[Domingo dia do jantar]
— Meu deus, o que eu irei vestir?
Choraminguei em frente ao meu grande closet, tentando imaginar algo que desse para vestir, e que ao mesmo tempo me deixasse elegante.
— Eu não posso mais usar essa calça... Nem esse casaco — retirei as duas peças que já estava cansado de vestir.
Corri para o banheiro, decidindo tomar um banho de banheira para relaxar, e depois resolveria qual roupa usaria.
No banheiro, enchi a banheira e coloquei alguns sais de banho, para me deixar relaxado e perfumado.
Entrei na água, e quase gemi de prazer com a sensação gostosa da água.
Meu celular que estava ao lado logo vibrou, mostrando que havia recebido uma nova mensagem, e nem me espantei quando vi quem havia mandado.
Jeon: Tem certeza que não quer jantar no palace? Eu consigo reservas para nós dois ainda hoje.
Me: Jungkook você já me perguntou isso mais de dez vezes somente hoje, e a resposta continua a mesma.
Jeon: Mas eu queria te levar para um bom lugar.
Me: qualquer lugar pode ser um bom lugar, basta ter uma boa companhia. E eu também não tenho roupas à altura que caibam mais em mim, então está fora de cogitação.
Jeon: O pequeno jiwan está crescendo rápido não é?
Me: Ou a pequena, não esqueça que há essa chance.
A verdade é que depois que Hyun me disse que achava que era uma menina, passei a acreditar na possibilidade também.
Jeon: Claro que há, e seria uma linda garotinha, mas deposito todas as minhas chances de que é um garotão.
Me: Ok então, mas agora eu e o garotão temos que relaxar um pouco, então pode retornar ao meu maravilhoso banho de banheira?
Jeon: Ok, qualquer coisa me avisa, tá?
Me: Ok, te vejo em breve.
Bloqueei o celular, e voltei a relaxar em minha banheira.
Mais ou menos, uma hora depois decidi sair, e começar novamente a batalha atrás de algo que ficasse bom.
Depois de quase todas as roupas estarem no chão, estava eu, vestido em uma calça de lycra e uma camisa cinza confortável, com apenas meu casaco bege por cima.
Eu sei que é triste, mas é apenas o que tenho em meu closet, que não fique a ponto de arrebentar e que me deixe confortável.
Fiz uma maquiagem bem básica, e arrumei meus cabelos.
A dor desconfortável havia voltado novamente, mas algo bem sutil e quase imperceptível, apenas algo que vinha e ia.
Sentei-me sobre o banco de apoio que havia ali, e respirei esperando a dor passar, e pensando se eu devia mesmo sair sentindo aquilo.
Enquanto tentava afastar a dor, meu celular tocou, e o nome "Jeon" piscou ao centro.
— Oi...
— Jimin? Já estou indo te buscar, ok?
— ah... Tudo bem...
— Está tudo bem?
— Sim, só senti uma dorzinha incômoda, mas daqui a pouco passa. Vou deixar sua entrada liberada e a porta aberta, está bem?
— Ok, chego em 20 minutos.
Encerrei a ligação, e fui até o interfone, avisar que Jeon poderia subir direto.
Depois que Kihyun entrou aqui sem ser avisado, dei um puxão de orelha no porteiro.
Mesmo que a situação com Kihyun tenha se normalizado, ele precisa ser avisado quando chegar, ele e qualquer um.
Sentei no sofá, ponto minhas pernas no centro da sala, e respirando fundo, sentindo a dor diminuir e vim com menos frequência.
Depois de mais ou menos 15 minutos, ouvi batidas sutis na porta, e quando me virei para olhar, vi Jungkook, vestido em uma calça social preta justa, uma camisa gola alta também preta e justa, e um blazer por cima.
O olhei de cima a baixo, e percebi que ele realmente gosta de gola alta, e não que eu esteja reclamando, porque p**a que pariu, ele está lindo, e gostoso, e não está nem um pouco parecido com o adolescente que conheci há semanas atrás.
Levantei-me fazendo uma careta, ainda sentindo um pouco de dor no baixo ventre, mas nada que me atrapalhasse.
— Sinto que não estou vestido a caráter. — sorri para ele, e o vi me analisar de cima a baixo. — Vamos?
— Nada disso. — ele segurou minha cintura e me deu um selinho.
Espantei-me com o selinho, mas tudo que ele fez foi sorrir e acariciar meu rosto.
— Não iremos mais sair para jantar, você está com dor... vi em seu rosto.
— Mas... Eu me arrumei todinho e estou com fome.
Fiz um bico que sabia que conseguiria qualquer coisa.
— Não adianta fazer bico, Park. — ele sorriu e levantou as sacolas do palace para que eu as notasse. — Trouxe o jantar, se não se importa.
