— Você precisa pôr um pouco mais de sal, Jungookie.
— Tem certeza, noona? Eu já pus sal três vezes.
— Coloca só um pouco mais ou pode ficar sem gosto.
— Se ficar salgado será culpa da senhora, entendeu?
Eu ria da sala, vendo Jungkook preparando o almoço e mamãe se metendo no meio.
— Por que Jungkook está cozinhando? — Jin perguntou enquanto balançava o bebê nos braços.
— Jungkook disse que faria o almoço hoje e que seria especial, mas mamãe disse que iria o ajudar, mas acho que ele só aceitou a ajuda para ser educado, ele não parece muito contente.
— JIMIN-AH! — Jungkook gritou da cozinha rindo, me fazendo o olhar. — Pede para noona sair, por favor?
Eu ri e olhei para mamãe. — Mãe, deixa ele.
— Você tem certeza? Porque você não estava fazendo certo... — ela disse ao lado, olhando-o debaixo.
— Estava certo sim, sogra. — Ele afirmou, mas mamãe negou, continuando ao lado e opinando sobre como ele estava mexendo a panela. — JIMIN-AH!
Gargalhei no sofá junto à jin, e neguei.
— Eles vão se matar. — jin avisou, rindo.
— Eles se entendem, essa não é a primeira vez. — falei prestando atenção no rosto feliz do meu melhor amigo. — Você está mais bonito... Está sorrindo mais, aconteceu alguma coisa?
Ele concordou rindo, se aproximando e sentando ao meu lado.
— Eu posso te contar um segredo? Mas tem que me prometer que não vai contar para ninguém, nem para o Kook, muito menos ao Namjoon.
— O que você aprontou Seokjin?
— Nada. Ainda é muito cedo, mas eu acho que posso ter conseguido, Chimie!
— Conseguido o quê?
— O bebê... Eu acho que posso estar grávido!
— Jinie! — berrei e olhei rápido para trás verificando se os outros dois haviam se atentado a nós. — como assim? — desta vez falei mais baixo.
— Eu e o Joonie estamos tentando há algum tempo... você sabe, não é?
— Sei, claro que sei. — respondi controlando a euforia. — Mas como assim você ainda acha que está grávido? Não fez um teste? Um exame?
— Eu estou sentindo enjoos durante toda a semana, e ontem senti uma tontura enorme quando estava voltando para Seul... Ainda não fiz o exame porque não tive tempo, mas fiz três testes e dois deram positivos, acho que, realmente, pode ter dado certo!
— Jinie, isso é tão incrível! — o abracei forte, tomando cuidado com jiwan entre nós dois. — Então eu vou ter um afilhado?
— Se tudo der certo, sim! — ele garantiu sorrindo todo bobo.
— Estou tão feliz por você, meu amor.
— Obrigado. Eu só não sei como contar ao Namjoon ainda...
— O pouco que conheço o namjoon, ele vai surtar. — sorri e recebi um sorriso bonito de volta, em afirmação.
— Desisto! — ouvi a voz de Jungkook e olhei-o junto a Seokjin.
Ele entregou a colher e o pano que estava em seu ombro a mamãe e saiu com um bico enorme, indo em direção a sua "salinha" onde ele costumava se trancar para desenhar.
— Mãe... — reclamei com ela. — Ele queria fazer isso sozinho, poxa. Custava deixar?
Ela parecia envergonhada, mas eu sabia que talvez só estivesse tentando realmente ajudar.
— Eu vou chamá-lo de volta, não fiz por m*l. — Ela falou caminhando, mas neguei.
— Não, continue. Eu o conheço bem e sei o quão orgulhoso ele é para voltar agora, mas da próxima vez, deixe-o fazer sozinho, mesmo que fique salgado ou doce demais.
Mamãe sorriu e me ergui para ir até à salinha de Jungkook, mas Jinie me segurou pelo pulso, impedindo minha ida.
— Kook disse que você é proibido de entrar lá, sabe disso.
— Até você, Seokjin? Ele me diz isso há dias, toda vez que tento espiar o que ele faz lá...
— Você é muito curioso, chim.
Neguei e vi meu bebê choramingar nos braços dele.
— Você já quer mamar? — ele olhou para o bebê e sorriu. — Seu elefantinho lindo.
