Um estranho legal

1573 Palavras
À noite no hospital não foi nada legal. Graças ao universo não senti nenhuma dor ou desconforto, referente ao bebê, mas o ambiente hospitalar nunca foi o meu preferido. E dormir ali, não era nada fácil. Felizmente consegui tirar um cochilo, algo rápido, coisa de duas ou três horas, mas nada, além disso. — Com licença... — ergui meus olhos encontrando o mesmo rapaz da noite anterior, parado na porta do quarto. Ele sorriu contido, e se curvou minimamente, me cumprimentando. — Bom dia... Jimin? — Isso. — sorri ainda sem graça para ele, o respondendo. — Bom dia, Jeon. — Como passou a noite? — perguntou, se aproximando um pouco, vestindo um casaco preto gigante, de capuz, e me ajudando, a sair da cama. O olhei rapidamente, e julguei suas vestes. Parecia um adolescente. — Acordado... É muito difícil dormir numa cama que não é a minha. Ele assentiu sorrindo, e ouvimos batidas leves na porta. Olhei rapidamente para a porta e vi a mesma doutora que havia me atendido no dia anterior, entrar. — Com licença, bom dia. — sorriu. — Como se sente senhor Park? — Com sono. — brinquei com ela, a fazendo sorrir também. — Não consigo dormir em uma cama que não seja a minha, é muito difícil. — Terá muito tempo para dormir e descansar. Ela anotou algo num papel, e logo me entregou. — Esta é a sua liberação. Já assinei. Mas não esqueça sobre o que te pedi, ok? Repouso total e imediato. Queremos que esse bebezinho e o seu papai fiquem muito bem de saúde, não é? — ela olhou para Jeon, o pegando de surpresa com a pergunta, mas ele assentiu, sorrindo e me olhando também. — Certo. A conta do hospital também já foi paga, então o senhor já está liberado para ir. — Espera, como assim já foi paga? Quem pagou? Jeon levantou a mão rapidamente, sorrindo e mostrando seus dentes de coelho outra vez. — Eu paguei. — Mas... Não. Você não podia... Quanto que foi? Eu irei te pagar o prejuízo! — Busquei minha bolsa, onde estava minha carteira, mas ele me impediu, negando com a cabeça. — Não precisa Jimin. — ele sorriu e mesmo sem entender o porquê de sua atitude, assenti o olhando. Esse cara é o cara mais estranho que já vi. E veja que na minha vida, ficar cercado de gente estranha é quase comum. — Ok... — Bom, eu vou indo. Espero não te ver por aqui. — A doutora sorriu se despedindo. — Eu também. — ela deu um último tchauzinho e se foi. Olhei o rapaz parado à minha frente, com as mãos juntas ao corpo, olhando tudo ao redor. — Então... — trouxe a atenção dele para mim. — Vamos? Ele assentiu rápido, e ainda bastante prestativo segurou meu pulso para que conseguisse calçar as sandálias ofertadas pelo hospital, e buscou todas as minhas sacolas. Sorri, caminhando devagar para fora do quarto, seguido por ele, que carregava tudo sozinho. — Desculpa te fazer passar por isso. — Não é nada. — ajeitou as sacolas na mão, e se apressou em chamar o elevador. — Eu preciso te pagar, é sério. — Já te disse que não precisa. — Cara, você é doido? — Entrei no elevador, e parei de frente a ele, com as mãos na cintura. — Você não pode sair pagando as dívidas dos outros assim. Ele me olhou sério, até um pouco assustado, mas depois de 2 segundos, caiu na gargalhada. — Desculpa, é que você ficou bem fofo com as mãos na cintura. O olhei sem acreditar. Ele está me chamando de fofo? Eu, que Possivelmente sou mais velho que ele e estou grávido? Mereço respeito poxa. — Eu não sou fofo. E você está errado. Diga-me o preço que pagou no hospital, que irei pagar. O elevador abriu, e seguimos para o lado de fora. — Irá mesmo pagar? Olha que foi bem caro viu... — Está insinuando que eu não posso te pagar? — o olhei, pondo novamente a mão na cintura. Era uma mania minha de quando ficava nervoso. Ele parou em frente a um carro, na qual eu não saberia dizer a marca, mas sei que com certeza, é bem caro e o destravou. — Eu não insinuei nada. Colocou as sacolas no banco de trás do carro, e abriu a porta do passageiro para que eu pudesse entrar. O olhei nos olhos, e depois olhei para o carro. — Ok, mas antes me responda o que você é...? Você tem um carro que vale mais que minha casa, e um rosto de um garoto dezoito, então o que você é? Ele arqueou uma de suas sobrancelhas