À noite no hospital não foi nada legal.
Graças ao universo não senti nenhuma dor ou desconforto, referente ao bebê, mas o ambiente hospitalar nunca foi o meu preferido. E dormir ali, não era nada fácil.
Felizmente consegui tirar um cochilo, algo rápido, coisa de duas ou três horas, mas nada, além disso.
— Com licença... — ergui meus olhos encontrando o mesmo rapaz da noite anterior, parado na porta do quarto.
Ele sorriu contido, e se curvou minimamente, me cumprimentando.
— Bom dia... Jimin?
— Isso. — sorri ainda sem graça para ele, o respondendo. — Bom dia, Jeon.
— Como passou a noite? — perguntou, se aproximando um pouco, vestindo um casaco preto gigante, de capuz, e me ajudando, a sair da cama.
O olhei rapidamente, e julguei suas vestes. Parecia um adolescente.
— Acordado... É muito difícil dormir numa cama que não é a minha.
Ele assentiu sorrindo, e ouvimos batidas leves na porta.
Olhei rapidamente para a porta e vi a mesma doutora que havia me atendido no dia anterior, entrar.
— Com licença, bom dia. — sorriu. — Como se sente senhor Park?
— Com sono. — brinquei com ela, a fazendo sorrir também. — Não consigo dormir em uma cama que não seja a minha, é muito difícil.
— Terá muito tempo para dormir e descansar.
Ela anotou algo num papel, e logo me entregou.
— Esta é a sua liberação. Já assinei. Mas não esqueça sobre o que te pedi, ok? Repouso total e imediato. Queremos que esse bebezinho e o seu papai fiquem muito bem de saúde, não é? — ela olhou para Jeon, o pegando de surpresa com a pergunta, mas ele assentiu, sorrindo e me olhando também.
— Certo. A conta do hospital também já foi paga, então o senhor já está liberado para ir.
— Espera, como assim já foi paga? Quem pagou?
Jeon levantou a mão rapidamente, sorrindo e mostrando seus dentes de coelho outra vez.
— Eu paguei.
— Mas... Não. Você não podia... Quanto que foi? Eu irei te pagar o prejuízo! — Busquei minha bolsa, onde estava minha carteira, mas ele me impediu, negando com a cabeça.
— Não precisa Jimin. — ele sorriu e mesmo sem entender o porquê de sua atitude, assenti o olhando.
Esse cara é o cara mais estranho que já vi. E veja que na minha vida, ficar cercado de gente estranha é quase comum.
— Ok...
— Bom, eu vou indo. Espero não te ver por aqui. — A doutora sorriu se despedindo.
— Eu também. — ela deu um último tchauzinho e se foi.
Olhei o rapaz parado à minha frente, com as mãos juntas ao corpo, olhando tudo ao redor.
— Então... — trouxe a atenção dele para mim. — Vamos?
Ele assentiu rápido, e ainda bastante prestativo segurou meu pulso para que conseguisse calçar as sandálias ofertadas pelo hospital, e buscou todas as minhas sacolas.
Sorri, caminhando devagar para fora do quarto, seguido por ele, que carregava tudo sozinho.
— Desculpa te fazer passar por isso.
— Não é nada. — ajeitou as sacolas na mão, e se apressou em chamar o elevador.
— Eu preciso te pagar, é sério.
— Já te disse que não precisa.
— Cara, você é doido? — Entrei no elevador, e parei de frente a ele, com as mãos na cintura. — Você não pode sair pagando as dívidas dos outros assim.
Ele me olhou sério, até um pouco assustado, mas depois de 2 segundos, caiu na gargalhada.
— Desculpa, é que você ficou bem fofo com as mãos na cintura.
O olhei sem acreditar. Ele está me chamando de fofo? Eu, que Possivelmente sou mais velho que ele e estou grávido? Mereço respeito poxa.
— Eu não sou fofo. E você está errado. Diga-me o preço que pagou no hospital, que irei pagar.
O elevador abriu, e seguimos para o lado de fora.
— Irá mesmo pagar? Olha que foi bem caro viu...
— Está insinuando que eu não posso te pagar? — o olhei, pondo novamente a mão na cintura. Era uma mania minha de quando ficava nervoso.
Ele parou em frente a um carro, na qual eu não saberia dizer a marca, mas sei que com certeza, é bem caro e o destravou.
— Eu não insinuei nada.
Colocou as sacolas no banco de trás do carro, e abriu a porta do passageiro para que eu pudesse entrar.
O olhei nos olhos, e depois olhei para o carro.
— Ok, mas antes me responda o que você é...? Você tem um carro que vale mais que minha casa, e um rosto de um garoto dezoito, então o que você é?