Busquei o bebê e o ajeitei nos braços para dá-lo de mamar, fazendo jin ir até a cozinha buscar um copo com água, para saciar minha mania.
— Sou seu melhor amigo, não seu empregado. — Ele disse e me entregou o copo.
— Eu tenho essa vontade toda vez que vou dar de mamar... Na sua vez, eu vou fingir que estou surdo, daí você vai ver só.
Ele revirou os olhos e sentou de lado, sorrindo e observando o bebê mamar.
— Eu acho tão bonitinho. — ele disse olhando para o bebê sugar com toda a força, seu alimento, enquanto as mãozinhas se apertavam ao redor. — Eu espero poder dar de mamar também quando for minha vez... E você vai buscar água para mim.
— até parece. — sorri. — E se você estiver mesmo, você vai contar abertamente, ou vai esperar aqueles paparazzi loucos, descobrirem sozinhos?
Ele gargalhou ao lado e negou.
— Já pensou uma foto minha de qualquer jeito, com um barrigão? Deus me livre!
— Lembra a manchete que fizeram comigo e com jungkook? Especulando um monte de besteiras, até que o Kihyun, disse que eles eram amigos, e que independente do meu relacionamento novo, nada havia mudado? Eu achei ridículo eles caírem em cima assim... Mas é o preço da "fama" né?
— É um saco. — jin bufou. — Eu ainda teria processado se fosse você, mas entendo que sua gravidez era de risco, e você e esse pedacinho de gente, corriam perigos se tivessem muito estresse.
— É... Mas jungkook ficou possesso. Eu nunca havia visto-o com tanta raiva quanto daquele dia.
Jin sorriu e negou. — Ele queria processar o fotógrafo responsável, lembra?
Sorri e assenti. Continuamos conversando e até mesmo nos deliciando no cheiro bom que vinha da cozinha, mas vi Jungkook abrir a porta da sua "salinha", me olhando de lá.
— Pode vir aqui, por favor? — ele falou calmo e assenti, deixando o bebê resmungão com Seokjin.
— Me desculpe pela mamãe... — logo falei. — era seu almoço especial, sinto muito.
— Tudo bem, ela só estava ajudando mesmo... — ele sorriu e deixou um carinho sobre meu rosto. — Eu quero que veja uma coisa.
— Na sua salinha? — o perguntei surpreso e ele assentiu. — Tem certeza?
Jungkook de fato estava me proibindo de entrar ali há muito tempo.
— Tenho.
— Absoluta? Jungkook, você me expulsa daí a dias.
— Era porque a surpresa não estava pronta, amor. Mas agora pode entrar quando quiser... Vem!
Assenti e entrei, vendo a mesa cheia de desenhos, canetas e lápis, espalhados.
Alguns pedaços de carvão também estavam no canto, e algumas telas de desenhos no canto do lugar estavam empilhadas, da mesma forma que minhas pinturas ficavam para não danificar.
— Esse lugar é incrível. — olhei ao redor e vi algumas folhas soltas sob a mesa, com alguns desenhos aleatórios, perfeitos em todos os traços. — São lindos.
— Eu tenho uma coisa para você.
Virei-me e o vi puxar uma tela enorme, quase maior que seu corpo.
— Lembra-se da foto que tirei no dia em que Jiwan nasceu?
— Das nossas mãos juntas?
— Sim. — ele sorriu. — Eu amei demais aquela foto, então te fiz algo.
Ele virou a tela e mostrou o desenho que havia feito das três mãos empilhadas ali. A de Jungkook era a base, a minha estava no meio, e a minúscula mão de jiwan ficava por último.
— Minha nossa! — Me surpreendi, vendo os traços perfeitos.
— Eu queria fazer um desenho seu, mas achei que esse expressaria melhor o que sinto por vocês, e tentei pôr todo o meu sentimento nele.
— Está perfeito! — Fui até ele e o beijei eufórico, abraçando-o forte e vendo a tela de perto. — Ela é realmente linda.
— Você pode pôr onde quiser, até no seu ateliê.
— Não, eu quero pôr na sala! Quero que todos vejam essa obra de arte.
— Você gostou? — Os olhos exalavam expectativas.
— Está de brincadeira? Eu amei Kookie... — o abracei ainda mais forte, encarando-o debaixo. — quer pôr agora? — o perguntei e o vi assentir.
