Acho que estou ferrado

2341 Palavras
[Domingo dia do jantar] — Meu deus, o que eu irei vestir? Choraminguei em frente ao meu grande closet, tentando imaginar algo que desse para vestir, e que ao mesmo tempo me deixasse elegante. — Eu não posso mais usar essa calça... Nem esse casaco — retirei as duas peças que já estava cansado de vestir. Corri para o banheiro, decidindo tomar um banho de banheira para relaxar, e depois resolveria qual roupa usaria. No banheiro, enchi a banheira e coloquei alguns sais de banho, para me deixar relaxado e perfumado. Entrei na água, e quase gemi de prazer com a sensação gostosa da água. Meu celular que estava ao lado logo vibrou, mostrando que havia recebido uma nova mensagem, e nem me espantei quando vi quem havia mandado. Jeon: Tem certeza que não quer jantar no palace? Eu consigo reservas para nós dois ainda hoje. Me: Jungkook você já me perguntou isso mais de dez vezes somente hoje, e a resposta continua a mesma. Jeon: Mas eu queria te levar para um bom lugar. Me: qualquer lugar pode ser um bom lugar, basta ter uma boa companhia. E eu também não tenho roupas à altura que caibam mais em mim, então está fora de cogitação. Jeon: O pequeno jiwan está crescendo rápido não é? Me: Ou a pequena, não esqueça que há essa chance. A verdade é que depois que Hyun me disse que achava que era uma menina, passei a acreditar na possibilidade também. Jeon: Claro que há, e seria uma linda garotinha, mas deposito todas as minhas chances de que é um garotão. Me: Ok então, mas agora eu e o garotão temos que relaxar um pouco, então pode retornar ao meu maravilhoso banho de banheira? Jeon: Ok, qualquer coisa me avisa, tá? Me: Ok, te vejo em breve. Bloqueei o celular, e voltei a relaxar em minha banheira. Mais ou menos, uma hora depois decidi sair, e começar novamente a batalha atrás de algo que ficasse bom. Depois de quase todas as roupas estarem no chão, estava eu, vestido em uma calça de lycra e uma camisa cinza confortável, com apenas meu casaco bege por cima. Eu sei que é triste, mas é apenas o que tenho em meu closet, que não fique a ponto de arrebentar e que me deixe confortável. Fiz uma maquiagem bem básica, e arrumei meus cabelos. A dor desconfortável havia voltado novamente, mas algo bem sutil e quase imperceptível, apenas algo que vinha e ia. Sentei-me sobre o banco de apoio que havia ali, e respirei esperando a dor passar, e pensando se eu devia mesmo sair sentindo aquilo. Enquanto tentava afastar a dor, meu celular tocou, e o nome "Jeon" piscou ao centro. — Oi... — Jimin? Já estou indo te buscar, ok? — ah... Tudo bem... — Está tudo bem? — Sim, só senti uma dorzinha incômoda, mas daqui a pouco passa. Vou deixar sua entrada liberada e a porta aberta, está bem? — Ok, chego em 20 minutos. Encerrei a ligação, e fui até o interfone, avisar que Jeon poderia subir direto. Depois que Kihyun entrou aqui sem ser avisado, dei um puxão de orelha no porteiro. Mesmo que a situação com Kihyun tenha se normalizado, ele precisa ser avisado quando chegar, ele e qualquer um. Sentei no sofá, ponto minhas pernas no centro da sala, e respirando fundo, sentindo a dor diminuir e vim com menos frequência. Depois de mais ou menos 15 minutos, ouvi batidas sutis na porta, e quando me virei para olhar, vi Jungkook, vestido em uma calça social preta justa, uma camisa gola alta também preta e justa, e um blazer por cima. O olhei de cima a baixo, e percebi que ele realmente gosta de gola alta, e não que eu esteja reclamando, porque p**a que pariu, ele está lindo, e gostoso, e não está nem um pouco parecido com o adolescente que conheci há semanas atrás. Levantei-me fazendo uma careta, ainda sentindo um pouco de dor no baixo ventre, mas nada que me atrapalhasse. — Sinto que não estou vestido a caráter. — sorri para ele, e o vi me analisar de cima a baixo. — Vamos? — Nada disso. — ele segurou minha cintura e me deu um selinho. Espantei-me com o selinho, mas tudo que ele fez foi sorrir e acariciar meu rosto. — Não iremos mais sair para jantar, você está com dor... vi em seu rosto. — Mas... Eu me arrumei todinho e estou com fome. Fiz um bico que sabia que conseguiria qualquer coisa. — Não adianta fazer bico, Park. — ele sorriu e levantou as sacolas do palace para que