Ele arqueou uma de suas sobrancelhas me olhando, e depois olhou para o carro.
— Isso importa?
— Claro que importa. Eu terei que entrar aí, ao menos, me responda... Qual a sua idade?
— Vinte...
Minha nossa, é quase um adolescente mesmo.
— e a sua?
— vinte e seis.
— Você é meu hyung. — sorriu e eu não achei a mínima graça.
— Não me chame assim... não temos i********e e me faz parecer velho.
— Vou te chamar de oppa então. Oppa você quer entrar, por favor?
Gargalhei, sem conseguir me controlar e neguei com a cabeça.
— Me chame por Jimin.
Ele sorriu e assentiu. Entrei no carro, mesmo sem saber ao certo quem era o garoto, e ditei meu endereço para que ele pudesse me deixar em casa.
A viagem, não foi nada silenciosa. Ele adora falar, e às vezes fala sobre coisas aleatórias.
Descobri que sua ida ao centro foi para comprar telas, mas quando me animei ao pensar que pintava, apenas disse que desenhava por puro hobby.
O contei um pouco sobre mim também, em como era um pintor, e até prometi-lhe mostrar algumas de minhas telas, terminadas que iriam para a próxima exposição de Seul e Daegu.
Assim que chegamos ao meu prédio, pedi para não se importar muito com as sacolas, que pediria ajuda ao porteiro, mas ele recusou a ideia e fez questão de levá-las até meu apartamento.
Vocês agora devem estar pensando: meu deus, Park Jimin é louco. Está indo em direção ao seu apartamento com um total estranho.
Mas era a verdade, eu realmente sou um louco que estava subindo o elevador em direção a minha casa com um total estranho, mas de algum jeito, ele não me passava a insegurança que um estranho normalmente passava.
— Onde posso deixá-las? — perguntou e apontei para o sofá. Ele me olhou, com o olhar de repreensão. — Um lugar onde você nem ouse erguer essa sacola. Está de repouso esqueceu? Aliás, toma aqui. — me estendeu seu celular. — coloca aqui teu número que a hora que você precisar, é só me ligar.
Peguei o celular de suas mãos, o olhando com estranhamento.
— Mas o correto não seria eu ter o teu número? — Coloquei meu número e salvei o entregando o aparelho de volta. — para quando "precisar" te chamar? — falei entre aspas, porque era claro, que eu não iria precisar novamente. Talvez nós nem nos víssemos mais.
— E terá. — fez uma ligação rápida para mim. — agora é só salvar. Você tem o meu, e eu tenho o seu.
Sorriu, começando a caminhar, procurando um lugar para deixar as sacolas do bebê.
— Põe no meu quarto. — Abri a porta do cômodo, e indiquei-lhe o closet.
— Ainda não comprei um lugar para guardar as coisas do bebê.
— Por falar em bebê... Eu posso te fazer uma pergunta? — falou, já saindo do quarto.
— Acho que sim.
— Com quanto tempo está? Digo... Sua barriga é pouco perceptível.
— Acabei de entrar no quarto mês. Ela ainda é bem pequena, mas daqui a uns dias irá crescer muito.
Sorri, alisando a barriga.
— Espero poder te ver assim, você irá ficar bem fofo.
Sorri desta vez, imaginando como ficaria com a barriga maior.
— Bem... Acho que está tudo certo, né?
— Já vai? — perguntei sem pensar, e ele me olhou sorrindo e assentiu.
— Não quer um café? Uma água?
— Um jantar. — disse simples.
— Como?
— Um jantar. Com você.
Pisquei várias vezes, tentando entender o que ele queria.
— É o preço, você não queria saber? Esse é o preço que cobro pelo hospital.
— Mas isso é... Você não pode... É...
— Estou brincando Jimin, na parte do pagamento, óbvio. Mas eu realmente quero que aceite meu convite para um jantar.
— Porque quer jantar comigo?
— Eu te achei bastante interessante, e você parece ser uma boa pessoa.
— Você não está jogando uma cantada para um cara grávido, Está?
— Apenas como amigos, Park. — ele me olhou sorrindo, e semicerrei os olhos. De alguma forma as palavras dele pareciam falsas.
— Ok. — lancei a palma em sua direção e ele olhou estranhando meu ato. — É para apertar... Você sabe? Você pega a sua mão e aperta a minha.
Jeon sorriu, negando com a cabeça e juntou nossas mãos, selando nosso "acordo", no qual nem eu mesmo sabia qual era.
— Te mando uma mensagem Park. — abriu a porta, mas antes de sair por completo, me olhou e sorriu. — Não esqueça, é repouso completo.
Revirei os olhos e assenti.
— até mais.
— até mais Jeon.