14° Capítulo: Propostas e Cicatrizes

776 Palavras
​Geovanna ​Vesti minha roupa e saí do quarto. Entrei na cozinha e encontrei o Matheus sentado, ainda sem camisa, aproveitando o silêncio da casa. ​— Eu acho melhor você colocar uma camisa — falei, abraçando-o por trás e sentindo o calor da sua pele. — E por que você acha isso? — ele perguntou, sorrindo. — Porque talvez, só talvez, suas costas estejam todas marcadas... — E o que tem de mais nisso? — Ele virou para me encarar. — Nada demais, mas não precisa ficar mostrando para todo mundo, né? — Eu mostro para verem que eu tenho dona — ele me puxou para um beijo possessivo. — Veio comer alguma coisa? — Sim. Achei que você já tinha ido trabalhar. — Fui resolver uns assuntos e voltei. Voltei porque estava com saudade. ​— Saudade? — Dei risada. — Mas faz pouco tempo que acabamos de... — cheguei perto do ouvido dele e sussurrei — ...transar. — Amor — ele me corrigiu, sério. — Como? — perguntei, sem entender. — Nós não transamos. Nós fizemos amor. É diferente. ​Senti meu rosto esquentar. — Desculpa, deixa eu me corrigir então. Saudades? Mas acabamos de fazer amor... — Ele me puxou para mais perto e eu mordi seu lábio inferior. — Não faz isso — ele resmungou, retribuindo com uma leve mordida no meu pescoço que me fez estremecer. ​Sem dizer uma palavra, ele me pegou no colo e subiu as escadas. No quarto, nos entregamos novamente a esse sentimento que está ficando cada vez mais forte. Depois, Matheus preparou a banheira e entramos juntos. O clima estava calmo, apenas o som da água. ​— Estava pensando em uma coisa — ele disse, quebrando o silêncio. — No quê? — Por que você não vem morar comigo de vez? ​Meu coração parou por um segundo. — Porque eu tenho que conversar com meus pais primeiro, Matheus. — Se quiser, eu posso ir falar com eles. — Eles voltam da casa da minha avó daqui a dois dias. Quando chegarem, eu converso. — Qualquer coisa, me chama. ​Ficamos ali, aproveitando o momento. Depois do banho, vesti uma camisa dele e me deitei, exausta. Matheus se arrumou e veio me dar um selinho. — Vou trabalhar. Depois a gente se vê. ​Tentei dormir, mas a porta abriu e a Luana entrou saltitante. — Oi, primiga! — Que merda é essa, Luana? — "Prima" junto com "Amiga". Gostou? — Não tinha nada melhor para inventar? — rimos. — E aí, que dia você vem morar aqui oficialmente? — Não sei, tenho que falar com meus pais. — Ele realmente te ama, Geovanna. — Tenho medo, sabia? De ele me trair ou me mandar embora depois. — Ele nunca faria isso com quem ele ama de verdade. ​Ela saiu com um sorriso vitorioso e eu finalmente adormeci. ​PG (Matheus) ​Cheguei na boca e encontrei o PK com uma cara péssima, pensativo. — O que aconteceu, mano? — Minha mãe teve um infarto... faleceu, PG. — Sinto muito, cara. Vai lá resolver tudo. O Pernalonga fica no seu lugar até você estar bem para voltar. ​Ele me deu um abraço e saiu. Chamei o Pernalonga pelo rádio e passei as instruções. Estava tentando focar no trabalho quando bateram na porta. — Entra! ​Quando a pessoa entrou, quase não acreditei. Era a Marcela. O rosto dela estava um desastre, com curativos no nariz e no queixo. Tive que segurar o riso; a visão era impagável. — O que aconteceu com o teu rosto? — perguntei, cínico. — Aquela v***a da sua namorada! Ela quebrou meu nariz e meu queixo! — ela gritou, com a voz anasalada por causa dos curativos. — E o que você está fazendo aqui? — Quero a Geovanna fora desse morro, Matheus! Olha o que ela fez comigo! Expulsa ela e nunca mais deixa ela entrar. ​Ela se aproximou, tentando ser sedutora mesmo com a cara remendada. — Que tal uma festinha de boas-vindas para mim hoje? — Melhor não. Você está se recuperando... Quem sabe outro dia, com outro cara — respondi frio. ​Ela bufou e saiu batendo a porta. Logo depois, a Luana entrou rindo. — Primo, acabei de esbarrar com o capeta ali na entrada! — Gargalhamos juntos. — Que dia você vai me dar um sobrinho? — Na hora certa, Luana. Na hora certa. ​Trabalhei até às 20h e voltei para casa. Subi as escadas e encontrei a cena que mais me dava paz: a mulher da minha vida deitada na minha cama, dormindo feito um anjo.
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