O momento mais feliz da minha vida havia chegado, e com ele eu imaginava que tudo seria banhado em calmaria e tranquilidade.
Mas infelizmente, não somos nós que decidimos o futuro, não é?
E para descrever agora o meu momento, diria que a palavra mais correta é: DESESPERO.
Na verdade, desespero é até uma palavra carinhosa para o que está acontecendo neste quarto agora.
Basicamente, todos estão surtando.
— Jimin fecha a perna, fecha a perna!
— O quê? — Olhei para Seokjin e ri. — Você acha que o bebê vai sair assim tão fácil?
— ai meu deus, o bebê vai nascer! O bebê vai nascer — Yoongi gritou do outro lado do quarto.
— Yoongi fica quieto! — Taehyung gritou, seus olhos estavam arregalados para mim
— Parem de gritar. — Hobi pediu balançando o carrinho triplo com os bebês, ouvindo o chorinho começar. — ai meu deus!
— Hobi, o bebê do Jimin vai nascer! — yoongi berrou
— Chamem o meu pai! — Taehyung foi quem disse.
A pressão aumentou, olhei todos ao redor me encarando com os olhos arregalados.
— Chimie, fecha a perna e se senta! — Seokjin outra vez pediu.
— Jinie, é sério, o bebê não vai sair assim. Relaxa!
— Chimmy, está doendo? — minha mãe se aproximou enfim, buscando minha mão para me ajudar a andar
— Ainda não — Falei e olhei outra vez ao redor — Jungkook? Tudo bem?
Ele estava parado com os olhos abertos.
— Jungshook! — Namjoon riu, mas Seokjin o olhou tão feio, que o riso morreu no mesmo instante.
— Chamem o médico! — Yoongi gritou com a cabeça para fora do quarto e Taehyung foi logo atrás.
— Chamem o meu pai, o bebê vai nascer!
— Calem a boca — gritei, ainda com as pernas abertas, enfim saindo de dentro da poça de líquido amniótico no chão.
— Minie, fica calmo, por favor, fica calmo. — Kihyun pedia, mas tremia. Seu olhar era de desespero.
— Estou calmo Hyun! — falei baixo e ri, mas senti a pressão aumentar e logo a primeira contração vir. — Ah, c****e! — resmunguei, vendo-o abrir ainda mais os olhos. — fica calmo você, olha o coração!
Seokjin veio também ao meu encontro, ajudando minha mãe a me levar de volta a cama e olhou para o canto do quarto, onde namjoon estava completamente parado, sorrindo para o nada e com os olhos arregalados.
— O meu filho vai nascer... — Hyun sentou em uma das cadeiras, com a mão no peito.
— Está passando m*l? — perguntei, mas Hyun continuava com a mão sobre o peito. — Kook-ah. — chamei vendo meu namorado enfim me olhar. — vocês precisam ficar bem.
— Eu estou bem. — hyun sorriu e se ergueu, parando ao lado de Jungkook que agora se aproximava de mim e tocou-lhe sobre o ombro. — O jiwan vai nascer, Saeng. O Jiwan vai nascer! — ele falou sorrindo para Jungkook.
— Minha nossa, ele vai... — Jungkook também sorriu. — Lembre-se do coração hyung, você ainda não recebeu alta.
— Eu vou chamar meu pai! — Taehyung falou, mas foi interrompido por Hoseok.
— Eu chamo. Você e Yoongi tiveram bebês há duas semanas, não podem se esforçar tanto assim! Fica aqui e tenta acalmar o Yoon e os bebês, ok? Você é bom nisso. — Hoseok falou, deixando um beijo sobre a testa do marido. — Eu vou atrás do seu pai.
Taehyung assentiu e puxou Yoongi que ainda parecia em pânico.
— Yoonie, Jimin-ah está bem. — Ele falou olhando nos olhos do outro. — Respira com calma, bebê!
Yoongi assentiu, respirando fundo e soltando o ar com vagareza.
— Eu estou bem Yoongi-ssi! Olhe o Jonginie, ele está chorando. — falei sorrindo, tentando acalmá-lo.
Yoongi olhou para o pequeno bebê chorão no carrinho e foi até ele, o pegando no colo para ninar.
— Está tudo bem mesmo? — Jungkook com seus olhos redondos e brilhantes se aproximou até sentar ao meu lado. Sua mão foi para minha barriga, acariciando-a com leveza.
