Capítulo 22

1048 Palavras
Talvez eu não fosse o único doentio da relação, mas o fato de vê-lo sentindo ciúmes de mim a ponto de perder a cabeça era sua melhor qualidade no meu ponto de vista. Sentia que o medo de me perder era tanto, que era bem melhor me afastar dos outros do que me afastar dele, mas sem perceber ele estava me perdendo e meus pais insistirem para eu não ir embora com ele, era só mais um pequeno detalhe para que não me arrependesse tarde demais. Minha avó sempre me dizia, que quando se está com alguém dando murro em ponta de faca a tendência de se acostumar com a mesmice de sempre é muita. Se ele já já mostrava ser alguém que não gostava de conversar, muito menos ter a capacidade de ouvir o outro sem julgamentos e se por no lugar da outra pessoa, o que será que Benji ainda não tinha me contado? Tudo que mais desejava era só ter uma conversa franca e sem rodeios que no fim, terminaria em um abraço gostoso e um beijo intenso. Ele não estava me perdendo por completo, só que depois que conversei com meus pais a respeito de sair de casa para viver ao lado dele tinha que estar apto para ouvir o sermão. No fim minha mãe estava certa, como sempre esteve. Tudo que mais desejava era o meu melhor e esse melhor, era continuar na minha casa ao lado deles prestes a começar uma vida totalmente diferente de qual já havia pensado. Ser universitário era um dos maiores desejos da minha vida, novas amizades, festas, viagens a lugares diferentes com amigos totalmente malucos e talvez fosse isso que deixava Benjamin transtornado. As vezes nem eu mesmo me conheço porque sempre fui assim. Começo as coisas de forma intensa e quando percebo tudo para mim já faz parte de um tanto faz, e pelo que vinha percebendo ele também estava se tornando. - Te amo tanto, meu amor. Digo com os olhos vermelhos e a voz trêmula. - Se me amasse não faria o que está fazendo comigo. As lágrimas escorrendo pelo seu rosto e sem conseguir fazer contato visual ouço as palavras mais duras que alguém poderia me dizer. - Talvez você não mereça o meu amor, fui t**o em planejar uma vida ao seu lado. Noites de sono que perdi por sua causa contando os dias para que o final do ano letivo chegasse depressa. Ele parecia estar muito mais magoado do que jamais pensei que estaria. - Eu..eu..eu..eu. Benjamin gagueja. Limpa a garganta e engole em seco, assoa o nariz no lençol da cama me causando um desconforto e secando as lágrimas nas costas de suas mãos continua falando tudo que assolava o peito. - Eu acho que você fez a sua escolha. - Não, por favor!! Interrompo. - Você não pode fazer isso comigo, com a gente? - Eu fazer isso com a gente ? Ele me olha nos olhos. - Foi você quem fez isso comigo, Théo. Benji responde batendo contra o peito. - Desde sempre mostrei para você o que sonhava para nós e agora você vem com esse papo tentando me transformar no vilão da estória ? Ele tinha razão em estar tão frustrado e desejando que eu sumisse da sua frente, mas mesmo que Benjamin me escurrassase dali a ponta dos pés eu voltaria no outro dia atrás dele onde estivesse. Embora fosse humilhante, eu faria de tudo para que ele também me ouvisse. Nossa história não poderia acabar daquele jeito, tínhamos tantas opções a aparência de ambos chamava atenção e seria fácil para encontrar alguém quando menos esperassemos. Mas tudo acontece por algum propósito e se tínhamos nos dado uma chance mesmo morando a km de distância um do outro, não era a toa que aquele nosso romance estava acontecendo. Eu só precisava ter paciência e sangue frio para ouvir tudo que ele estava me dizendo. - Você partiu meu coração. Chorando vejo a cena que jamais desejei ver, o meu amor sofrendo por minha causa. - Por favor! Benjamin, me deixe se explicar. Imploro para que me ouça. - Não é o que você está pensando, eu. Ele me interrompe mais uma vez. - Eu não entendo porque você mudou de ideia de uma hora para outra, até ontem você estava empolgado falando comigo sobre as cores que pintariamos a nossa sala, como iríamos decorar cada cômodo. Ele respira fundo e soltando o ar pela boca sinto o cheiro forte do álcool invadir minhas narinas me causando ânsia. - Você não entende o que estou sentindo porque se me amasse como disse, largaria tudo para ficar comigo. - É claro que eu amo você. Digo com toda certeza. - Mas eu não posso largar tudo e deixar para trás os meus sonhos, eu quero ter os dois. - E passar parte do seu dia no meio de outros rapazes ? Conversando com eles, tomando drinks ? Ele sorrir com sarcasmo. - Você está exagerando. Rebatendo sua perguntao faço com que se sinta desconfortável com tudo que me falou, e me olhando nos olhos diz me pede por uma última vez que esqueça da ideia de querer ir para universidade. Me pede para que fuja com ele caso meus pais não desejem, que a gente fique junto. - Não faça isso comigo, por favor! Segurando minhas mãos ele me olha com os olhos avermelhados e cheio de lágrimas. - Pense no quanto você vai ser feliz comigo, em como vai ser bom trabalharmos juntos e passar o dia inteiro um ao lado do outro e quando chegar em casa, fazemos a nossa janta e depois nos deitamos no sofá para assistirmos ao nosso peogr favorito. Ele estava tenso. Te olhava fixamente e observando o jeito com que falava comigo, via claramente o quanto estava estressado com toda aquela situação. - Você sabe o quanto desejo estar ao seu lado, mas está sendo egoísta não vou tentar falar mais nem me explicar para você. Se recusando a me ouvir, Benjamin deitou e fingindo estar dormindo me ignorou completamente. Com o coração partido sair do quarto de motel, e batendo a porta com força desejei nunca ter sentido tamanho sentimento que naquele momento abominei com toda a minha alma.
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