Pensamentos [Parte dois]

2077 Palavras
— Você precisa pôr um pouco mais de sal, Jungookie. — Tem certeza, noona? Eu já pus sal três vezes. — Coloca só um pouco mais ou pode ficar sem gosto. — Se ficar salgado será culpa da senhora, entendeu? Eu ria da sala, vendo Jungkook preparando o almoço e mamãe se metendo no meio. — Por que Jungkook está cozinhando? — Jin perguntou enquanto balançava o bebê nos braços. — Jungkook disse que faria o almoço hoje e que seria especial, mas mamãe disse que iria o ajudar, mas acho que ele só aceitou a ajuda para ser educado, ele não parece muito contente. — JIMIN-AH! — Jungkook gritou da cozinha rindo, me fazendo o olhar. — Pede para noona sair, por favor? Eu ri e olhei para mamãe. — Mãe, deixa ele. — Você tem certeza? Porque você não estava fazendo certo... — ela disse ao lado, olhando-o debaixo. — Estava certo sim, sogra. — Ele afirmou, mas mamãe negou, continuando ao lado e opinando sobre como ele estava mexendo a panela. — JIMIN-AH! Gargalhei no sofá junto à jin, e neguei. — Eles vão se matar. — jin avisou, rindo. — Eles se entendem, essa não é a primeira vez. — falei prestando atenção no rosto feliz do meu melhor amigo. — Você está mais bonito... Está sorrindo mais, aconteceu alguma coisa? Ele concordou rindo, se aproximando e sentando ao meu lado. — Eu posso te contar um segredo? Mas tem que me prometer que não vai contar para ninguém, nem para o Kook, muito menos ao Namjoon. — O que você aprontou Seokjin? — Nada. Ainda é muito cedo, mas eu acho que posso ter conseguido, Chimie! — Conseguido o quê? — O bebê... Eu acho que posso estar grávido! — Jinie! — berrei e olhei rápido para trás verificando se os outros dois haviam se atentado a nós. — como assim? — desta vez falei mais baixo. — Eu e o Joonie estamos tentando há algum tempo... você sabe, não é? — Sei, claro que sei. — respondi controlando a euforia. — Mas como assim você ainda acha que está grávido? Não fez um teste? Um exame? — Eu estou sentindo enjoos durante toda a semana, e ontem senti uma tontura enorme quando estava voltando para Seul... Ainda não fiz o exame porque não tive tempo, mas fiz três testes e dois deram positivos, acho que, realmente, pode ter dado certo! — Jinie, isso é tão incrível! — o abracei forte, tomando cuidado com jiwan entre nós dois. — Então eu vou ter um afilhado? — Se tudo der certo, sim! — ele garantiu sorrindo todo bobo. — Estou tão feliz por você, meu amor. — Obrigado. Eu só não sei como contar ao Namjoon ainda... — O pouco que conheço o namjoon, ele vai surtar. — sorri e recebi um sorriso bonito de volta, em afirmação. — Desisto! — ouvi a voz de Jungkook e olhei-o junto a Seokjin. Ele entregou a colher e o pano que estava em seu ombro a mamãe e saiu com um bico enorme, indo em direção a sua "salinha" onde ele costumava se trancar para desenhar. — Mãe... — reclamei com ela. — Ele queria fazer isso sozinho, poxa. Custava deixar? Ela parecia envergonhada, mas eu sabia que talvez só estivesse tentando realmente ajudar. — Eu vou chamá-lo de volta, não fiz por m*l. — Ela falou caminhando, mas neguei. — Não, continue. Eu o conheço bem e sei o quão orgulhoso ele é para voltar agora, mas da próxima vez, deixe-o fazer sozinho, mesmo que fique salgado ou doce demais. Mamãe sorriu e me ergui para ir até à salinha de Jungkook, mas Jinie me segurou pelo pulso, impedindo minha ida. — Kook disse que você é proibido de entrar lá, sabe disso. — Até você, Seokjin? Ele me diz isso há dias, toda vez que tento espiar o que ele faz lá... — Você é muito curioso, chim. Neguei e vi meu bebê choramingar nos braços dele. — Você já quer mamar? — ele olhou para o bebê e sorriu. — Seu elefantinho lindo. Busquei o bebê e o