— Estamos bem, Jun. Nosso neném vai nascer. — falei sorrindo, mas outra vez a dor veio.
Jin se aproximou novamente, e sorriu. Mas logo fez uma cara de desespero, parando do nada e estapeando a própria testa.
— AI MEU DEUS, A LALISA! — ele gritou.
— O que tem ela? — Hyun perguntou.
— Os quartos! Eles ainda não estão prontos e o bebê vai nascer!
— E a mala da maternidade também não está pronta. — Choraminguei lembrando do quão desorganizado eu sou. — Meu filho vai nascer, e nada está pronto.
— Isso é o de menos agora, anjinho. — minha mãe me confortou. — Eu vou até à casa do kook, onde tudo do bebê está e faço a mala com a ajuda do Jinie.
Jin ao lado assentiu me confortando com tapinhas no ombro.
— É, lembra a mala que compramos? Vou chegar com ela aqui toda linda.
— Ainda bem que a noona já lavou e passou tudo. — Jungkook sorriu. — Tudo vai dar certo, amor. — e beijou minha testa.
— Eu vou indo então, para não perder o nascimento do meu neto, está bem? — minha mãe sinalizou.
— Eu também, então vamos logo noona.
— Não corram no trânsito, ok? Eu li que os bebês demoram a nascer, então vão tranquilo. — Namjoon disse calmo, mas depois pegou o próprio casaco sobre a mesa e encarou o marido. — Melhor, eu mesmo levo vocês, vamos.
Jinie e mamãe assentiram e saíram praticamente correndo. A porta sequer fechou e vi Hobi junto ao doutor Kim.
— Aqui. — Hoseok apontou para o chão molhado. — rompeu mesmo, vê?
Eu ri outra vez, sentindo a dor voltar com um pouco mais de intensidade.
— Ok, calma. — doutor Kim se aproximou de mim, que ainda permanecia. — Está sentindo alguma dor?
— Sim, algumas contrações e uma pressão muito forte.
Ele assentiu e olhou ao redor.
— Eu preciso que todos nos deem licença, ao menos por um momento.
— O quê? Por que eu tenho que sair? — Taehyung perguntou rápido.
— Amor, vamos. — Hobi o puxou devagar, fazendo yoongi levantar para segui-los, segurando o bebê no colo, enquanto hobi voltava para buscar as gêmeas que já dormiam no carrinho, tranquilas. — seu pai ainda é o médico aqui, ele quem dá as ordens.
— Fique bem jimin-ah. — Taehyung falou sorrindo antes de sair. — Estou torcendo por vocês. — Ele fechou as mãos em punho, silabando um "você consegue" e saiu.
— Nós precisamos sair também? — Jungkook perguntou ficando de pé, junto a Kihyun.
— Como sei que vocês estão ligados diretamente à paciente e ao bebê, somente quiserem.
— Não queremos. — Jungkook foi firme, olhando para Kihyun.
— É, não queremos.
Doutor Kim assentiu e me olhou.
— Preciso que deite-se, você consegue?
Assenti e com a ajuda de Jungkook e Kihyun, deitei sobre a cama, com minha barriga ainda cheia de tinta.
Doutor Kim concentrou-se na minha barriga e começou a apalpá-la devagar, sentindo o bebê.
— Ele já está encaixado, por isso está sentindo a pressão. — doutor Kim disse calmo, apertando um dos botões de emergência para a chamada dos enfermeiros. — Irei fazer um último ultrassom para sabermos como ele está., tudo bem?
— Tem algum risco, doutor? — Kihyun perguntou.
— O bebê pode nascer agora? Porque ainda faltavam mais três semanas... — Jungkook ao lado falou, olhando com aflição para ele. — será perigoso?
Ambos estavam com os olhos arregalados e brilhantes, mas ainda pareciam assustados.
— Sim, ele já pode nascer sem risco. Jimin está com trinta e sete semanas, já estamos no nono mês.
— É verdade. — Jungkook assentiu. — Ele fez hoje trinta e sete semanas hoje — ele falou me olhando.
— Ai... — Senti a dor ficar mais forte, se estendendo até a base das minhas costas.
— Contração? — doutor Kim perguntou se atentando e assenti. Uma enfermeira baixinha entrou na sala e parou ao lado do médico. — Por favor, me traga o equipamento para ultrassonografia.
A moça assentiu e saiu da sala.
