Momentos em família [Parte um]

2544 Palavras
Meus olhos fitavam como Jungkook parecia chateado. Ele segurava com afinco o celular contra a orelha e mesmo que estivesse sentado sobre a mesa distante, para que não acordasse o bebê, eu via como seus pés batiam com ritmo e força no chão, demonstrando sua completa chateação. — Como assim, deu problema com a mercadoria? Onde está o gerente?... Não, eu não posso ir todas às vezes que uma nota não confere, esse é o seu trabalho! — Jungkook, calma. — Pedi baixo, fazendo-o me olhar e suspirar. Ele olhou para Jiwan em meus braços e assentiu. — Você realmente não consegue resolver isso sozinho?... Estou no hospital... Por quê? Porque meu filho nasceu, preciso estar aqui! O dito fez com que meus olhos arregalassem. Não causando estranheza, mas sim completa surpresa. — Ok, eu irei. Mas, por favor, da próxima vez tentem resolver sem mim poxa! Jungkook encerrou a ligação bufando e seu bico já estava lá. Sorri e me aproximei caminhando devagar. Estava ninando jiwan nos braços, e me esgueirei para deixar um beijo sobre os lábios do meu Kookie. — Aconteceu algum problema, amor? — Sim... Parece que deu erro em uma das notas com um dos fornecedores... — ele bufou novamente — Eu preciso ir lá, mas não quero te deixar aqui sozinho. — Pode ir, amor... Hyun já, já virá e minha mãe disse que está chegando também. — Mas amor... tem apenas dois dias que você passou por uma cirurgia. Se eu te deixar sozinho e você precisar de algo? — Anjo... — acariciei sua bochecha e juntei novamente nossas bocas, sentindo o respirar bater em minha pele. — Eu ficarei bem, e Rosé vem daqui a pouco para verificar eu e o bebê... Eu não vou ficar sozinho por muito tempo. Jungkook ficou quieto, parecia criar uma luta interna enquanto olhava para mim e o bebê. — Pode ir tranquilo. — Reafirmei. — Tudo bem... Mas fica com o celular perto, qualquer coisa me liga que eu volto correndo, tudo bem? — assenti e ele olhou para a cama. — Vem, deita aqui pertinho do botão da enfermeira, daí não tem risco nenhum. Caminhei devagar, recebendo a ajuda dele, e sentei na cama. Jungkook puxou o pequeno bercinho e o colocou colado com a cama. — Tem certeza? — ele perguntou, nos olhando com seus olhos grandes, enquanto mordiscava o lábio inferior. — Eu tenho amor. — Jiwan choramingou um pouquinho, e despertou, puxando minha blusa. — Eu irei dar de mamar a ele, em seguida esperarei a enfermeira. Ele respirou fundo e assentiu, vindo até a mim e deixou um beijo sobre minha testa, em seguida deixou um em meus lábios. — Esse elefantinho não para de mamar, não é? Olha essas bochechas enormes. — Mamãe disse que ele é quase uma cópia minha quando era bebê. — Então já sei que ficará lindo quando crescer, na verdade ele já é, então só ficará mais. Jiwan focou os olhos no rosto dele, em seguida começou a murmurar sons baixinhos. — Você quer conversar? — Jungkook perguntou tocando o dedo sobre a bochecha gorducha. — Você pode tomar conta do papai mochi, só por uns minutinhos? O bebê sorriu brevemente para ele, e ergueu o bracinho, ainda sem coordenação, tentando tocar o dedo por reflexo. — Ele gosta de você, amor. — Você gosta de mim? — o bebê sorriu novamente e jungkook faltou se derreter. — Que elefantinho mais lindo. — Olha só as perninhas — sorri vendo o bebê acordado e completamente ativo, enquanto o encarava piscando, atento a jungkook. — Vocês são perfeitos. — Jungkook