ajeitei nos braços para dá-lo de mamar, fazendo jin ir até a cozinha buscar um copo com água, para saciar minha mania. — Sou seu melhor amigo, não seu empregado. — Ele disse e me entregou o copo. — Eu tenho essa vontade toda vez que vou dar de mamar... Na sua vez, eu vou fingir que estou surdo, daí você vai ver só. Ele revirou os olhos e sentou de lado, sorrindo e observando o bebê mamar. — Eu acho tão bonitinho. — ele disse olhando para o bebê sugar com toda a força, seu alimento, enquanto as mãozinhas se apertavam ao redor. — Eu espero poder dar de mamar também quando for minha vez... E você vai buscar água para mim. — até parece. — sorri. — E se você estiver mesmo, você vai contar abertamente, ou vai esperar aqueles paparazzi loucos, descobrirem sozinhos? Ele gargalhou ao lado e negou. — Já pensou uma foto minha de qualquer jeito, com um barrigão? Deus me livre! — Lembra a manchete que fizeram comigo e com jungkook? Especulando um monte de besteiras, até que o Kihyun, disse que eles eram amigos, e que independente do meu relacionamento novo, nada havia mudado? Eu achei ridículo eles caírem em cima assim... Mas é o preço da "fama" né? — É um saco. — jin bufou. — Eu ainda teria processado se fosse você, mas entendo que sua gravidez era de risco, e você e esse pedacinho de gente, corriam perigos se tivessem muito estresse. — É... Mas jungkook ficou possesso. Eu nunca havia visto-o com tanta raiva quanto daquele dia. Jin sorriu e negou. — Ele queria processar o fotógrafo responsável, lembra? Sorri e assenti. Continuamos conversando e até mesmo nos deliciando no cheiro bom que vinha da cozinha, mas vi Jungkook abrir a porta da sua "salinha", me olhando de lá. — Pode vir aqui, por favor? — ele falou calmo e assenti, deixando o bebê resmungão com Seokjin. — Me desculpe pela mamãe... — logo falei. — era seu almoço especial, sinto muito. — Tudo bem, ela só estava ajudando mesmo... — ele sorriu e deixou um carinho sobre meu rosto. — Eu quero que veja uma coisa. — Na sua salinha? — o perguntei surpreso e ele assentiu. — Tem certeza? Jungkook de fato estava me proibindo de entrar ali há muito tempo. — Tenho. — Absoluta? Jungkook, você me expulsa daí a dias. — Era porque a surpresa não estava pronta, amor. Mas agora pode entrar quando quiser... Vem! Assenti e entrei, vendo a mesa cheia de desenhos, canetas e lápis, espalhados. Alguns pedaços de carvão também estavam no canto, e algumas telas de desenhos no canto do lugar estavam empilhadas, da mesma forma que minhas pinturas ficavam para não danificar. — Esse lugar é incrível. — olhei ao redor e vi algumas folhas soltas sob a mesa, com alguns desenhos aleatórios, perfeitos em todos os traços. — São lindos. — Eu tenho uma coisa para você. Virei-me e o vi puxar uma tela enorme, quase maior que seu corpo. — Lembra-se da foto que tirei no dia em que Jiwan nasceu? — Das nossas mãos juntas? — Sim. — ele sorriu. — Eu amei demais aquela foto, então te fiz algo. Ele virou a tela e mostrou o desenho que havia feito das três mãos empilhadas ali. A de Jungkook era a base, a minha estava no meio, e a minúscula mão de jiwan ficava por último. — Minha nossa! — Me surpreendi, vendo os traços perfeitos. — Eu queria fazer um desenho seu, mas achei que esse expressaria melhor o que sinto por vocês, e tentei pôr todo o meu sentimento nele. — Está perfeito! — Fui até ele e o beijei eufórico, abraçando-o forte e vendo a tela de perto. — Ela é realmente linda. — Você pode pôr onde quiser, até no seu ateliê. — Não, eu quero pôr na sala! Quero que todos vejam essa obra de arte. — Você gostou? — Os olhos exalavam expectativas. — Está de brincadeira? Eu amei Kookie... — o abracei ainda mais forte, encarando-o