— Ainda dói? — ele me perguntou e neguei.
— Jiminie... — Jungkook segurou minha mão e sorriu.
Eu sabia que ele apenas tentava me acalmar, igualmente a Kihyun que estava ao seu lado, e mesmo assustado sorria todo bobo.
A enfermeira voltou novamente, empurrando um carrinho com o equipamento e o doutor Kim logo limpou minha barriga, apagando assim o enorme desenho que tinha ali.
— A dor está voltando, doutor... — avisei, sentindo a dor se intensificar e se estender para as costas novamente.
Doutor Kim, parou e olhou em seu relógio.
— Me avise quando parar. — pediu ainda olhando para o objeto.
Hyun deu a volta na cama e segurou minha outra mão.
Fechei os olhos e somente quando a dor insuportável se foi, é que abri e respirei.
— Parou. — avisei.
— quarenta segundos. Você está em trabalho de parto ativo.
Doutor Kim falou, e passou o gel sobre toda minha barriga, colocando a máquina logo em seguida e nos dando a visão do enorme bebê.
— O que isso significa, doutor? — Hyun perguntou, observando a tela com a imagem.
— Que o bebê está encaixado e o corpo está fazendo o trabalho natural, ou seja, expelindo o bebê.
— Mas isso é perigoso, não é? O senhor disse que ele não podia ter esse bebê em um parto normal. — Jungkook falou ficando ainda mais assustado.
Doutor Kim assentiu, enquanto observava o bebê no exame.
— Sim, e por isso irei encaminhar o senhor Park para a sala cirúrgica agora mesmo. — ele guardou o equipamento e ficou de pé. — pedirei para que preparem o senhor.
No mesmo instante a realidade do que estava acontecendo ali me acertou, e o pânico se instalou.
— Doutor, estou um pouco tonto. — eu disse segurando forte a mão de Jungkook e Kihyun.
Doutor Kim se aproximou e verificou meus olhos, em seguida, ouviu meus batimentos.
— Sua pupila está um pouco dilatada, e a respiração está acelerada. Seus batimentos também estão altos.
— AH! — novamente a dor veio, e desta vez foi bem mais intensa. — O quê está acontecendo? Por que está doendo tanto?
— Doutor Kim faz alguma coisa! — Jungkook implorou, abaixando—se para afastar minha franja e olhar nos meus olhos. — fica calmo, vai ficar tudo bem.
Doutor Kim voltou a se aproximar e apertou novamente o botão para chamar um enfermeiro, e com um aparelho de pressão, colocou sobre meu pulso e observou atentamente.
— quatorze por onze. Sua pressão está ficando alta demais. — ele deitou completamente a cama. — Irei precisar te levar agora para a cirurgia.
— O quê? Espera! — apertei ainda mais a mão de jungkook e kihyun. — Eu estou com medo. — chorei em pânico sentindo a dor aumentar. — Por favor, fiquem comigo! por favor, eu- AH! — me encolhi mais sobre a cama, sentindo a dor que estava mais forte e frequente.
— Precisamos ir! — doutor Kim alertou mais uma vez.
— Por favor, fiquem comigo! Por favor!
— Nós podemos ir com ele? — Kihyun perguntou ao doutor.
— Somente um é permitido.
— NÃO, OS DOIS! POR FAVOR! — gritei e senti minha garganta ficar seca. — por favor... — choraminguei, sentindo a dor ir embora, mas me preparando porque sabia que logo voltaria.
Doutor Kim me olhou e demorou a assentir. Outros dois enfermeiros entraram junto à pequena enfermeira de antes, e se posicionaram ao lado.
— Nós estaremos lá. — Jungkook falou baixo, me dando um beijo na testa. — eu prometo.
— Promete mesmo? — me apertei mais a ele.
— Prometemos minnie. — Hyun falou e beijou minha bochecha molhada por lágrimas. — Se acalma e vai com eles, tudo bem?
— Eu vou esperar vocês. — avisei sentindo medo, já sendo empurrado para o lado de fora da sala.
— Jimin-ah! — Taehyung ainda estava lá junto aos dois maridos e se aproximou. — Pai, o que aconteceu? para onde estão levando ele?
— Ele irá para a cirurgia agora, filho. — doutor Kim falou calmo. — enfermeiro Choi, leve os dois para a sala de preparo, eles irão entrar também. — avisou apontando para Jungkook e Kihyun.
