era só conversa de gente bêbada. Depois que tomou o banho, coloquei deitado na cama vestido no shorts que usava por baixo da calça. Pedir um café forte pelo interfone que chegou em minutos. Levou em média meia hora até ele se recompor e chorando falava para mim o quanto estava decepcionado comigo, que tinha tantos planos e simplesmente eu não dava a mínima importância para isso. Por um lado ele tinha razão, não deveria ter alimentado a sua esperança. Embora uma parte de mim desejasse ir morar com ele a outra metade me fazia acreditar, que ir em busca dos meus sonhos pesava mais e era mais importante. Eu realmente queria ter as duas coisas, mas Benji jamais suportaria a ideia de me deixar sair todos os dias e frequentar um lugar de onde para ele era uma ameaça.
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