debaixo. — quer pôr agora? — o perguntei e o vi assentir. Caminhei para o lado de fora sorrindo e jungkook veio logo atrás, trazendo a tela enorme consigo. — O que é isso? — Seokjin perguntou e mamãe se aproximou curiosa. — Kookie quem fez para mim! Jungkook apoiou a tela perto do sofá, fazendo a mamãe soltar um ofego surpreso. — É muito linda. — ela disse sem sequer piscar. — são vocês? — Sim. — respondi ainda animado. — Você fez um ótimo trabalho, Kookie, parabéns. — Obrigado... — ele disse baixinho com as bochechas vermelhas de vergonha. — Onde quer pôr, Jiminie? — Onde acham melhor? — perguntei encarando os três ali. — Que tal sobre a lareira? Não tem nada ali, é um espaço vago. — Jinie deu a ideia, e logo olhamos para o local. — Pode ser, eu já protegi toda a tela para que nada danifique o desenho, então pode pôr ali, se quiser. — Ótimo! — bati palmas e fui até o local, esperando jungkook, trazer. — É um pouco pesada. Seokjin-Hyung, você pode me ajudar? — Cla- — Não! — o interrompi e o encarei. — Jin não pode pegar peso agora. — Porque não? — Jungkook perguntou confuso. — É que... — Eu não podia simplesmente contar o motivo. — ele machucou o pé. — Inventei a pior mentira do momento e Jungkook logo olhou para os pés de Jin. — Mesmo? — ele perguntou preocupado. — É... Eu machuquei quando... Hm... estava entrando. — Jin balançou devagar o pé, entrando no meu teatro e me segurei para não rir e estragar tudo. — Aí... Ainda dói um pouco. — Oh, sinto muito, Hyung. Tem uma bolsa de gelo na geladeira, é bom pôr sobre o machucado depois. — Obrigado, vou fazer isso. — jin sorriu, e Jungkook observou o local acima da lareira, para pôr a tela. — Jungkook é um anjo. — Jinie sussurrou para mim. — É eu sei. — sussurrei de volta. — Agora vai pôr gelo, se não ele vai desconfiar. Jin assentiu e deixou o bebê no carrinho, indo até a geladeira buscar a bolsa de gelo. — Acho que vou precisar da escada... Vou lá buscar. — Jungkook avisou. Jungkook foi até a parte de trás da casa, dando tempo para que mamãe se aproximasse de mim. — Ele ficou chateado comigo? — ela perguntou baixo. — Não, ele sabe que você só queria ajudar. — a abracei e olhei novamente para a tela. — Ele tem muito talento, não é? — Tem... Ele está a dias fazendo isso. Só saía daquela salinha para te ajudar com Jiwan. Sorri ainda mais e o vi entrar na casa, se atrapalhando todo com a escada nas mãos. — Ele é um anjo. Está fazendo o melhor que pode para ficarmos bem. — sussurrei para ela. — Vocês são lindos juntos. Jungkook apoiou a escada na frente da lareira e retirou um prego do bolso e buscou o martelo. — Jiminie, olha o bebê, ele pode se assustar. — ele avisou. Fui até o carrinho, mas Jiwan estava dormindo tão profundamente que as batidas do martelo nem sequer lhe faziam resmungar. — Ficou bom? — perguntou de cima, nos olhando logo após deixar a tela na parede. — Ficou ótima, amor. — Garanti. Ele desceu da escada, e parou à minha frente, olhando para a tela. — Ficou lindona, não é? — ele parecia orgulhoso com o próprio feito. — Ficou perfeita. — o abracei pela lateral, e fui abraçado de volta. — podemos ir mudando, com o passar do tempo, quando nossa família for crescendo... — Você é fofo. — o beijei na bochecha, e ele sorriu. — Vamos almoçar? Jungkook assentiu. Caminhei até meu melhor amigo que tinha uma bolsa de gelo sobre o pé e ri. — Está melhor Jin? — Perguntei o vendo cerrar os olhos em minha direção. — Ainda dói muito? — Você me paga seu safado... — ele sussurrou. Sorri e neguei, caminhando até a mesa, onde mamãe e Jungkook já organizavam tudo, sendo seguido por jin, para enfim, almoçarmos todos juntos. Continua...
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