O dia amanheceu bonito e eu finalmente estava pintando.
Jungkook havia trazido duas telas minhas ainda em andamento, e aquilo foi como um tranquilizante para mim.
Passar horas e horas, em meio às tintas, e pincéis, observando cada traço com cuidado, vendo tudo tomar forma, devagar.
Era o que eu amava fazer.
Ouvi duas batidas leves na porta, e quando me virei, um sorriso bonito retangular foi visto.
— Ai que lindo jimin-ah!
— Taehyung-ssi, entre.
O observei entrar em meu quarto, segurando um bebê todo empacotado de branco, igualmente ao seu marido, Yoongi, que veio logo atrás, segurando outro.
— Eu não sabia que você pintava jimin-ah! — Yoongi disse sorrindo, olhando para o quadro que estava inacabado no centro do quarto.
— Ah, eu sou um artista... — Comentei sentindo minhas bochechas esquentarem. — Pintar é o que eu amo fazer.
— São perfeitos! Parabéns.
— Obrigado, taehyung-ssi.
— Com licença. — Hoseok entrou no quarto, segurando o outro bebê, também de branco, e duas malas. — Oh, jimin-ssi que lindo!
Ele parou admirado, em frente ao meu quadro, e me senti ainda mais constrangido, por estar recebendo toda aquela atenção.
— Jimin-ah tem muito talento, não é amor?
— Demais... — Hoseok respondeu boquiaberto e me olhou. — Você trabalha com isso ou é somente um hobby?
— É meu trabalho... Esses são diretamente para um cliente. Mas tenho outros que serão expostos na life culture in Seul.
— A exposição? — Hoseok pareceu surpreso. — Eu fui um dos convidados da lista para visitá-la. Sou um amante da arte... Somente nomes renomados irão expor lá, então parabéns jimin-ssi.
— Oh, muito obrigado Hoseok-ssi. Que tipo de arte você gosta?
— Ele é um fanático por pinturas a óleo jimin-ah. — Taehyung sorriu. — Temos algumas obras espalhadas por toda a casa, mas uma em especial, de quase dois metros de altura, é o xodó do hobi.
— É verdade. — Hoseok sorriu. — Mas a sua aquarela está fantástica.
— Obrigado novamente. — Fiz uma breve reverência. — Eu fico imensamente feliz que tenham gostado.
— Com licença. — uma batida foi dada na porta aberta, e pude ver Jungkook sorri — Boa tarde hyung's. — Fez uma reverência para cada um, presente ali.
— Boa tarde, Jungkook-ah. — taehyung o respondeu.
— Estávamos apreciando essa obra. — Yoongi disse sorrindo. — Na verdade, Hobi estava quase babando.
— Ah, Hoseok-hyung eu te entendo... — Jungkook sorriu para mim. — São telas simplesmente perfeitas. E essa é apenas uma das tantas que meu Jiminie pinta.
— Aish, eu vou ficar envergonhado assim...
— Jimin-ah é fofo. — Taehyung sorriu e se aproximou de mim, entregando à pequena jisoo, para que eu a segurasse.
— Já receberam altas? — perguntei olhando a pequena que dormia em meus braços, fazendo um enorme bico.
— Recebemos hoje, mas passamos aqui antes para nos despedir de vocês, claro.
— Vocês irão vir quando o meu pequeno jiwan nascer, não é?
— Mas é claro que viremos jimin-ah! E olhe, eu quero o seu número, para mantermos contato, e te convidar para os almoços de domingo, com os amigos, lá em casa.
Sorri e assenti. Taehyung estendeu o celular para que Jungkook colocasse meu número ali, já que minhas estavam ocupadas com a pequena garotinha.
— Põe o seu também jungkook-ssi. — Yoongi pediu com um sorriso no rosto.
Jungkook colocou os números e entregou de volta o celular a Taehyung.
Em seguida foi até Yoongi, com um olhar pidão para o garotinho em seus braços.
— Você quer segurá-lo, não é? — Yoongi perguntou, e Jungkook assentiu sorrindo todo envergonhado. — Ok, pega a manta e põe sobre o ombro e braço.
Jungkook assentiu, e Yoongi ergueu devagar o pequeno bebê, para que pudesse ser retirada a manta.
Em seguida, Jungkook a ajeitou de forma correta no ombro, e sorri, vendo o jeito tão natural com que ele pegou o bebê.
— Ele é lindo hyung. — Jungkook disse, olhando Jongin, que tinha os olhos pretos bem abertos para ele, o observando.
— Obrigado. — Yoongi sorriu bobo, vendo o filho murmurar sons manhosos no braço do outro. — Você tem muito jeito com bebês jungkook-ssi. Saberá como ajudar o jimin-ssi, com o pequeno Jiwanie.
— Ah, com certeza ele vai. — sorri para meu namorado que balançava devagar o bebê, enquanto fazia sons estalados com a língua, chamando toda a atenção do bebê para si.
O som do celular do Hoseok foi ouvido, fazendo todos nós o olhar e vê-lo com toda a habilidade do mundo deixar o bebê em um braço e pegar o celular com o outro.