me olhando, e depois olhou para o carro. — Isso importa? — Claro que importa. Eu terei que entrar aí, ao menos, me responda... Qual a sua idade? — Vinte... Minha nossa, é quase um adolescente mesmo. — e a sua? — vinte e seis. — Você é meu hyung. — sorriu e eu não achei a mínima graça. — Não me chame assim... não temos i********e e me faz parecer velho. — Vou te chamar de oppa então. Oppa você quer entrar, por favor? Gargalhei, sem conseguir me controlar e neguei com a cabeça. — Me chame por Jimin. Ele sorriu e assentiu. Entrei no carro, mesmo sem saber ao certo quem era o garoto, e ditei meu endereço para que ele pudesse me deixar em casa. A viagem, não foi nada silenciosa. Ele adora falar, e às vezes fala sobre coisas aleatórias. Descobri que sua ida ao centro foi para comprar telas, mas quando me animei ao pensar que pintava, apenas disse que desenhava por puro hobby. O contei um pouco sobre mim também, em como era um pintor, e até prometi-lhe mostrar algumas de minhas telas, terminadas que iriam para a próxima exposição de Seul e Daegu. Assim que chegamos ao meu prédio, pedi para não se importar muito com as sacolas, que pediria ajuda ao porteiro, mas ele recusou a ideia e fez questão de levá-las até meu apartamento. Vocês agora devem estar pensando: meu deus, Park Jimin é louco. Está indo em direção ao seu apartamento com um total estranho. Mas era a verdade, eu realmente sou um louco que estava subindo o elevador em direção a minha casa com um total estranho, mas de algum jeito, ele não me passava a insegurança que um estranho normalmente passava. — Onde posso deixá-las? — perguntou e apontei para o sofá. Ele me olhou, com o olhar de repreensão. — Um lugar onde você nem ouse erguer essa sacola. Está de repouso esqueceu? Aliás, toma aqui. — me estendeu seu celular. — coloca aqui teu número que a hora que você precisar, é só me ligar. Peguei o celular de suas mãos, o olhando com estranhamento. — Mas o correto não seria eu ter o teu número? — Coloquei meu número e salvei o entregando o aparelho de volta. — para quando "precisar" te chamar? — falei entre aspas, porque era claro, que eu não iria precisar novamente. Talvez nós nem nos víssemos mais. — E terá. — fez uma ligação rápida para mim. — agora é só salvar. Você tem o meu, e eu tenho o seu. Sorriu, começando a caminhar, procurando um lugar para deixar as sacolas do bebê. — Põe no meu quarto. — Abri a porta do cômodo, e indiquei-lhe o closet. — Ainda não comprei um lugar para guardar as coisas do bebê. — Por falar em bebê... Eu posso te fazer uma pergunta? — falou, já saindo do quarto. — Acho que sim. — Com quanto tempo está? Digo... Sua barriga é pouco perceptível. — Acabei de entrar no quarto mês. Ela ainda é bem pequena, mas daqui a uns dias irá crescer muito. Sorri, alisando a barriga. — Espero poder te ver assim, você irá ficar bem fofo. Sorri desta vez, imaginando como ficaria com a barriga maior. — Bem... Acho que está tudo certo, né? — Já vai? — perguntei sem pensar, e ele me olhou sorrindo e assentiu. — Não quer um café? Uma água? — Um jantar. — disse simples. — Como? — Um jantar. Com você. Pisquei várias vezes, tentando entender o que ele queria. — É o preço, você não queria saber? Esse é o preço que cobro pelo hospital. — Mas isso é... Você não pode... É... — Estou brincando Jimin, na parte do pagamento, óbvio. Mas eu realmente quero que aceite meu convite para um jantar. — Porque quer jantar comigo? — Eu te achei bastante interessante, e você parece ser uma boa pessoa. — Você não está jogando uma cantada para um cara grávido, Está? — Apenas como amigos, Park. — ele me olhou sorrindo, e semicerrei os olhos. De alguma forma as palavras dele pareciam falsas. — Ok. — lancei a palma em sua direção e ele olhou estranhando meu ato. — É para apertar... Você sabe? Você pega a sua mão e aperta a minha. Jeon sorriu, negando com a cabeça e juntou nossas mãos, selando nosso "acordo", no qual nem eu mesmo sabia qual era. — Te mando uma mensagem Park. — abriu a porta, mas antes de sair por completo, me olhou e sorriu. — Não esqueça, é repouso completo. Revirei os olhos e assenti. — até mais. — até mais Jeon.
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