disse e me beijou delicadamente. — Eu preciso ir, está bem? Assenti e recebi outro beijo, seguido de outro e mais outro. — É muito difícil dizer tchau a vocês. Sorri e Jiwan voltou a puxar minha blusa. — Estaremos bem. — Tudo bem. — Jungkook ficou de pé. — Precisa amamentar esse elefantinho, e quando menos esperar, já estarei de volta. — Dirija com cuidado, ok? — Sempre. Eu ainda tenho muito para viver. Preciso ver esse pequeno crescer, e ainda nem fizemos os outros irmãos. — Eu acabei de sair de uma gravidez, e você já fala em outros? — Estou brincando. — ele sorriu. — Acho bom mesmo. — Mas olha, se quer saber, a nossa cama para fazer amor já foi comprada. Está à nossa espera. — ele sorriu mostrando os dentinhos de coelho, completamente safado. — Você não existe, Kook... Jungkook me deu um último selar e se afastou. — Não se esqueça de me ligar se precisar. — Ok. — E o botão da enfermeira está bem aí, ok? — ok. — E o Hyung já está vindo, ele te fará companhia. — Tudo bem. — E o- — Tchau Kookie. Ele sorriu e se despediu assim indo resolver o tal problema. Deixando apenas eu e o bebê ali. [...] — Com licença. — Enfermeira rosé entrou sorrindo. — Oh, pode entrar. — Como está se sentindo hoje senhor Park? Alguma dor? — Não, tudo ok. — sorri e a vi se aproximar do bebê que brincava com as próprias mãos, enquanto estava deitadinho no berço. — Ele é tão calminho, não é? — É sim... Ele só pede para mamar, e fica assim quietinho. Isso é normal não é? — Claro que é. — ela sorriu. — Vou precisar dar banho nele agora. — Claro. Rosé pegou com cuidado o bebê e o levou até o trocador. Enquanto ela o despia, ouvi batidas na porta e em seguida a mamãe adentrou o lugar. — Oh, cheguei na hora certinha. — ela sorriu para Rosé, vendo o bebezinho jogar as perninhas para cima. — oi amorzinho da vovó. — Mãe. — a chamei e sorri, vendo-a vim até a mim, para me dar um abraço. — Tudo bem com você, Chimmy? — Tudo sim. Jungkook foi até a cafeteria... Eu mandei uma mensagem para ele dizendo que a senhora estava com saudade da torta dele e ele disse que iria trazer para nós dois! — Chimmy, Você me usa para ganhar torta? — ela sorriu e deixou a pequena sacola que trouxe, sobre a cama. — Mas é claro. Mas antes perguntarei ao doutor se posso comer, devido à recuperação e à amamentação. — Tudo bem. Mas trouxe um suco de laranja para você, é natural. Assenti e a vi ir até Rosé, que já dava banho em jiwan que se mantinha quietinho. — Você não costumava ser quietinho assim, Chimmy! Quando você tinha que tomar banho, abria o maior berreiro. — Ele é bem calmo. Apenas mama e dorme. — Fiquei de pé, ainda tendo um pouco de dificuldade e fui até elas. — Posso ajudar no banho no meu elefantinho? — Elefantinho? — Mamãe perguntou franzindo as sobrancelhas. — Jungkook é quem deu esse apelido. Ele disse que Jiwan só quer saber de mamar, e é uma bolinha gorducha, igual um filhotinho de elefante. Rosé riu ao lado, junto a mamãe, e devagar me entregou o bebê. — Segure firme, para que ele não escorregue. Ela me ensinou a como fazer de maneira paciente. Me mostrou como deveria segurar o bebê e como deveria tomar cuidado com a água, para não entrar em lugares que não deveria. Após alguns minutos, tendo um pouco de dificuldade, consegui finalizar o banho, trocando a fralda e pondo toda a roupinha limpa, fazendo tudo sozinho. Mamãe olhava tudo com muito cuidado, e sorriu quando viu o resultado final