— Já chegaram...? Ok, estamos indo.
A chamada foi encerrada logo e ele nos olhou.
— Taetae, sua mãe já está lá embaixo com o carro e as cadeirinhas.
— Minha mãe comprou um VITO para mim, acredita? E ainda colocou aqueles adesivos ridículos de família até com os nossos cachorros, atrás. — Taehyung disse para mim, rindo.
— Taetae, não reclame. Sabe que precisamos de um carro grande. — Yoongi disse calmo. — Olha o tamanho da nossa família agora!
— E também, não é como se seu SUV fosse sumir da garagem baby. — Hoseok comentou sorrindo. — ele permanecerá lá, para você o usar quando quiser.
— Mais é um VITO! Aquilo parece um mini ônibus. — Taehyung revirou os olhos me fazendo sorrir. — Mas ok, não irei reclamar, afinal, será aonde irei levar meus três filhos para passear.
— Pois é. Mas então, vamos?
— Vamos. — ele me olhou sorrindo, e o entreguei a bebê de volta, com cuidado. — Eu te enviarei uma mensagem, e venho te visitar daqui a algumas semanas, quando esse garotão nascer, ok? — ele falou e assenti. — Eu gostei muito de te conhecer Jimin-ah.
— Eu também gostei taehyung-ssi! — o abracei. — Podemos ser grandes amigos...
— Podemos não, seremos! — ele sorriu.
— Também adorei conhecer vocês, e mandarei uma mensagem para você Jungkook-ssi, podemos ser amigos também. — Yoongi disse, pegando o bebê dos braços do meu namorado, enquanto ele assentia.
— Com certeza serão Yoon é muito difícil de gostar de alguém, e ele gostou do jungkook-ssi. — Hoseok sorriu, abrindo a porta para que os maridos saíssem. — Foi um prazer conhecer vocês, e espero os ver outras vezes.
— Eu também hyung. — Jungkook se curvou. — E novamente parabéns pelos bebês, parabéns para os três. Vocês serão ótimos pais, tenho certeza.
Taehyung foi até ele e o abraçou. — Te vejo em breve também jungkook-ah. Até mais.
— Até mais hyung.
Nós nos despedimos de todos e os vimos sair animados, cada um com um bebê empacotado nos braços.
— Não vejo a hora de pegar Jiwanie nos braços também, mochi.
— Eu sei anjo, também não vejo a hora. — Sorri e estiquei as mãos para ele, o chamando para perto. — Como foi com minha mãe?
— Ela é um amor, sério mesmo! Eu pensei que ela seria uma chata comigo ou que fosse me odiar, mas não, ela é legal e nos divertimos no pouco tempo que ficamos juntos no apartamento.
— Ela ficou chateada com algo?
— Não, mas se negou a dormir no seu quarto... Disse que era o nosso ninho de amor e não podia dormir lá... — o olhei e o rosto dele estava ficando vermelho. — mas eu disse que nós não tínhamos feito nada lá, só dormimos... Mas mesmo assim ela não quis...
— Ela não quis? E onde ela dormiu? Você deveria ter me dito isso ontem, eu poderia ter reservado um hotel.
— Ela me pediu para não te contar. Na verdade, ela me ameaçou para não te contar, ela não queria incomodar. — ele riu. — Quando saí de lá, ela estava lavando as roupinhas do bebê com um sabão especial e disse que tinha que passar ferro em tudo antes de guardar.
— Minha mãe é assim... Ela é sempre muito cuidadosa com tudo... Mas fiquei chateado agora. Onde ela dormiu então? No sofá? — o olhei e ele assentiu. — Preciso de uma casa maior, uma que tenha ao menos um quarto de visitas...
— Na minha há vários...
— Sério?
— Uhum... E eu estive pensando sobre ela ontem. — ele me encarou envergonhado e me puxou para um abraço. — Por que você não vem morar comigo? Digo, minha casa é enorme e eu moro sozinho... Tem muitos quartos vagos, todos poderiam nos visitar e ainda teria espaço...
— Jungkookie não precisa, eu posso procurar um lugar. Não quero te atrapalhar com nada.
— Mas não atrapalharia... Você sabe que eu te quero muito, não sabe? E te ter pertinho assim, todos os dias junto ao bebê é o que eu mais sonho agora.
— Mesmo? — sorri e o abracei na cintura. — eu não sabia disso...
— Mesmo. E eu sei que esse é um passo muito grande para nós e você pode dizer não se quiser, óbvio. Mas eu ficaria imensamente feliz se aceitasse.
— Mas Jungkookie...
— Se quiser dizer não, tudo bem, amor. Eu não ficarei triste. — Ele sorriu e me deu um beijo no topo da cabeça.
— É que é tudo tão recente... Não estou duvidando do seu amor anjo, é que o bebê vai nascer e essa fase pode ser muito difícil, entende?
— Eu sei. — ele suspirou. — Mas eu posso passar essa fase difícil com você, eu te ajudaria melhor com ele. — ele alisou minha barriga. — Eu cuidaria bem de vocês dois...