— Você comprou o jantar no palace? — Olhei-o sem acreditar, já caminhando para a mesa de jantar.
— Eu te disse que queria te levar no melhor lugar, mas como está com dor, e o bebê é o mais importante aqui, trouxe o jantar até nós... E se eu não me engano, disse que dependendo da companhia, tudo fica melhor, não é? Espero que eu seja uma boa companhia.
Sorri para ele, confirmando.
— Você é.
— Agora se sente aqui — puxou a cadeira da mesa. — Se não se importa irei mexer nos seus pratos, tudo bem?
— Tudo. — Sentei e apontei para o armário. — Ficam na terceira porta de baixo.
Ele assentiu e caminhou até lá, e aproveitei para o olhar mais um pouco. Jeon tinha as pernas torneadas, marcadas pela calça apertada, e seu peitoral marcava sutilmente sobre a camisa também, e tinha o blazer que lhe dava um ar mais sério, e sexy ao mesmo tempo... Se eu não estivesse grávido, com certeza iria aproveitar bem esta noite... Com certeza iria.
Ele me olhou da cozinha, e sorriu, separando alguns pratos e talheres.
— Ainda não pude dizer, mas você está lindo hoje. — disse sentando a mesa, abrindo as sacolas. — trouxe risoto de abóbora, espero que goste.
— Amo o risoto de abóbora de lá, você acertou em cheio. — o ajudei a desembalar as marmitas. — E obrigado pelo elogio, mesmo eu estando redondo feito uma melancia.
— Mas ainda é a melancia mais linda que já vi.
Neguei, e peguei nossos pratos, os servindo.
— Como está a dor? Dói muito?
— Não... Acho que toda essa coisa do Hyun e da gravidez, me deixou um pouco cansado e estressado.
— Ah... Hyun, é o pai do bebê, não é isso?
— Sim, Kihyun...
— Ele está bem? Vi algumas notícias sobre a doença.
— Não sei... Nós não conversamos muito, apenas o básico e necessário.
— Vocês... Hm... Estão separados, ou pretendem voltar? — ele perguntou começando a comer.
Dei a primeira garfada, e levei um pouco do risoto à boca, sentindo o sabor dos deuses que era aquilo.
— Não... Nós não iremos voltar.
— Ah. — ele concordou com a cabeça.
— Eu iria trazer um vinho, mas como sei que não pode ingerir álcool, comprei suco de uva. — ele sorriu ao mostrar a garrafa.
— Sem problemas. — levantei e busquei dois copos na cozinha.
Quando voltei o olhar de Jungkook estava sobre mim, e era até estranho o olhar dele, que parecia me admirar.
— Aqui. — Coloquei os copos sobre a mesa, e ele os serviu.
— E como anda a cafeteria? Ou devo dizer cafeterias? — sentei e voltei a comer, admirando todo o rosto bonito de perto e o jeito engraçado que ele comia, parecia realmente um coelhinho mastigando rápido.
— Vai bem, estou pensando em abrir a vigésima, mas em busan, minha cidade natal.
— Sério? Eu também nasci em Busan, minha mãe ainda mora lá. Conhece o Hotel Park?
— Woah, não me diga que é da sua família?
— É sim. — sorri assentindo com a cabeça, vendo Jungkook boquiaberto.
— Ele é simplesmente lindo, Jimin-ah! meu sonho sempre foi ir lá.
— Você nunca foi?
— Não, mas agora sei que já tenho um pretexto para te levar na inauguração e conhecer aquele hotel.
— Mas você disse que ainda está pensando sobre a cafeteria... Quando for inaugurá-la, Jiwan já terá nascido.
— Sem problema, posso colocar uma cadeira de bebê no meu carro.
Neguei novamente e o olhei.
O que será que esse garoto realmente está querendo?
— E você, Jeon, como está?
— Estou bem...
— Você namora?
Ele me olhou e pareceu me repreender pelo modo que o chamei, tão formal.
— Não, ainda não.
— Oh, mas então pretende? — o olhei.
— É quem sabe. — ele sorriu, e eu percebi suas intenções.
Continuamos comendo e vez ou outra trocávamos olhares.
Depois da janta, ele havia trazido sobremesa, um bolo pudim, mas já estávamos tão cheios que decidimos deixá-lo para depois.
Estávamos sentados no sofá, tomando um pouco do suco de uva e eu como o bom grávido que sou, estiquei meus pés e os coloquei novamente sobre a mesinha de centro.
— Como se sente? — ele perguntou referente à gravidez.
— Cansado. Nunca pensei que uma barriguinha de quatro meses me cansaria tanto. — sorri e a alisei. — tenho dó das minhas costas que terão que aguentar até os nove meses...
— Quer uma massagem? — ele apontou para meus pés.
— Você faria?