eu as notasse. — Trouxe o jantar, se não se importa. — Você comprou o jantar no palace? — Olhei-o sem acreditar, já caminhando para a mesa de jantar. — Eu te disse que queria te levar no melhor lugar, mas como está com dor, e o bebê é o mais importante aqui, trouxe o jantar até nós... E se eu não me engano, disse que dependendo da companhia, tudo fica melhor, não é? Espero que eu seja uma boa companhia. Sorri para ele, confirmando. — Você é. — Agora se sente aqui — puxou a cadeira da mesa. — Se não se importa irei mexer nos seus pratos, tudo bem? — Tudo. — Sentei e apontei para o armário. — Ficam na terceira porta de baixo. Ele assentiu e caminhou até lá, e aproveitei para o olhar mais um pouco. Jeon tinha as pernas torneadas, marcadas pela calça apertada, e seu peitoral marcava sutilmente sobre a camisa também, e tinha o blazer que lhe dava um ar mais sério, e sexy ao mesmo tempo... Se eu não estivesse grávido, com certeza iria aproveitar bem esta noite... Com certeza iria. Ele me olhou da cozinha, e sorriu, separando alguns pratos e talheres. — Ainda não pude dizer, mas você está lindo hoje. — disse sentando a mesa, abrindo as sacolas. — trouxe risoto de abóbora, espero que goste. — Amo o risoto de abóbora de lá, você acertou em cheio. — o ajudei a desembalar as marmitas. — E obrigado pelo elogio, mesmo eu estando redondo feito uma melancia. — Mas ainda é a melancia mais linda que já vi. Neguei, e peguei nossos pratos, os servindo. — Como está a dor? Dói muito? — Não... Acho que toda essa coisa do Hyun e da gravidez, me deixou um pouco cansado e estressado. — Ah... Hyun, é o pai do bebê, não é isso? — Sim, Kihyun... — Ele está bem? Vi algumas notícias sobre a doença. — Não sei... Nós não conversamos muito, apenas o básico e necessário. — Vocês... Hm... Estão separados, ou pretendem voltar? — ele perguntou começando a comer. Dei a primeira garfada, e levei um pouco do risoto à boca, sentindo o sabor dos deuses que era aquilo. — Não... Nós não iremos voltar. — Ah. — ele concordou com a cabeça. — Eu iria trazer um vinho, mas como sei que não pode ingerir álcool, comprei suco de uva. — ele sorriu ao mostrar a garrafa. — Sem problemas. — levantei e busquei dois copos na cozinha. Quando voltei o olhar de Jungkook estava sobre mim, e era até estranho o olhar dele, que parecia me admirar. — Aqui. — Coloquei os copos sobre a mesa, e ele os serviu. — E como anda a cafeteria? Ou devo dizer cafeterias? — sentei e voltei a comer, admirando todo o rosto bonito de perto e o jeito engraçado que ele comia, parecia realmente um coelhinho mastigando rápido. — Vai bem, estou pensando em abrir a vigésima, mas em busan, minha cidade natal. — Sério? Eu também nasci em Busan, minha mãe ainda mora lá. Conhece o Hotel Park? — Woah, não me diga que é da sua família? — É sim. — sorri assentindo com a cabeça, vendo Jungkook boquiaberto. — Ele é simplesmente lindo, Jimin-ah! meu sonho sempre foi ir lá. — Você nunca foi? — Não, mas agora sei que já tenho um pretexto para te levar na inauguração e conhecer aquele hotel. — Mas você disse que ainda está pensando sobre a cafeteria... Quando for inaugurá-la, Jiwan já terá nascido. — Sem problema, posso colocar uma cadeira de bebê no meu carro. Neguei novamente e o olhei. O que será que esse garoto realmente está querendo? — E você, Jeon, como está? — Estou bem... — Você namora? Ele me olhou e pareceu me repreender pelo modo que o chamei, tão formal. — Não, ainda não. — Oh, mas então pretende? — o olhei. — É quem sabe. — ele sorriu, e eu percebi suas intenções. Continuamos comendo e vez ou outra trocávamos olhares. Depois da janta, ele havia trazido sobremesa, um bolo pudim, mas já estávamos tão cheios que decidimos deixá-lo para depois. Estávamos sentados no sofá, tomando um pouco do suco de uva e eu como o bom grávido que sou, estiquei meus pés e os coloquei novamente sobre a mesinha de centro. — Como se sente? — ele perguntou referente à gravidez. — Cansado. Nunca pensei que uma barriguinha de quatro meses me cansaria tanto. — sorri e a alisei. — tenho dó das minhas costas que terão que aguentar até os nove meses... — Quer uma massagem? — ele apontou para meus pés. — Você faria? — Mas é claro. — puxou devagar meus pés e os colocou sobre