​7° Capítulo: Mundos Colidindo

983 Palavras
​Luana ​— A Geovanna me deu o carro e falou que eu poderia fazer o que bem entendesse, então estou te devolvendo. Agora me dá licença que eu vou tomar um banho — falei para o meu primo, deixando ele lá com a cara de tacho. ​Subi para o quarto, tomei um banho rápido e vesti um pijama leve de calor. Deitei na cama e o cansaço do racha finalmente me venceu. Apaguei na hora. ​Geovanna ​Cheguei em casa e o clima pesou. Vi dois carros desconhecidos na frente, guardei minha máquina na garagem e cobri com o lençol para evitar perguntas. Quando entrei, dei de cara com o meu pai. O semblante dele era puro julgamento. ​— Onde você estava? Por que não dormiu em casa? ​— Estava na casa da Luana. Quando o senhor chegou de viagem? ​— Quem faz as perguntas aqui sou eu, mocinha — ele retrucou. ​Eu ia responder à altura, mas fui interrompida pela Poliana, minha prima. ​— Oi, prima! Que saudade! — Ela me deu um abraço e um beijo. — Vem, vamos para o seu quarto. Tenho que te contar uma coisa! ​Subimos e eu usei o banheiro para tirar o cheiro de asfalto e adrenalina. Depois de um banho delicioso, me enrolei na toalha e vesti um pijama. Me joguei na cama, exausta. ​— Eu vi o seu vídeo... Que máximo! — Poliana disse, animada. ​— Que vídeo? ​— Do racha! Você mandou muito bem — ela levantou. — Vou deixar você dormir, depois a gente conversa. ​Ela saiu e eu nem tive tempo de processar como aquele vídeo já estava circulando. Só fechei os olhos e apaguei. ​PG (Matheus) ​Jantei em silêncio e subi. No banho, a imagem da Geovanna não saía da minha cabeça. Por que essa garota está mexendo tanto comigo? Desde o dia do baile, as coisas mudaram. Eu não a via mais como uma criança, mas como uma mulher que chamava minha atenção cada vez mais. Com esses pensamentos, acabei pegando no sono. ​Geovanna Quinta-feira, 12:00 ​Levantei tarde. Fiz minha higiene e vesti uma regata branca com um short de pano mole preto e rasteirinhas. Desci para a sala de jantar e encontrei a "reunião de família": pai, mãe, tia Suzi, tio Rodrigo e Poliana. ​— Bom dia — dei um beijo na minha mãe e sentei ao lado da prima. ​— Nossa conversa de ontem ainda não acabou — meu pai soltou, sem rodeios. ​— Corrigindo: nossa conversa de hoje — respondi, e ele me fuzilou com o olhar. ​Achei melhor ficar calada enquanto o almoço era servido. ​— Filha, já escolheu seu vestido para o baile de formatura? — minha mãe perguntou. ​— Não, mãe. E se depender de mim, nem vou escolher — respondi, dando uma mordida no bife. ​— Nada disso. Sua diretora ligou. A formatura é no domingo da semana que vem. Sábado vocês vão ao shopping — meu pai decretou. ​Poliana ficou toda animada, mas eu perdi o apetite. Levantei da mesa na hora. ​— Onde vai? — meu pai encarou. ​— Perdi a fome. ​Subi, mandei mensagem para a Luana e combinei de ir para lá. Encontrei a Poliana no corredor. ​— Onde vai, prima? Ia te chamar para sair. ​— Casa de uma amiga. Quem sabe na próxima? ​Peguei um Uber e fui para o morro. Luana estava na entrada conversando com o PK. ​— Oi, gata! O que houve? — ela perguntou assim que me viu. ​— Meus pais voltaram. Trouxeram a família toda. Preciso de ar. ​— Sabe que pode ficar lá em casa o tempo que precisar — ela avisou o PK que depois terminavam a conversa e entramos. ​Ficamos na sala assistindo filmes até decidirmos ir para a piscina. Luana me emprestou um biquíni e fomos aproveitar o sol. Depois de uns mergulhos, deitei de barriga para baixo na borda da piscina e acabei cochilando. ​PG ​O clima na boca estava tenso. O carregamento tinha chegado, mas tínhamos um problema. PK trouxe um cara com as mãos amarradas e o rosto ensanguentado. ​— É ele? — perguntei, frio. ​— Por favor... — o X-9 tentou falar. ​Levei ele para a salinha de tortura. Eu já tinha avisado o que acontecia com traidor no meu morro. Peguei o alicate e comecei o serviço. Dentes, dedos... o recado tinha que ser claro. ​— Joga ele em qualquer canto longe da cidade. Levem isso de aviso para os outros — apontei para os restos no chão. ​Fui para casa tentar tirar o estresse. Na cozinha, peguei um copo d'água e olhei para a piscina. Geovanna estava lá, deitada. Fui até lá e, quando cheguei perto, a Luana saiu da água. ​— Oi, primo! — Luana me olhou de cima a baixo. Percebi que eu ainda tinha alguns respingos de sangue na roupa. — Veio fazer companhia? ​— Não vai dar. Tenho que voltar para a boca. ​— Minha amiga vai dormir aqui — ela avisou. ​Apenas assenti. Subi, troquei de camisa e voltei para o meu posto. Na minha sala, encontrei a Marcela sentada na minha cadeira. ​— O que está fazendo aqui? ​— Vim te ver, meu amor. ​— Já disse para não me chamar assim. ​Ela começou com as cobranças de sempre, reclamando que eu nunca queria t*****r. ​— Já sei... você tem outra, não tem? — ela gritou, saindo com raiva. ​Eu nem respondi. O PK entrou logo em seguida para falar do próximo carregamento, e eu tentei focar no trabalho, mas aquela cena da Geovanna na piscina não saía da minha mente.
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