do bebê. — Você leva muito jeito Chimmy, é um ótimo pai, sabia? Sorri segurando o pequeno bebê, enquanto penteava os cabelos espetadinhos, tendo um pouco de dificuldade para deixá-los no lugar. Depois de cerca de meia hora, Jungkook retornou e trouxe consigo dois pedaços de torta de chocolate. — amor, você ainda não dormiu, deveria ter ido para casa. — falei notando seu semblante cansado. — e dirigiu assim, foi perigoso. Eu deveria ter te pedido para ir de táxi. — Estou bem amor. — ele deixou um beijo sobre o topo de minha cabeça e sentou-se à mesa. — Estou inteirinho e sem sono algum. Mas foram cerca de cinco minutos até Jungkook dormir ali mesmo, com a mão apoiada na mesa e suas bochechas repousando por cima. — Que dó... — falei. — Mas ele é tão teimoso. — Ele é bem esforçado filho. Quer te ajudar e ficar com o bebê, me lembra bastante do seu pai. — Ele não lembra o papai em nada... Jungkook nunca faria o que ele fez... Eu sabia que já formava um bico, mas era impensado. Sempre que mamãe falava no papai eu reagia assim. Era como se o garotinho abandonado ainda sentisse mágoa. — Chimmy... Seu pai era incrível com você, meu anjo. — a vi suspirar. — Os erros não mudam quem um dia ele foi. Ele foi um bom pai. — Ele foi um mentiroso! — Não fale assim... — Eu só... — bufei. — Sinto falta dele. Estive imaginando como ele reagiria se soubesse da existência do neto. Mas ele nem sequer se preocupou com a do filho... Mamãe sentou-se ao meu lado, abraçando meus ombros. Apoiei minha cabeça no ombro dela, e recebi de bom grado o carinho sobre meus cabelos. O assunto sobre o papai não retornou, trazia tanta mágoa para mim quanto para ela. Então apenas ficamos juntos em silêncio por longos minutos, até que Hyun batesse na porta e entrasse todo sorridente, já fitando Jiwan. — Olá. — ele sorriu. — Boa tarde, Minnie. Boa tarde, senhora Park. — Boa tarde filho. — mamãe sorriu e se afastou o deixando sentar ao meu lado. — Como está o nosso pequeno? — Manhoso. — sorri e o entreguei jiwan, ouvindo os resmungos baixos dele. — Vê? Só quer ficar no colo. — Oi meu amor. — Hyun apoiou o bebê sobre seu colo, deixando o bebê de barriga para cima. — Você está lindo hoje, sabia? — Jiwan estava focado no rosto do Hyun, parecendo curioso quanto a ele. — Como está a sua recuperação, Hyun? — Só mais uma semana e já vou poder sair... Não aguento nem mais um dia aqui. — Teremos alta amanhã, mas assim que você sair daqui pode nos visitar quando quiser. — Eu sei Minnie — ele levantou o bebê, e o colocou sobre o braço. — Jungkook me deu o endereço. — Você pensou sobre o que eu conversei com você naquele dia? — Não há o que pensar, eu entendo que a vida nos fez assim. Jungkook entenderá. — Ele irá. Ele é um anjo, só não sei como o conto. Ele pode desmaiar e nem é brincadeira. — Vocês terão o momento certo para conversarem... Mas agora me diga, por que ele está babando sobre a mesa? Olhei para Jungkook que tinha a bochecha amassada pelas mãos, e sorri. — Ele está cansado... Passou a noite com o bebê para que eu dormisse um pouco. — Me desculpe por não poder ajudar muito por enquanto. O doutor m*l me libera para vir aqui... — Tudo bem. — sorri e toquei a bochecha do bebê, que logo me olhou atento. — Eu sei que você não tem escolha, Hyun. — Mas logo, logo, terei alta e poderei me dedicar. Eu vou fazer o máximo para te ajudar, até mesmo para que volte a trabalhar como sei que quer. — Você