Gerar meu filho foi a coisa mais incrível e perfeita de todo o mundo.
Tudo no momento é muito calmo e lindo, e mesmo sendo pai de primeira viagem, acho que estou me saindo muito bem.
Depois que o bebê mamou, me fazendo chorar só mais um tantinho com o momento, a enfermeira, Rosé, o pegou para pôr para arrotar. Mas Jungkook e Kihyun lhe pediram para que ensinasse aquilo, e sejamos francos, ver dois homens de mais de um metro e oitenta, sentados juntinhos, enquanto uma pequena enfermeira diz com cuidado como o bebê precisa ficar para arrotar, é extremamente fofo.
— Você precisa apoiar bem o bebê, seja sobre seu ombro ou apenas o peito. Precisa ter bastante cuidado também. As batidas serão sempre dadas com extrema leveza, e não necessariamente o bebê irá arrotar em todas às vezes que fizerem isso. Esperem até uns vinte minutos e o coloque no berço sempre de barriga para cima.
— Eu faço assim? — Hyun perguntou, colocando jiwan no ombro. Rosé assentiu, olhando-o com cuidado, vendo-o dar as primeiras batidinhas sobre as costas do bebê.
— É com cuidado, Hyung. — Jungkook disse, levantando a mão a pondo sobre a de Hyun, o ajudando.
— isso mesmo. — Rosé sorriu. — Vocês só precisam manter uma mão sempre nas costas dele e outra apoiando a cabeça.
Hyun assentiu e continuou com as leves batidinhas. Jungkook ao lado sorria todo bobo, enquanto olhava fixo para o bebê.
— Ele tá fazendo biquinho... — ele disse completamente rendido a Jiwan.
Hyun sorriu, mas logo se assustou com o arrotinho que o bebê deu.
— Que porquinho. — ele brincou. Em seguida, deitou o bebê com cuidado nos braços, começando a niná-lo.
— Precisam fazer isso todas às vezes que o bebê mamar, entenderam? — Rosé perguntou apenas para confirmar. Ambos assentiram em prontidão.
[...]
A madrugada havia chegado, e junto a ele, um bebê acordado e resmungão.
— Ele não para de balançar os pezinhos por um segundo. — Jungkook comentou sentado sobre o sofá, observando Jiwan no berço.
— Você precisa descansar, anjo, está acordado a muito tempo.
— Estou bem Hyung, eu gosto de vê-lo. É tão fofinho e perfeito.
Sorri olhando mais um pouco para ambos.
O bercinho ficava bem ao lado da minha cama, jungkook realmente nem sequer descansou desde que Jiwan nasceu. Permaneceu acordado a todo tempo e continuou comigo até então. Kihyun havia sido obrigado a voltar para seu quarto, pois ainda estava em observação e recuperação e como somente um podia ficar comigo, minha mãe viria apenas no dia seguinte.
— Com licença. — a enfermeira Rosé entrou sorrindo. — Precisamos levantar senhor Park. — Sorri para ela e assenti. Já me preparando para o que está por vir. — Como o doutor Kim explicou, vai doer um pouco no começo, por conta da incisão, mas o corpo logo se acostumará.
— Está tudo bem.
Ela sorriu e veio até a cama, levantando-a um pouco.
— Como estão seus m*****s, ainda doem?
— Um pouco. — dei de ombros e vi Jungkook ficar de pé quando o bebê começou a chorar e buscou-o. — Mas fiz como você me instruiu, passei um pouco do colostro ao redor para não criar rachaduras.
— Que bom. — ela tirou a sonda que estava ligada ao meu corpo com cuidado, e me deu a mão para me ajudar a se erguer devagar. — A amamentação é um pouco difícil no início mesmo, mas ainda assim é uma dádiva.
— Eu entendo. — Sentei sobre a cama sentindo o local da incisão queimar um pouco. — Mas só em ver aqueles olhinhos grandes me olhando de volta enquanto mama, vale todo o esforço.
— Jiminie. — Jungkook chamou. O olhamos enquanto ele encarava o bebê em seus braços. — Acho que ele fez cocô. — ele falou. Sorri para o modo em como o rosto dele se contorcia em uma caretinha enquanto cheirava o bebê por cima da fralda. — Não está com um cheiro muito bom não.
— Irei trocar. — Rosé avisou. — Preciso apenas terminar com o senhor Park.