— Os dois, doutor? mas isso é permitido?
— Sim, é uma questão de precisão. — doutor Kim falou e jungkook e kihyun foram guiados para um corredor diferente, enquanto eu seguia para outro corredor. — Ficará tudo bem. — Doutor Kim sorriu para mim. — Em breve o senhor segurará o seu bebê nos braços.
Assenti, tentando dar um sorriso, mas o meu coração permanecia acelerado, minhas mãos tremiam e meus olhos embaçavam. O medo de tudo dar errado, enfim estava me consumindo.
Quando entramos na sala, vi uma equipe enorme se preparando. O doutor me ajudou a levantar, até que estivesse de pé.
— Iremos te dar a anestesia e em seguida prepararemos o senhor para a cirurgia, tudo bem?
Assenti novamente, e fui guiado pela enfermeira até uma sala ao lado. Lá, com a ajuda dela, retirei as roupas que usava e vesti uma bata hospitalar.
A vergonha agora era o de menos, eu só ansiava que tudo aquilo acabasse logo e que o meu filho, viesse para os meus braços, o mais rápido possível.
— Sua mãe já nos entregou uma muda de roupa para o bebê, todos estão te aguardando no quarto. — A enfermeira falou calma, me ajudando a fechar a bata.
— Obrigado. — sorri para ela, e aceitei a ajuda para andar de volta à sala cirúrgica, ainda sentindo a pressão. — Jungkook e Kihyun, onde estão?
— Os dois que irão assistir o parto? — Assenti entrando na sala. — Eles já irão entrar, estão trocando de roupa.
— Senhor park. — Uma voz alta me chamou e olhei para frente. — Sente-se aqui, por favor.
O rapaz, vestido em roupas azuis igualmente a todos na sala, apontou para a maca, onde uma pequena escada foi colocada para me ajudar a subir.
— Irei te dar a anestesia agora.— assenti, e o vi buscar uma seringa com uma agulha enorme. — Preciso que curve a cabeça para baixo, em direção aos seus joelhos dobrados; não levante a cabeça até eu pedir, ok? — assenti mais uma vez e respirei fundo.
Senti-o passar algo gelado sobre o final da minha espinha, como um gel, e em seguida a enfermeira veio para minha frente, segurando firme minha cabeça para baixo, me ajudando a não levantá-la.
Respirei fundo e senti a agulha sendo pressionada sobre minha pele.
Demoramos alguns segundos, até que cuidadosamente a pequena enfermeira, junto a um enfermeiro me deitasse sobre a maca, e começassem a ligar máquinas aos meus dedos e braços.
— São para monitorar seus sinais vitais. — A moça disse calma, me vendo olhar aquilo espantado. — Está tudo bem.
Assenti e tentei novamente sorri.
Um tecido azul foi colocado à minha frente e logo ouvi a porta ser aberta e os dois seres morenos entraram, vestindo roupas hospitalares, junto a máscaras e toucas.
— Podem ficar ao lado dele. — a moça disse e rapidamente eles vieram cada um para meu lado.
— Estamos aqui — Jungkook falou sorrindo e beijou meus lábios. — Vai ficar tudo bem.
— Vai sim — sorri para ele e olhei para Kihyun. — Você está bem? Seu coração aguenta isso?
— Estou nervoso minnie. — Ele foi verdadeiro. — Mas estou muito feliz. Acho que meu coração aguenta sim.
— Senta nessa cadeira hyung. — Jungkook se preocupou, apontando para onde havia indicado. Kihyun olhou e logo puxou a cadeira, sentando-se ao meu lado. — Você não pode ter emoções muito fortes, lembra o que o doutor Yuta falou?
— Lembro sim. — hyun assentiu e segurou minha mão. — Não me esforçar muito, porque o coração foi como um presente e preciso cuidar bem dele, eu estou bem.
Olhei para os dois e sorri, sentindo apenas alguns solavancos em meu corpo, que indicava que alguém estava me tocando.
— O que está acontecendo? — perguntei a Jungkook que já observava tudo.
— Estão passando alguma coisa sobre a sua barriga. — Jungkook sussurrou, fazendo hyun também olhar. — Acho que estão limpando ou esterilizando... Alguma coisa assim.
— Tudo pronto para a chegada desse meninão? — doutor Kim adentrou a sala de cirurgia e veio até nós. — Tudo bem por aqui?
