Desconhecido

2330 Palavras
Em meio a tantos quadros e tintas espalhadas, sorri me sentando um pouco, para descansar e analisar meus trabalhos finalizados. — Acho que estamos indo bem. — falei com meu bebê, alisando a barriga. Estranhamente este era um hábito no qual eu me acostumei. Todos os dias, conversava um pouco com meu pequeno, enquanto alisava minha barriguinha que estava bem redondinha agora. Li na internet que isso é bom para o desenvolvimento do bebê, tipo a linguagem, e que conversar sobre o meu dia-a-dia e coisas que faço também é bom, porque de alguma forma, fortalece o elo entre o papai e o bebê. Ajeitei-me em meu sofá, no canto do ateliê, e ergui minhas pernas, as colocando sobre o sofá. — Está tudo bem aí dentro? — ergui minha camisa, tendo a visão da bolinha branca com alguns pelinhos que estava minha barriga. Acariciei calmamente, fechando os olhos e respirando calmamente, apreciando a paz do silêncio. — Você gosta do nome Jiwan? — alisei mais uma vez. — Você gosta de Park Jiwan? Senti algo dentro de minha barriga, como se uma borboleta estivesse batendo asas de leve, ali dentro. Abri meus olhos, e meu coração automaticamente bateu forte. — O que foi isso? — Alisei mais uma vez, um tanto assustado. — Você mexeu? Senti novamente o movimento leve dentro de mim e sorri grande. — VOCÊ MEXEU! EU SENTI. Outra vez a sensação veio, e sozinho naquele ateliê, coloquei a mão sobre minha barriga e chorei de felicidade sentindo meu pequeno se remexer dentro de mim. — Você pode fazer isso de novo? Esperei sentir a sensação novamente, mas tudo ficou bem quieto. — Por favor...? Esperei e nada. Bufei, e enxuguei as lágrimas fujonas, e alisei novamente a barriga. — Se eu cantar uma musiquinha você mexe para o papai? Nenhum movimento. Então me ajeitei melhor no sofá, ainda com a barriga descoberta. — Ouvi uma vez a música que a deusa Beyoncé fez com a filhinha dela... Quer ouvir? Limpei minha garganta e com minha mão ali, e comecei a cantar baixinho. — Sometimes, these walls seem to cave in on me... But when I look in your eyes, I feel alive. Some days, we say words that don't mean a thing... But when you're holding me tight, I feel alive. Sorri comigo mesmo, cantando fora do ritmo, enquanto fechava os olhos e alisava a pequena bolinha. — Come on, baby, won't you hold on to me, hold on to me... De olhos fechados senti a mesma sensação novamente e sorri em meio a outras lágrimas que teimavam em escorrer. Era o meu momento. Meu momento único e mágico, com meu bebê. Cantei mais um pouco, e até repeti o refrão, mas o bebê pareceu se aquietar, então preferi o deixar quietinho, porque quem sabe o que ele estava fazendo aqui dentro, não é? Vai que esteja dormindo... Prefiro o deixar quietinho, dentro do forninho. Abaixei a camisa, e busquei meu celular, indo na conversa com Seokjin, para mandá-lo uma mensagem. Me: Você não vai acreditar no que acabou de acontecer! Adivinha Jin: Sei lá... Vendeu um quadro bem caro e ficou milionário? Me: Puxa, queria... Mas não. Eu senti o bebê mexer! Jin: NÃO BRINCA! SÉRIO? Me: Sim e eu chorei e tudo. Jin: que fofo, isso pede uma comemoração, Chimie. Me: Eu estou de repouso, esqueceu? Jin: Pode comer nesse repouso? Me: Sim, ando comendo muito, aliás. Jin: Chego com mais comida em quarenta minutos. Sorri para o celular fechando a conversa com Jin e dedilhando as outras mensagens que havia ali, à procura de algo interessante. — Desconhecido? — franzi o cenho, ao ver que havia quatro mensagens de um número totalmente desconhecido ali. Desconhecido: Olá? Era uma mensagem de duas semanas atrás. Desconhecido: Park? Esta era da semana anterior. Desconhecido: Acho que não salvou meu número né? Hehe De dois dias atrás Desconhecido: Ou apenas me ignorou... Esta havia sido de hoje cedo. Olhei todas as mensagens sem entender nadinha. Me: Olá, desculpa não ter respondido antes, é que vi apenas agora as mensagens, e desculpa se eu estiver sendo grosso, mas quem é? Enviei a mensagem, que não demorou um minuto para ser respondida. Desconhecido: Você não salvou mesmo o meu número né? Desconhecido: Que coisa feia Park... Me: Seu nome? Desconhecido: Não acredito que você realmente não sabe... Oppa do m*l. Olhei a mensagem tentando entender o que era aquilo, até