— Acho que consigo trocar, pode só me ajudar? — Jungkook pediu olhando-a com os olhos arregalados, quase suplicando.
— Tudo bem, só um minuto então.
— Preciso fazer xixi. — Avisei baixinho e ela assentiu.
Quando enfim fiquei de pé, ela me ajudou a descer a pequena escada de três degraus que estava bem abaixo da cama e me fez ficar de pé sobre o chão. A queimação que senti foi enorme, parecia que tudo dentro de mim, estava embalado em um pequeno saco, e o saco estava se rasgando com o esforço, liberando com brutidão meus órgãos.
O primeiro passo foi difícil, e no segundo choraminguei um pouco.
Jungkook veio até minha frente, com o bebê ainda em seus braços e me olhou apreensivo.
— Você consegue, amor. — ele disse, talvez tentando me encorajar um pouco.
Dei o terceiro passo e mais um resmungo de dor.
Quando olhei mais uma vez para os dois homens a minha frente sorri e lembrei que aquilo era preciso. Todo o esforço valia a pena porque havia sido para dar a vida ao meu filho e dor nenhuma tirava a alegria que me consumia por dentro.
Caminhei devagar, e a enfermeira me deixou de pé sobre o banheiro para que pudesse me aliviar.
— Estarei aqui do lado de fora, caso precise, ok? — ela avisou.
Assenti e a esperei sair para assim me aliviar tendo a privacidade merecida. Quando voltei ao quarto ainda caminhando devagar, segurando apenas nas barras de apoio dali, encontrei jungkook no canto observando a enfermeira ensinar-lhe como deveria limpar o bebê.
— Ei. — Chamei-o, erguendo minha mão para que ele pudesse me ajudar a chegar até lá. Jungkook veio de prontidão, segurou minha mão e me levou consigo.
— Olhem só isso — Rosé riu para o bebê que remexia as pernas sobre o trocador.
— Posso tentar trocar? — Jungkook perguntou, mesmo que ele já esperasse para aquilo.
— Claro. — ela jogou a fralda suja, e o estendeu uma nova, já a deixando aberta.
Jungkook sorriu, aceitando-a com pressa e segurou as perninhas de Jiwan com cuidado para erguê-lo minimamente e assim encaixar a fralda abaixo.
— Você é um fedorentinho. — Ele brincou com o bebê, fechando a fralda.
— Não seja bobo, meu pequeno está cheirosinho. — brinquei também, encarando Jungkook voltar a pôr a calça de Jiwan e em seguida suas meias. — Oi meu amor. — disse baixinho, vendo os olhos pequenos de Jiwan procurar pelo som, ficando assim quietinho, enquanto chupava um dos dedos. — Você é a coisinha mais linda desse mundo tudo, sabia?
Ele piscou algumas vezes, somente se atentando ao som da minha voz.
— É normal a visão dele não se focar em mim? — perguntei à enfermeira. Eu já tinha lido sobre isso, mas sendo bem franco, toda e qualquer informação extra que eu possa obter para a melhor convivência e experiência com Jiwan é essencial.
— Sim, a visão do bebê começa a se desenvolver ainda dentro do útero, mas mesmo depois do nascimento, ela ainda vai amadurecer. Mas ele já pode te ver, não nitidamente caso esteja longe, ao menos por enquanto, mas de perto ele já te ver, por isso a amamentação é uma parte importante nesse momento, porque ele se conecta a você e nisso ele foca no seu rosto.
— E quando ele começará a me ver também? — Jungkook perguntou todo preocupado, e ela sorriu novamente.
— Ele já te vê também. — o acalmou. — Como disse a visão vai amadurecendo com os meses, e vocês irão perceber isso... Ele vai começar a focar mais. Mas assim como na amamentação, quando você o der colo ou até brincar e conversar com ele, procure estar bem perto do rosto. Ele focará em você, assim te vendo e reconhecendo também.
— Entendi. — ele concordou, mordendo o lábio inferior.
— Com o tempo, os senhores conseguirão desenvolver tudo com mais prática. Mas estão indo bem até então.
— Obrigado. — assenti e olhei Jungkook que parecia bastante orgulhoso.
— Precisamos voltar para a cama agora, Senhor. — Ela me avisou, me ajudando a voltar. — Você pode ficar com a cama inclinada, se quiser.