suas coxas. Ajeitei-me melhor no sofá, e sentei de frente a ele, o encarando, e tentando entender o que aquele garoto realmente queria ali. — Não fique me encarando, tenho vergonha. — ele disse me olhando, enquanto suas mãos faziam um trabalho maravilhoso, em meus pés. — Estou apenas tentando entender... — Entender o que? — ele voltou à atenção aos meus pés e me fez cócegas de leve. — o que você quer... — Como assim, o que eu quero? — ele sorria sem me encarar. — Você tem vinte anos, é um garoto inteligente, e bem sucedido... O que faz numa noite de domingo com um cara grávido, que mais parece uma melancia? Ele sorriu e então me olhou nos olhos. — Acho que estou me divertindo. — Suas definições de diversão, estão ultrapassadas. — Claro que não, e, aliás, você também é jovem e bem sucedido, então não tem o que comparar aqui. — Mas você é um cara bonito... Olhe só você Jungkook, seu corpo parece o de um Deus. Ele não aguentou e gargalhou, gargalhou na minha cara, esse safado. — Jimin-ah, para de me elogiar, eu fico sem jeito. — Até parece. — dei um chutinho de leve em sua barriga. — Você sabe que é gostoso Jungkook, o que eu não entendo é o que você faz aqui. — Eu também te acho lindo Jimin-ah, quando eu te vi no centro, eu poderia te descrever como um anjo. — Eu estava horrível e com dor... — Estava lindo. E quando te vi na cafeteria, nossa... Você é maravilhoso, e sua bolinha ai, só é seu charme, jiwan faz parte desse combo lindo. Senti minhas bochechas esquentarem e provavelmente estavam vermelhas feito tomate de tanta vergonha. — Você fica lindo quando está envergonhado, sabia? — ele se aproximou do meu rosto sorrindo. — Eu sei que já te roubei um selinho, mas será que posso te dar um beijo? — colocou as mãos sobre minhas bochechas. O olhei e assenti. Ajeitando minhas pernas, sem quebrar o toque. Ele se aproximou e Juntou nossos lábios, logo adentrando minha boca com sua língua, passeando e se aventurando por ali. O envolvi com minha língua, o recebendo, e levei minhas mãos para seus braços, o segurando perto de mim. O beijo era delicado, mas muito envolvente. Os lábios pareciam ter calmante, e me faziam amolecer em seus braços, apenas sentindo a sensação boa, do beijo. Jungkook se afastou minimamente, e me olhou nos olhos, acariciando meu rosto. — Eu acho que estou muito ferrado. — disse e me deu mais um selinho. O envolvi com meus braços e o trouxe para mim. Deitei sobre o sofá, e ele deitou na minha frente, com um braço abaixo da minha cabeça, me deixando confortável. Nos beijamos novamente, e ele me segurou na cintura. Minha barriga bateu sutilmente na dele, mas não pareceu importa-lo muito todo aquele volume. Estávamos tão entregue com aquilo, que me fazia sentir como no meu primeiro beijo. Afastei-me, e vi Jungkook deitado à minha frente, com os olhos ainda fechados e a boca vermelha. Alisei seu rosto, e o vi encostar a bochecha em minhas mãos, como um filhote de gato, atrás de carinho. — Você está se metendo numa enrascada, sabia? — sussurrei em seus lábios, vendo-o arrepiar. — Por que diz isso? — sua voz era tão baixa quanto a minha. — Basta apenas me olhar, e terá a resposta. Ele abriu os olhos, e quase me perdi na imensidão escura que havia neles, com um brilho sutil, que reluzia. Jungkook sorriu, e pude perceber detalhes em seu rosto, no qual ainda não tinha reparado não a maioria. Seu rotineiro sorriso de coelho estava ali, mas percebi que ao fazer isso, seu nariz franziu e seus olhos formam bolsinhas, com pequenas rugas ao lado. Detalhes, pequenos, mas que o deixam ainda mais perfeito. — Estou olhando, e não vejo nada, apenas um anjo, um anjo lindo e grávido. — disse levando a mão de leve em minha barriga, acariciando o local. — Exatamente, grávido... Você consegue coisa melhor. Ele negou, e levou a mão até meu rosto me dando mais um beijo. — Eu não quero coisa melhor... — fez um carinho em meu nariz, me fazendo rir baixinho. — porque talvez eu já tenha encontrado a minha coisa melhor. — Você é louco, Jeon Jungkook... Ele me beijou, novamente um beijo delicado, mas esse me fez suspirar e sentir algo. Ele me deu um último selinho, antes de falar: — E você é lindo, Park Jimin. Continua...
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