uma luz acender em minha mente, e a imagem de um adolescente encapuzado aparecer. Me: Jeon? Desconhecido: Até que fim. Você não salvou mesmo meu número? Me: Desculpa, é que estava muito atarefado. Jeon: Tudo bem, eu desculpo. Mas enfim, será que podemos marcar nosso jantar? Me: Você quer mesmo isso não é? Está insistindo demais por quê? Jeon: Calma, Park, eu apenas quero um jantar amigável... Eu já disse, gostei de você. Me: Cara você entende que eu estou grávido? Tipo... Tem um bebê dentro de mim. Jeon: Eu entendo, e é quase impossível não notar. Aliás, sua barriga cresceu, está linda. Sorri olhando a mensagem. Me: Você é meio doidinho né? Jeon: As melhores pessoas são, mas então, o que você acha de jantar comigo no palace? Me: O restaurante chique? Jeon: esse mesmo. Topa sexta à noite? Me: Não sei... Não gosto de lugares muito cheios de frescuras. Jeon: Ok... Então o que acha de um restaurante aqui no centro mesmo? Conheço um ótimo, e é pertinho da sua casa, não precisará fazer esforço, e não terá riscos para você e o bebê. Me: Tão atencioso... Jeon: Obrigado. Me: Estava sendo irônico. Jeon: Eu também :) Sorri novamente, moleque atrevido... Me: Tudo bem, mas eu pago a conta. Jeon: Jimin, eu convidei, eu pago. Me: nada disso, sou uma pessoa independente, então eu pago. Jeon: eu também sou uma pessoa independente, oras. O que acha de dividir? Me: Ótimo, então sexta à noite, ok? Jeon: Sexta à noite te busco às oito. Até mais Park. Ouvi a campainha tocar alto, e só então percebi que ainda estava deitado sobre o sofá do ateliê. Bloqueei o celular, e fui até a porta. — O restaurante estava vazio, então os pedidos saíram rápidos. Jin diz entrando em meu apartamento, colocando as sacolas sobre a mesa, e indo até a cozinha. — Oi, Jinie, estou com saudade também. Sorri, indo até as sacolas, espiar o que ele comprou. — Nem vem. — colocou dois pratos e talheres sobre a mesa. — Eu estou morrendo de fome. Sorri, e ele enfim me abraça. — Mas eu também estava com saudade. Como vai esse bebezinho em? Mexeu muito? Estou tão feliz. — Está bem, e não foi um mexido grande, foram só umas cosquinhas de leve. — Espera a hora dos chutes fortes vim. — ele disse alisando minha barriga, e em seguida puxou a cadeira para que me sentasse. — Você fala como se já estivesse sentido. — Quem me dera... Mas Namjoon quer esperar até o casamento, então paciência. Ele suspira abrindo a sacola, e eu sorrio de seu rostinho triste. — Na hora certa virá Jin, você e Namjoon serão dois maravilhosos. — É, mas até lá, tenho meu pequeno ou pequena Jiwan pra mimar. Agora senta, vamos comemorar comendo muito! Sorri assentindo e me sentei servindo o meu prato. Jin havia comprado arroz, kimchi, carne com legumes e muita salada. Fora uma sopa quentinha e com um cheiro maravilhoso. — Você precisa comer direitinho, então trate de comer tudo. — Ok. Coloquei uma porção generosa na boca, sentindo o sabor gostoso. — Hm — falei ao lembrar subitamente de minhas últimas mensagens. — advinha o que aconteceu. — De novo? Eu não sou bom com isso, Chimie. — Jin tinha as bochechas entupidas de comida. — Jungkook... Ele me mandou uma mensagem, e me chamou para um jantar no palace, acredita? — Hm, aquele restaurante chique pra c****e? Assenti, engolindo mais uma porção de comida. — Mas eu recusei óbvio, então iremos jantar em um restaurante aqui perto mesmo, sexta à noite. Jin me olhou com seu olhar que dizia mil e uma palavras em um só segundo. — O quê? — o questiono sem entender seu olhar. — irão jantar é? Hm... Você sabe o que ele está fazendo, né? — Seokjin, eu já te disse... Eu estou grávido. Minha barriga está crescendo e em pouco tempo estarei igual a uma melancia. — Mas eu já disse que será uma melancia linda. — jin ri comendo mais um pouco de sua comida. — se ele estiver mesmo afim de você, você o dará uma chance? — Sejamos claro, Jin, eu tenho vinte e seis anos, e terei um bebê em breve. O que um garoto de vinte anos iria querer comigo? Sexo? Porque ele mesmo sabe que minha gravidez é de risco e para isso teria que esperar o bebê nascer, então sem chance disso ter cabimento. — Aish, você é um cabeça dura mesmo né? — Estou sendo apenas claro. Eu e Jeon não temos a mínima chance de ficarmos juntos. — Eu já te