Geovanna
Vesti minha roupa e saí do quarto. Entrei na cozinha e encontrei o Matheus sentado, ainda sem camisa, aproveitando o silêncio da casa.
— Eu acho melhor você colocar uma camisa — falei, abraçando-o por trás e sentindo o calor da sua pele.
— E por que você acha isso? — ele perguntou, sorrindo.
— Porque talvez, só talvez, suas costas estejam todas marcadas...
— E o que tem de mais nisso? — Ele virou para me encarar.
— Nada demais, mas não precisa ficar mostrando para todo mundo, né?
— Eu mostro para verem que eu tenho dona — ele me puxou para um beijo possessivo. — Veio comer alguma coisa?
— Sim. Achei que você já tinha ido trabalhar.
— Fui resolver uns assuntos e voltei. Voltei porque estava com saudade.
— Saudade? — Dei risada. — Mas faz pouco tempo que acabamos de... — cheguei perto do ouvido dele e sussurrei — ...transar.
— Amor — ele me corrigiu, sério.
— Como? — perguntei, sem entender.
— Nós não transamos. Nós fizemos amor. É diferente.
Senti meu rosto esquentar.
— Desculpa, deixa eu me corrigir então. Saudades? Mas acabamos de fazer amor... — Ele me puxou para mais perto e eu mordi seu lábio inferior.
— Não faz isso — ele resmungou, retribuindo com uma leve mordida no meu pescoço que me fez estremecer.
Sem dizer uma palavra, ele me pegou no colo e subiu as escadas. No quarto, nos entregamos novamente a esse sentimento que está ficando cada vez mais forte. Depois, Matheus preparou a banheira e entramos juntos. O clima estava calmo, apenas o som da água.
— Estava pensando em uma coisa — ele disse, quebrando o silêncio.
— No quê?
— Por que você não vem morar comigo de vez?
Meu coração parou por um segundo.
— Porque eu tenho que conversar com meus pais primeiro, Matheus.
— Se quiser, eu posso ir falar com eles.
— Eles voltam da casa da minha avó daqui a dois dias. Quando chegarem, eu converso.
— Qualquer coisa, me chama.
Ficamos ali, aproveitando o momento. Depois do banho, vesti uma camisa dele e me deitei, exausta. Matheus se arrumou e veio me dar um selinho.
— Vou trabalhar. Depois a gente se vê.
Tentei dormir, mas a porta abriu e a Luana entrou saltitante.
— Oi, primiga!
— Que merda é essa, Luana?
— "Prima" junto com "Amiga". Gostou?
— Não tinha nada melhor para inventar? — rimos.
— E aí, que dia você vem morar aqui oficialmente?
— Não sei, tenho que falar com meus pais.
— Ele realmente te ama, Geovanna.
— Tenho medo, sabia? De ele me trair ou me mandar embora depois.
— Ele nunca faria isso com quem ele ama de verdade.
Ela saiu com um sorriso vitorioso e eu finalmente adormeci.
PG (Matheus)
Cheguei na boca e encontrei o PK com uma cara péssima, pensativo.
— O que aconteceu, mano?
— Minha mãe teve um infarto... faleceu, PG.
— Sinto muito, cara. Vai lá resolver tudo. O Pernalonga fica no seu lugar até você estar bem para voltar.
Ele me deu um abraço e saiu. Chamei o Pernalonga pelo rádio e passei as instruções. Estava tentando focar no trabalho quando bateram na porta.
— Entra!
Quando a pessoa entrou, quase não acreditei. Era a Marcela. O rosto dela estava um desastre, com curativos no nariz e no queixo. Tive que segurar o riso; a visão era impagável.
— O que aconteceu com o teu rosto? — perguntei, cínico.
— Aquela v***a da sua namorada! Ela quebrou meu nariz e meu queixo! — ela gritou, com a voz anasalada por causa dos curativos.
— E o que você está fazendo aqui?
— Quero a Geovanna fora desse morro, Matheus! Olha o que ela fez comigo! Expulsa ela e nunca mais deixa ela entrar.
Ela se aproximou, tentando ser sedutora mesmo com a cara remendada.
— Que tal uma festinha de boas-vindas para mim hoje?
— Melhor não. Você está se recuperando... Quem sabe outro dia, com outro cara — respondi frio.
Ela bufou e saiu batendo a porta. Logo depois, a Luana entrou rindo.
— Primo, acabei de esbarrar com o capeta ali na entrada! — Gargalhamos juntos. — Que dia você vai me dar um sobrinho?
— Na hora certa, Luana. Na hora certa.
Trabalhei até às 20h e voltei para casa. Subi as escadas e encontrei a cena que mais me dava paz: a mulher da minha vida deitada na minha cama, dormindo feito um anjo.