— Mas é claro. — puxou devagar meus pés e os colocou sobre suas coxas.
Ajeitei-me melhor no sofá, e sentei de frente a ele, o encarando, e tentando entender o que aquele garoto realmente queria ali.
— Não fique me encarando, tenho vergonha. — ele disse me olhando, enquanto suas mãos faziam um trabalho maravilhoso, em meus pés.
— Estou apenas tentando entender...
— Entender o que? — ele voltou à atenção aos meus pés e me fez cócegas de leve.
— o que você quer...
— Como assim, o que eu quero? — ele sorria sem me encarar.
— Você tem vinte anos, é um garoto inteligente, e bem sucedido... O que faz numa noite de domingo com um cara grávido, que mais parece uma melancia?
Ele sorriu e então me olhou nos olhos.
— Acho que estou me divertindo.
— Suas definições de diversão, estão ultrapassadas.
— Claro que não, e, aliás, você também é jovem e bem sucedido, então não tem o que comparar aqui.
— Mas você é um cara bonito... Olhe só você Jungkook, seu corpo parece o de um Deus.
Ele não aguentou e gargalhou, gargalhou na minha cara, esse safado.
— Jimin-ah, para de me elogiar, eu fico sem jeito.
— Até parece. — dei um chutinho de leve em sua barriga. — Você sabe que é gostoso Jungkook, o que eu não entendo é o que você faz aqui.
— Eu também te acho lindo Jimin-ah, quando eu te vi no centro, eu poderia te descrever como um anjo.
— Eu estava horrível e com dor...
— Estava lindo. E quando te vi na cafeteria, nossa... Você é maravilhoso, e sua bolinha ai, só é seu charme, jiwan faz parte desse combo lindo.
Senti minhas bochechas esquentarem e provavelmente estavam vermelhas feito tomate de tanta vergonha.
— Você fica lindo quando está envergonhado, sabia? — ele se aproximou do meu rosto sorrindo. — Eu sei que já te roubei um selinho, mas será que posso te dar um beijo? — colocou as mãos sobre minhas bochechas.
O olhei e assenti. Ajeitando minhas pernas, sem quebrar o toque.
Ele se aproximou e Juntou nossos lábios, logo adentrando minha boca com sua língua, passeando e se aventurando por ali.
O envolvi com minha língua, o recebendo, e levei minhas mãos para seus braços, o segurando perto de mim.
O beijo era delicado, mas muito envolvente.
Os lábios pareciam ter calmante, e me faziam amolecer em seus braços, apenas sentindo a sensação boa, do beijo.
Jungkook se afastou minimamente, e me olhou nos olhos, acariciando meu rosto.
— Eu acho que estou muito ferrado.
— disse e me deu mais um selinho.
O envolvi com meus braços e o trouxe para mim.
Deitei sobre o sofá, e ele deitou na minha frente, com um braço abaixo da minha cabeça, me deixando confortável.
Nos beijamos novamente, e ele me segurou na cintura.
Minha barriga bateu sutilmente na dele, mas não pareceu importa-lo muito todo aquele volume.
Estávamos tão entregue com aquilo, que me fazia sentir como no meu primeiro beijo.
Afastei-me, e vi Jungkook deitado à minha frente, com os olhos ainda fechados e a boca vermelha.
Alisei seu rosto, e o vi encostar a bochecha em minhas mãos, como um filhote de gato, atrás de carinho.
— Você está se metendo numa enrascada, sabia? — sussurrei em seus lábios, vendo-o arrepiar.
— Por que diz isso? — sua voz era tão baixa quanto a minha.
— Basta apenas me olhar, e terá a resposta.
Ele abriu os olhos, e quase me perdi na imensidão escura que havia neles, com um brilho sutil, que reluzia.
Jungkook sorriu, e pude perceber detalhes em seu rosto, no qual ainda não tinha reparado não a maioria.
Seu rotineiro sorriso de coelho estava ali, mas percebi que ao fazer isso, seu nariz franziu e seus olhos formam bolsinhas, com pequenas rugas ao lado. Detalhes, pequenos, mas que o deixam ainda mais perfeito.
— Estou olhando, e não vejo nada, apenas um anjo, um anjo lindo e grávido. — disse levando a mão de leve em minha barriga, acariciando o local.
— Exatamente, grávido... Você consegue coisa melhor.
Ele negou, e levou a mão até meu rosto me dando mais um beijo.
— Eu não quero coisa melhor... — fez um carinho em meu nariz, me fazendo rir baixinho. — porque talvez eu já tenha encontrado a minha coisa melhor.
— Você é louco, Jeon Jungkook...
Ele me beijou, novamente um beijo delicado, mas esse me fez suspirar e sentir algo. Ele me deu um último selinho, antes de falar:
— E você é lindo, Park Jimin.
Continua...