— Obrigado novamente. — a agradeci e subi os degraus, voltando com cuidado para a cama. — Posso segurá-lo um pouco agora?
Rosé assentiu e Jungkook veio com ele nos braços, e cuidadosamente o colocou sobre meus braços. O bebê que ainda resmungava baixo, me observou novamente.
— Ele parece gostar de te olhar, amor. — Jungkook comentou, sentando-se ao meu lado.
— Meu pedacinho de gente... — Sorri e segurei a mão tão pequena e gordinha. — Olha só esses dedinhos gordinhos.
— E os cabelinhos espetados, amor. Parece um pequeno porco-espinho. — Jungkook brincou, ninando também o bebê.
— Bom, eu já irei. — Rosé avisou. — Se o senhor precisar de algo, basta apertar o botão, tudo bem? Voltarei em algumas horas para saber como estão.
— Tudo bem, e obrigado Rosé. — Assenti a agradecendo, vendo-a sorrir envergonhada e se ir logo em seguida.— Ela é um amor, não é?
— É sim, ela me ajudou a trocar a fralda dele, quando você estava descansando também.
— Mesmo? Você está indo bem.
— Estou mesmo. — Jungkook sorriu outra vez orgulhoso, ainda deixando carinhos no bebê.
Encostei a cabeça sobre o ombro dele, ainda observando meu bebê, que agora mordia a mãozinha, enquanto fazia sons baixinhos.
— Você não dormiu o dia todo, anjo. — voltei a falar, numa tentativa de fazê-lo descansar.
— Eu estou bem mesmo, amor. — deixou um beijo sobre meus cabelos. — E estou muito feliz.
— Você é um anjo Jungkook. — suspirei sentindo a paz. — Eu não podia ter uma pessoa melhor ao meu lado senão você. É o meu anjo.
— Eu te amo e preciso cuidar direitinho de vocês dois.
— Você não está assustado com tudo isso?
Ele negou, e colocou a mão por cima da minha, apoiando também a de Jiwan.
— Vocês agora são minha família, lembra? Eu só consigo sentir felicidade. Eu até fiz um desenho há uns dias e o deixei sobre o móvel do nosso quarto. Quando formos finalmente para casa, te mostrarei.
— Ainda acho isso estranho... — Comentei olhando-o. — Sabe, a parte do "nosso". Quando eu decidi ter esse bebê, eu pensei que estaria sozinho no mundo, apenas com minha mãe e alguns familiares, mas ela mora longe e todo o resto também...
— Você sabe que acredito em destino. Ele de algum jeito fez com que esse bebê nos unisse... Eu e você e todo o resto. Agora estamos cercados de pessoas boas ao nosso redor.
— É... Podemos dizer que temos uma família grande agora.
Jungkook assentiu entrando em silêncio e permanecemos assim por longos minutos, até que Jiwan começou a se remexer em meu colo, chupando forte o próprio dedinho.
— Nosso elefantinho está querendo mamar de novo. — Jungkook disse sorrindo, e o bebê fez um bico enorme, ameaçando chorar.
Ajeitei-me melhor com ele, e mesmo com Jungkook ao lado, encaixei o bebê sobre meu colo, e o dei de mamar, sem sentir mais vergonha alguma.
A destra dele me acariciava devagar sobre o ombro, me acalmando com carinho, e fazendo todo o desconforto que sentia ali sumir.
— Essa é a coisa mais linda que já vi na vida. Vocês dois são perfeitos. — ele comentou baixo. Sorri e o vi se remexer, colocando a mão em um dos bolsos. — Eu queria muito, esperar vocês saírem daqui, talvez ficarem mais tranquilos quando estivéssemos em casa. Mas eu não consigo me conter, então trouxe um presente para vocês.
Olhei para as mãos de Jungkook e franzi o cenho.
— Essa é, de fato, a cena mais linda que meus olhos já viram... Vocês conectados, envolto ao amor... Eu não consigo achar o momento mais perfeito para isso.
— O que é? — Perguntei curioso.
— No dia em que sua mãe chegou, lembra que eu fui deixar ela em casa, certo?
— Sim, me lembro bem. Mas antes vocês foram ao shopping, certo? Comprar algo para comerem em casa.