Sorri e assenti leve, me sentindo um pouco cansado.
— Tudo ótimo, meu bebê vai nascer.
— Irá sim. — doutor Kim falou. E mesmo que ele já estivesse de máscara, eu sabia que estava sorrindo. — irei começar a cirurgia agora, preciso que fiquem nessa área, tudo bem? Não ultrapassem para não atrapalhar. — falou diretamente para os dois ao meu lados.
Ambos assentiram quase batendo continência.
Sorri e olhei para um relógio que tinha no canto da sala bem próximo à porta, e nele marcava duas e quinze da tarde.
Respirei fundo, e tentei me preparar.
Tudo ficaria bem.
[...]
O silêncio já não era uma dádiva daquele lugar. As máquinas apitavam marcando cada sinal do meu corpo, enquanto a equipe médica falava alto, e até mesmo brincavam junto ao doutor Kim, fazendo a tensão do lugar diminuir.
— Está bonita hoje, enfermeira rosé. O enfermeiro Minho deve ser o noivo mais feliz desse mundo, não é? — ouvi doutor Kim falar e um riso em seguida vir.
— Eu sou sim, doutor. — uma voz masculina falou. — Ela é a mulher mais linda do mundo.
A enfermeira riu.
— Já começou? — perguntei e vi jungkook assentir, ainda olhando atento.
Passaram mais alguns minutos, e a enfermeira veio até mim.
— Tudo bem senhor Park?
— Tudo. — Sorri e vi Hyun ficar de pé. — Aconteceu algo, o que foi? — perguntei vendo-o tão atento quanto Jungkook.
— Estamos quase lá. — doutor Kim falou com a voz de riso.
— Ele vai nascer, Minnie! — Kihyun falou apertando minha mão.
— Minha nossa. — Jungkook também apertava minha mão.
Esperei atento por longos minutos, observando o relógio ao lado e quando o ponteiro marcou duas e cinquenta e quatro da tarde, um choro manhoso preencheu todo o lugar.
Hyun ao lado ofegou, e Jungkook tinha os olhos ainda mais abertos. Olhei para ambos com o coração acelerado e outra vez ouvi o choro um pouco alto, o que de instantâneo, me fazendo chorar completamente emocionado.
— Ele é enorme, Chimmy. — Jungkook disse baixo ainda olhando-o. — e lindo. Ele é lindo!
— Ele nasceu minnie. — Hyun também falava baixo, enquanto respirava fundo, com os olhos tão cheios de lágrimas que em questão de segundos, começaram a transbordar. — se parece com você.
— Três quilos e cem gramas. — um rapaz falou. — e cinquenta e um centímetros.
Jungkook suspirou alto, liberando também suas lágrimas, mas secou-as de imediato quando Kihyun foi chamado por um dos enfermeiros.
— Eu quero ver meu bebê — disse apertando a mão de Jungkook.
— Ei, calma. — Kihyun chamou minha atenção. Meus olhos embaçados aumentaram de tamanho quando notaram em seus braços, o meu Jiwan. Ele se inclinou para baixo, aproximando-se de meu rosto apenas para que eu tivesse a visão completa do bebê.
Observei-o de pertinho quase me perdendo nos detalhes. Jungkook teve que limpar minhas lágrimas que desceram no mesmo instante em que vi resmungar e assim, abrir os olhos.
Jiwan tinha a pele pálida que fazia contraste com os cabelos longos e escuros. Os olhos eram apenas duas linhas, e ele fazia um bico grande, ainda choramingando baixinho enquanto a mãozinha apertava a manta que o cobria.
— Seja bem vindo ao mundo, pequeno jiwan. — Jungkook disse baixinho, se abaixando para olhar o pequeno bebê de perto também. — nosso novo amor.
— Ele é tão lindo. — disse observando ainda mais o bebê.
— Ele é perfeito. — Hyun disse também olhando-o e fungando. — Ele se parece com você minie. — Hyun sorriu — Ele é lindo.
— Seja bem vindo ao mundo pequeno jiwan. — doutor Kim falou, ainda fora do meu campo de visão, o que insinuava que ainda estava concentrado em mim.
— Precisamos levá-lo para limpar e vesti-lo, senhor. — A enfermeira, que agora eu sabia se chamar rosé, pegou com cuidado o pequeno embrulho das mãos de Kihyun e o segurou firme.