Caminhei para o lado de fora sorrindo e jungkook veio logo atrás, trazendo a tela enorme consigo.
— O que é isso? — Seokjin perguntou e mamãe se aproximou curiosa.
— Kookie quem fez para mim!
Jungkook apoiou a tela perto do sofá, fazendo a mamãe soltar um ofego surpreso.
— É muito linda. — ela disse sem sequer piscar. — são vocês?
— Sim. — respondi ainda animado.
— Você fez um ótimo trabalho, Kookie, parabéns.
— Obrigado... — ele disse baixinho com as bochechas vermelhas de vergonha. — Onde quer pôr, Jiminie?
— Onde acham melhor? — perguntei encarando os três ali.
— Que tal sobre a lareira? Não tem nada ali, é um espaço vago. — Jinie deu a ideia, e logo olhamos para o local.
— Pode ser, eu já protegi toda a tela para que nada danifique o desenho, então pode pôr ali, se quiser.
— Ótimo! — bati palmas e fui até o local, esperando jungkook, trazer.
— É um pouco pesada. Seokjin-Hyung, você pode me ajudar?
— Cla-
— Não! — o interrompi e o encarei. — Jin não pode pegar peso agora.
— Porque não? — Jungkook perguntou confuso.
— É que... — Eu não podia simplesmente contar o motivo. — ele machucou o pé. — Inventei a pior mentira do momento e Jungkook logo olhou para os pés de Jin.
— Mesmo? — ele perguntou preocupado.
— É... Eu machuquei quando... Hm... estava entrando. — Jin balançou devagar o pé, entrando no meu teatro e me segurei para não rir e estragar tudo. — Aí... Ainda dói um pouco.
— Oh, sinto muito, Hyung. Tem uma bolsa de gelo na geladeira, é bom pôr sobre o machucado depois.
— Obrigado, vou fazer isso. — jin sorriu, e Jungkook observou o local acima da lareira, para pôr a tela. — Jungkook é um anjo. — Jinie sussurrou para mim.
— É eu sei. — sussurrei de volta. — Agora vai pôr gelo, se não ele vai desconfiar.
Jin assentiu e deixou o bebê no carrinho, indo até a geladeira buscar a bolsa de gelo.
— Acho que vou precisar da escada... Vou lá buscar. — Jungkook avisou.
Jungkook foi até a parte de trás da casa, dando tempo para que mamãe se aproximasse de mim.
— Ele ficou chateado comigo? — ela perguntou baixo.
— Não, ele sabe que você só queria ajudar. — a abracei e olhei novamente para a tela. — Ele tem muito talento, não é?
— Tem... Ele está a dias fazendo isso. Só saía daquela salinha para te ajudar com Jiwan.
Sorri ainda mais e o vi entrar na casa, se atrapalhando todo com a escada nas mãos.
— Ele é um anjo. Está fazendo o melhor que pode para ficarmos bem. — sussurrei para ela.
— Vocês são lindos juntos.
Jungkook apoiou a escada na frente da lareira e retirou um prego do bolso e buscou o martelo.
— Jiminie, olha o bebê, ele pode se assustar. — ele avisou. Fui até o carrinho, mas Jiwan estava dormindo tão profundamente que as batidas do martelo nem sequer lhe faziam resmungar. — Ficou bom? — perguntou de cima, nos olhando logo após deixar a tela na parede.
— Ficou ótima, amor. — Garanti.
Ele desceu da escada, e parou à minha frente, olhando para a tela.
— Ficou lindona, não é? — ele parecia orgulhoso com o próprio feito.
— Ficou perfeita. — o abracei pela lateral, e fui abraçado de volta.
— podemos ir mudando, com o passar do tempo, quando nossa família for crescendo...
— Você é fofo. — o beijei na bochecha, e ele sorriu. — Vamos almoçar?
Jungkook assentiu. Caminhei até meu melhor amigo que tinha uma bolsa de gelo sobre o pé e ri.
— Está melhor Jin? — Perguntei o vendo cerrar os olhos em minha direção. — Ainda dói muito?
— Você me paga seu safado... — ele sussurrou.
Sorri e neguei, caminhando até a mesa, onde mamãe e Jungkook já organizavam tudo, sendo seguido por jin, para enfim, almoçarmos todos juntos.
Continua...