não faz ideia... — Chimmy vem comer. — Mamãe chamou, colocando o suco sobre a mesa, junto a comida que o próprio hospital fornecia, já que a torta que Jungkook levou ainda não podia ser ingerida por mim para não causar complicações ao bebê que ainda tinha seu estômago tão novo se acostumando. Sorri para Kihyun e deixei-o com o bebê. Fui até a mamãe e sorri ao sentar de frente para Jungkook, que ainda dormia alheio ao que acontecia ao redor. [...] — Cadê o papai? — Hyun falava olhando para o bebê dentro do berço. Se escondendo e depois voltando, parecendo um completo bobo. — Cadê o papai? Jungkook levantou a cabeça, franzindo as sobrancelhas enquanto ouvia-o e olhava-o, não entendendo nada do que acontecia. — Eu dormi? — Jungkook perguntou agora me olhando e limpando a baba que escorria pelo canto de sua boca. Seu rosto estava parcialmente amassado e seus cabelos todos de pé. Assenti. — Quantas horas foram? — Umas quatro. — Fiquei de pé e fui até ele, sentando-se bem ao seu lado, e acariciando seus cabelos. — Você está cansado, amor... Você não dorme direito há dois dias. — E não dormiria por mais dois, ou até vinte. Quantos forem precisos, eu não ligo. — Mas isso não fará bem para a sua saúde, está claramente exausto. — Estou mesmo bem, você quem precisa descansar sempre, amor... Jiwan precisa muito de você, eu faço isso porque amo vocês dois. — Eu fico com ele essa noite, certo? — Do jeitinho que ele está bem acordado, olhando a cara de bobo do hyung, eu acho que ele dorme a noite toda. Então dormiremos um pouco. — Eu ouvi isso! — Hyun falou olhando para nós dois. — Você parece um bobo mesmo, Hyung. Olhe só Jiwan, está se perguntando: O que esse doido está fazendo? Eu 'tô vendo ele aqui oras. Hyun riu olhando Jiwan realmente lhe encarar. Mamãe que estava ao lado dele tirou uma foto de ambos juntos. No final da tarde, Jin veio nos ver, mas não demorou muito, pois estava responsável em acompanhar lalisa e o quartinho de jiwan na casa de jungkook e estava inteiramente animado. Quando já estava anoitecendo, o celular de Kihyun tocou e ele sorriu ao ver o nome de quem lhe ligava piscar na tela. — Já está aqui?... Estou com Jiwanie. Ah, sim, ele está bem... Ok. Estou indo. Beijos. — Encerrando a ligação, Kihyun deu um beijinho sobre Jiwan no berço e ficou de pé. — Tenho que ir agora. Chae está aqui. — Aqui no hospital? — Pergunto. — Sim, ele veio para resolvermos algumas coisas da empresa. — O Chae é? Hm... — Olhei para Jungkook e ri junto a ele. Aquela era a segunda vez que Chae Hyungwon ia até o hospital, "tratar" de negócios com Kihyun. — Sabe hyung... O Chae é um cara muito bonito. — Jungkook falou prendendo o riso. — É hyun, ele é bem bonito mesmo... E o pouco que o conheço, sei que é um cara do bem. — completei. — O que estão insinuando? — Nós? — me fiz de desentendido e jungkook riu mais. — Nada poxa... Apenas falamos, né kook-ah? — É Hyung, só falamos. — U-hum... — Ele nos olhou, semicerrando os olhos, negando. — Vocês não me enganam. — Tchau hyun. — sorri e fui até ele, piscando um dos olhos. — Boa reunião com o Chae. Ele riu e saiu. — Chimmy, acho que esse bebezinho quer mamar. — mamãe falou, vendo o pequeno chupar com força os dedinhos. — Agora entendo o jungkook. — Como assim? — busquei meu pequeno no berço, e sentei sobre o sofá. — Sobre ser um Elefantinho... Eu o entendo agora.
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