— Eu posso ir junto? — Hyun perguntou rápido e a moça assentiu. — eu vou ficar de olho nele, tá, minnie?
— Tudo bem. — assenti outra vez.
— Eu fico com você, hyung. — Jungkook falou para mim.
Depois que Hyun saiu junto à enfermeira, ainda chorei mais um pouco, mas logo senti a mão grande, porém delicada de Jungkook limpar todas as lágrimas novamente.
— Você foi incrível, estou orgulhoso. — ele disse e deixou um beijo sobre minha testa. — Eu te amo.
Ainda sentia a mão dele sobre a minha, então apenas apertei-ai. Meu coração já estava tranquilo por saber que o meu filho agora estava conosco no mundo e estava bem.
— Já terminei aqui. — doutor Kim disse e veio até mim. — Você foi muito forte. Parabéns pelo bebê.
— Muito obrigado doutor...— disse baixo, sentindo um cansaço ainda maior. — Estou sentindo sono... é normal?
— É normal. — o doutor disse calmo. — A anestesia faz você se sentir assim. Mas já estão te preparando para retornar ao quarto, em breve poderá descansar.
Assenti novamente e vi Jungkook deixar um aperto na mão do doutor, completamente agradecido.
Demorou cerca de quinze minutos até começarem a me empurrar ainda sobre a maca de volta ao meu quarto.
— Aqui está seu bebê. — Rosé mostrou-o para mim.
Jiwan estava vestido com a primeira roupinha que eu havia comprado.
Era um conjunto branco de algodão, com alguns detalhes como flores em bege. As mãos e os pés estavam cobertos, e sobre a cabeça uma pequena touca, também branca com uma flor bege no centro, que o deixava ainda mais fofo.
— Olha esse biquinho. — eu disse me derretendo junto a Jungkook. Kihyun apareceu ao lado também e sorriu. — É tão perfeito.
— eu ajudei a pôr a roupinha. — Hyun falou. — Na verdade foi só a touca, mas se faz parte do conjunto, também é roupa, certo?
— Você é bobo, Hyung. — Jungkook riu e buscou o bebê dos braços da enfermeira, segurando Jiwan pela primeira vez. — minha nossa, como é que agora ele parece tão pequeno?
Observei-o completamente atento ao bebé. Voltei a ser empurrado em direção ao quarto e assim que a porta abriu, sorri mais, ouvindo o silêncio nada convencional e os olhos curiosos de todos ali sobre nós.
— Ai meu deus. — jin exclamou alto, quebrando completamente o silêncio e dando passe para as outras vozes sobressaltarem. — Minha nossa, Jiwanie parece tanto com o Chimie. — ele falou olhando de mim para o bebê. — é um mini jimin, olha esse rostinho!
— Meu deus, que coisinha fofa. — Taehyung falou se aproximando também.
— Posso segurar meu neto? — mamãe já tinha os braços estendidos para Jungkook
— A senhora se importaria de lavar as mãos? — Kihyun perguntou-a calmo.
— Claro que não. — ela foi até a bolsa dela e de lá tirou um tubo gigante de álcool em gel. — Até trouxe isso para passar na mão de qualquer um que for segurar meu netinho. — Ela o entregou e foi caminhando até o banheiro. — Até você, Kihyun.
Hyun sorriu e foi até o banheiro também, junto a Seokjin.
Taehyung ainda babava sobre o pequeno bebê nos braços de Jungkook e sorriu quando ele o colocou sobre o pequeno berço que a enfermeira acabava de arrumar. Meu corpo foi levado para a cama no qual eu ficaria e o berço com o bebê bem ao meu lado.
— Jimin-ssi, ele é muito lindo. — yoongi disse se aproximando do marido.
— Parabéns jimin-ah. — namjoon disse.
— Obrigado. — sorri e vi os outros voltarem do banheiro.
Mamãe se aproximou e pôs um pouco de álcool em gel sobre as mãos, sendo seguida por Hyun, kook, Jinie e todos os outros.
Após higienizados, mamãe, Jinie e Hyun observaram o bebê, enquanto agora jungkook permanecia ao meu lado, acariciando minha mão e sorrindo todo bobo para o pequeno berço.
Mamãe pegou jiwan nos braços, e sorri ao vê-la segurar o pequeno bebê com toda a facilidade do mundo.
— Meu pequeno jiwan, sou eu, sua vovó. — ela falou, segurando a pequena mãozinha, e senti meu coração se derreter.