— Sim, mas naquele dia ela foi me questionando sobre eu e você por todo o caminho. Perguntou se eu queria mesmo ficar com você ou se iria brincar, porque ela me quebraria os joelhos caso isso acontecesse.
Sorri negando. — Me desculpe a mamãe, ela não costuma ser assim. É que ela tem algo com relacionamentos e detesta a ideia de ver alguém sendo abandonado...
— Está tudo bem, ela por parte está apenas querendo te proteger. — ele sorriu. — Mas então, enquanto estávamos no shopping, eu disse que já havia te pedido em casamento uma vez sem querer, e ela perguntou se já usávamos alianças e coisas de namorados. Eu disse que não, então ela perguntou se eu queria a opinião dela para um par de alianças.
— A mamãe te forçou a comprar alianças!?
— Não Jiminie. Nós fomos até a joalheria do shopping, mas tinha algo ainda mais simbólico para esse momento do que simples alianças. — Jungkook abriu a caixinha, me fazendo arregalar os olhos no mesmo momento. — Não são alianças, pois sei o quão rápido estaria sendo e não quero te forçar a nada, vamos continuar em nosso tempo... Mas isso é especial, espero que goste.
Jungkook ainda segurava a caixa na altura dos meus olhos. Sobre ela havia um colar de corrente dourada e um pingente na mesma cor em formato de lua preso.
Jungkook se virou um pouco para mim, e mostrou em seu pescoço o colar que ele mesmo já usava.
A peça era idêntica à minha ali, mas tinha um pingente de sol.
— O Sol e a Lua? — sorri para ele.
— Você é como o sol para mim. É como vida, luz e calor... Você sabe que antes de você, eu não tinha ninguém além do Namjoon-Hyung aqui em Seul. Não chegava a ser triste, mas não tinha nenhuma euforia para me fazer levantar pelas manhãs e sorrir. Mas então você apareceu e foi como se uma explosão de calor tivesse me atingido.
— Tão forte assim? — Sorri.
— Jiminie, você é minha euforia.
Meu coração acelerou. Meus sentimentos gritaram e meus olhos só focavam em Jungkook.
— E a lua? — Perguntei.
— A lua significa as fases. A fase da vida, da morte, e o renascimento... Eu tive um pouco de dúvida sobre como você iria reagir a ela, porque bom... Você me contou sobre o que aconteceu com você no começo da gravidez e em como se sentiu morto e sozinho quando... Quando ficou realmente sozinho.
— Hoje acho que tudo aquilo foi, de alguma maneira, necessário...
— De fato. Me lembro que também me disse como se sentiu bem e vivo, quando enfim descobriu o que tinha realmente em você, e como tudo mudou quando você ouviu o coração dele bater em sintonia com o seu. E bom, esse pequeno — ele apontou com o queixo para o bebê que já dormia em meus braços — é o renascimento. Você deu vida a ele, mas ele também te reviveu por dentro.
— Suas palavras me confortam... — fechei meus olhos sentindo a paz e a certeza em meu coração disparado.
— E eu também não podia deixar de presentear o nosso pequeno. Então mandei fazer isso aqui. — ele tirou o colar, junto a uma esponja de apoio, onde estava seguro, e mostrou uma pequena pulseirinha que estava abaixo. Nela havia uma plaquinha onde em uma estrela o nome "Jiwan", estava gravado no centro.
— É linda, Kookie. — sorri. — Você é o meu sol, eu sou a sua lua...
— E ele a nossa estrela. — ele sorriu e beijou minha testa. — Somos uma família agora. É assim que eu nos vejo.
— Jungkookie... — funguei e segurei melhor o bebê, sentindo meus olhos arderem. — Isso foi lindo amor.
— Amor? — ele sorriu mostrando seus dentinhos.
— É, Amor... — sorri e me inclinei para dar-lhe um beijo, sentindo o gosto doce de seus lábios, o que me fazia sentir o céu. — Você é o meu amor, Jungkook. Eu te amo.
Os olhos grandes se abriram rapidamente, e me olharam com espanto.
— Hyung, você...
Assenti.
— Eu sei que demorei... Me desculpe.
— Não se desculpe. — ele tocou meu rosto, em seguida me deu um selar longo, suspirando contra minha boca. — Eu também te amo, Jiminie. Te amo muito.
— Eu sei que ama, Kookie. E é por isso que eu sei que estou fazendo a coisa certa.
Continua...