disse, Chimie, ele me parece gostar de você, mas é você que sabe. Só cuidado para não fazê-lo acreditar que terá algo mesmo você sabendo que não terá. — Eu sei jin. Iremos apenas jantar. Nada a mais. Jin me olhou, mas logo continuou comendo. Assim que terminamos o almoço, fomos até meu ateliê, onde lhe mostrei meus quadros já finalizados. Depois entramos numa busca incansável à procura de alguns móveis para o quarto do bebê na internet. Com minha mania de sempre, pesquisei na internet e até vi alguns vídeos no youtube. Jin estava ao meu lado, e assistiu tudo junto a mim. Os vídeos eram de algumas pessoas falando, mostrando e até recomendando algumas marcas. — Eu acho que irei reconsiderar a ideia de ter um filho, olha o preço disso! Jin exclama ao entrarmos em um site, onde vendia alguns berços. — Porque você ainda não viu o valor das fraldas. — sorri, clicando em um quartinho estilo rústico, mas bem moderno. — Eu acho que esse tipo de coisa, o melhor é você comprar pessoalmente né? — Acho que tem razão. Tenho que separar um dia para comprar tudo. — Você quer comprar antes de saber o sexo? — jin pergunta alheio, indo olhar as roupinhas que comprei no dia em que Jeon me ajudou. — iti que coisinha mais fofa. — disse segurando um body branco com uma girafa e um elefante bebê na frente. — Você sabe que eu não ligo para isso, então o que eu gostar, irei comprar. — Sei bem, está aí o nome do bebê para provar isso. — diz rindo, com uma calça minúscula nas mãos. — Acho que vale a pena gastar uma fortuna em um berço que se perderá em dois anos, porque olha isso! — estica um casaquinho, que comprei, para quando o bebê já estiver maiorzinho. — Assim que vi, me apaixonei. — sorri. — eu estou tão feliz, jin. Só espero que esse sentimento dure muito. — falei fechando o notebook à minha frente. Jin guardou o casaco, e me olhou um tanto preocupado. — Por que diz isso? — Eu tenho medo de algo acontecer com o bebê... Sabe, a dor que eu senti no dia que Jeon me ajudou, foi tão grande, mas eu só sentia o medo de perder meu bebê. — Vocês estão bem agora, é isso que importa. Aliás, quando será sua próxima consulta? Irei com você. — Marquei para a próxima semana. Faço dezenove semanas esta sexta, e na próxima quando completar vinte, farei o ultrassom morfológico. — Morfológico? O que é isso? — É para ver o bebê com mais detalhes, sabe, eu não sei direito, mas analisa o corpinho dele para saber se está tudo correto. — Ah, mas agora é que eu vou mesmo. Sorri, segurando sua mão. — Fico feliz em ter um amigo como você para me acompanhar. — Eu também estou feliz que esteja acompanhando essa sua fase tão de pertinho. Quero que você e esse serzinho aqui — ele aponta para minha barriga. — fiquem bem, e farei o possível, para que dê tudo certo. O abracei já sentindo meus olhos arderem, com lágrimas. — odeio esses hormônios da gravidez. — sorri o olhando e limpando meus olhos. — O meu deus — me deu um beijo na testa. — Eu te amo muito, sabia? Amo vocês dois. Alisou minha barriga — Oh! — exclamei alto, sentindo a sensação leve novamente, que era de meu bebê mexendo. — Ele mexeu outra vez! Jin faltou morrer de amor, dando um gritinho e começando a chorar, pondo a mão, tentando o sentir também. — Acho que é cedo pra você sentir. — disse, pondo a minha mão por cima da dele. — Para de chorar, se não eu vou chorar de novo. Ele riu, e enxugou as lágrimas com o dorso da mão. — Que merda — murmurou olhando para o relógio. — eu tenho que ir agora, mas prometo voltar logo, tá? Ele ficou de pé, recolhendo as sacolas que trouxe com comida, jogando-as para jogar fora, e colocou os pratos sujos na lavadora. — Eu te amo, ok? Assenti e o abracei mais uma vez, matando mais um pouco a saudade que sentia de meu amigo. — Eu também te amo, Jin. Ele sorriu, e abriu a porta, mas antes de ir, me deu um beijinho na testa. — se cuida, e vê se dá uma chance ao Jungkook! Ele é um garoto do bem. Neguei com a cabeça rindo e acenei em despedida. Fechei a porta e voltei para a sala, me deitando em meu grande sofá, e suspirando alto, fechei meus olhos. A sensação de um alívio enorme no peito, se expandindo, em saber que não estava mais sozinho nessa. Eu tinha amigos comigo. Continua...
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