— Eu sou o dindo mais feliz desse mundo. — Jin fungou e quando o olhei as bochechas estavam vermelhas, molhadas de lágrimas.
Namjoon sorriu e se aproximou, abraçando o marido enquanto observava o pequeno bebê também.
Mamãe fungou, também estava chorando, e devagar, entregou o bebê ao jin.
Durante um bom tempo foi assim, um por um, foi segurando o pequeno bebê, até que por fim, ele estava sobre os braços de Jungkook outra vez, bem ao meu lado.
— Ele é tão fofo. — Jungkook pôs o dedo sobre a mão de Jiwan e foi agarrado no mesmo instante. — e é bem forte.
Sorri junto a todos no quarto.
Mamãe, Jin e Hyun ainda choramingavam baixo, e Tae e seus dois maridos junto à namjoon, apenas babavam de longe.
A porta do quarto foi aberta e logo sorri mais, vendo doutor Kim adentrar o quarto.
— Como está tudo por aqui? — o médico perguntou.
— Tudo certo. — Kihyun sorriu, ainda fungando.
— Precisamos alimentar o bebê, senhor Park. — A enfermeira falou baixo ao lado.
— Nós iremos agora, para te dar privacidade, está bem? — Taehyung falou, ficando de pé. — Mas voltaremos. Assenti e ele se aproximou, segurando minha mão. — Parabéns por seu bebê.
— Muito obrigado Taehyung-ssi.
— Até logo, Jimin-ssi. — Yoongi se despediu, e Hoseok acenou em despedida.
— até logo. — me despedi e os vi ir.
— Acho que temos que ir também amor. — Namjoon falou e Seokjin fez um bico enorme.
— Mas já?
— Jin! — namjoon o olho e jin bufou.
— Ok! — Ele veio até a mim e me deu um beijinho na testa. — Lalisa vai amanhã até a casa do kook. Ela quase morreu quando soube que o bebê estava nascendo e o quartinho ainda não estava pronto, mas prometeu que iria apressar tudo já amanhã, já que apenas decorações e pequenos ajustes é tudo o que falta.
Sorri e assenti um pouco mais aliviado.
— Muito obrigado por tudo o que tem feito por nós, Jinie.
Recebi um sorriso bonito em seguida outro beijo na testa. Namjoon abraçou Kihyun, o parabenizando, e também abraçou Jungkook, se despedindo de ambos.
Na sala, apenas eu, mamãe, kihyun e jungkook permanecemos, além do doutor Kim e a enfermeira Rosé.
— Durante a madrugada, terei que passar aqui. O senhor precisa levantar depois de doze horas. A enfermeira Rosé, ficará responsável por você e o bebê.
Assenti e vi a enfermeira buscar o pequeno bebê dos braços de Jungkook.
— Bom, lhes darei privacidade. Novamente, meus parabéns, Jimin.
— Muito obrigado, doutor Kim.
Ele se despediu de todos nós e também se foi.
A enfermeira, com a ajuda de Jungkook, cuidadosamente inclinou um pouco a cama e deixou-a erguida a 90 graus.
— Quer que eu saia? — Jungkook perguntou ao lado. — Posso te dar privacidade amor.
— Não. — sorri para ele e busquei sua mão, dando-lhe um selar calmo sobre o dorso. — Seremos uma família agora, está tudo bem.
Ele sorriu e sentou-se ao meu lado enquanto Hyun e mamãe observavam a enfermeira se aproximar com o bebê para me ajudar a dar de mamar a ele. Eu ainda não podia segurá-lo, mas ainda assim, senti todo o meu corpo explodir.
— Vai doer um pouco no início porque é a primeira vez, mas logo passa. — a enfermeira avisou.
Eu sabia daquilo, mas ainda assim, estava ansioso para sentir a sensação que tantos me descreveram, mas que de forma única, cada um, a sentia.
— Olá amor. — falei baixo, observando o rostinho rechonchudo, e os olhos negros se abrirem, procurando por minha voz. — Seja bem vindo ao mundo meu pequeno jiwan.
A enfermeira esperava ao lado apenas observando, e quando olhei ao redor, suspirei aliviado.
Todos pareciam felizes, e a paz só aumentou em meu coração quando, por enfim, soube que ali estava a minha família, e eu poderia descansar que tudo ficaria bem.
Continua...