Jungkook me manteve em seu abraço enquanto o silêncio tomava o quarto e eu me colocava pensativo.
Não seria uma má ideia, mas isso poderia ser complicado...
Eu e Jungkook nos conhecemos há apenas alguns meses. Namorávamos sério a apenas dois.
Mas o que me assusta é que ele não tem obrigação alguma comigo ou o bebê e eu posso o atrapalhar os planos dele de algum modo.
— Para de fazer essa cara de assustado. — Ele riu novamente me fazendo olhá-lo. — Seus olhos estão quase saltando.
Sorri e me aninhei melhor nele, aspirando o cheirinho gostoso que vinha de sua roupa.
Ele afagou meus cabelos e suspirou, esperando talvez por uma resposta minha.
Tentei arriscar e pensei se isso pudesse mesmo dar certo. Meu coração já gritava um estranho sim, mas minha cabeça me fazia recuar.
— Quantos quarto tem? — perguntei ainda abraçado.
— Cinco...
O soltei devagar e o encarei incrédulo.
— Cinco? — perguntei com uma sobrancelha arqueada. — Mesmo?
— É... — ele coçou a nuca sem jeito. — São dois andares além do térreo... Eu a comprei pensando no futuro...
— Nos três filhos, um cachorro e um gato? — o perguntei sorrindo, e ele assentiu.
— E um amor também, não se esqueça. — selou nossos lábios devagar. — mas isso eu já tenho. — Tocou meu nariz me fazendo rir baixinho. — te contei meu sonho, porque metade já está realizado... Mas ter a casa vazia agora é muito estranho, precisa de um pouco de vida lá, mochi...
— E você acha que essa vida seria eu e Jiwan?
— Você, Jiwan e todo o futuro que podemos ter pela frente. — Ele sorriu novamente me dando alguns beijinhos.
— Você é fofo. — o abracei mais e o puxei até a cama. — Sabe que terão madrugadas em claro, não sabe?
— Sei sim. — sorriu ainda maior. — muitas.
— Madrugadas cheias de choros, mamadeiras, fraldas, xixi, cocô... — ele gargalhou e assentiu. — E dias em que surtarei! Dias em que chorarei e que só vou querer ficar quieto no meu canto. Dias ruins e dias muito ruins...
— Eu sei amor. — ele deitou ao meu lado e se aninhou a mim. — Mas terão dias bons também, e dias muito bons. Dias em que o sorriso desse pequeno ou dos outros que virão nos farão sorrir feito loucos de tanta felicidade.
E eu não ligo para os choros, as fraldas ou as crises. Eu quero ter você, e isso significa te apoiar em tudo, na hora fácil e na difícil.
Funguei, sentindo a mão grande passar por minha bochecha, enxugando uma lágrima que desceu sem permissão.
— Você é lindo jungkook! E é fofo que só o inferno. — sorri. — E é um amor. — selei nossos lábios. — eu sei que estou fazendo a coisa certa estando com você, e te permitindo cuidar de nós dois.
— Eu amo você Jiminie, amo mesmo.
E eu só quero o seu bem. E se puder te acompanhar em tudo, do teu lado, ficaria ainda mais feliz.
— Esse é um passo muito grande jungkook, tem certeza disso? Não acha que está muito cedo?
— Lembro-me de um dia ouvir de um certo alguém que nunca era cedo para o amor, então não, não está muito cedo, e eu tenho toda a certeza da vida que eu quero isso com você.
Suspirei e neguei sorrindo, será que esse homem existe mesmo? Meu deus, é um anjo que caiu do céu para mim, só pode.
— Precisamos falar com Lalisa então...
— Como? — ele me encarou curioso, mas os olhos brilhavam feito duas estrelinhas.
— O quartinho, se irei me mudar, ela precisa fazer o quartinho no lugar certo, não acha? Mas ela com certeza ficará uma fera por ter que refazer todo o projeto outra vez.
Ele me olhou e piscou algumas vezes em um total silêncio, e eu apenas aguardei com um sorriso enorme no rosto.
— Isso... Isso é sério? — sorri e assenti. — De verdade?
— U-hum.
— Minha nossa! — ele sentou na cama e me olhou com as mãos no peito. — Jiminie, não brinque comigo! Olhe só como estão minhas mãos de tão nervoso.
Ele esticou uma das mãos para mim, e quando a olhei, estava tremendo muito.
Me apoiei na cama e ergui meu tronco com cuidado, ficando sentado e segurando ambas as mãos dele.
— Não estou brincando, anjo. — o olhei nos olhos tentando ser o mais sério possível. — Podemos tentar isso, como estamos tentando até hoje... Pode dar errado, mas-.
— Mas também pode dar certo. — ele sorriu. — E vai dar certo hyung. Na verdade, já está dando.
Ele sorriu e se aproximou, mordendo meu lábio inferior e me fazendo rir quando iniciou um beijo lento.
— Eu te amo. — ele sussurrou para mim.
— Eu gosto muito de você, anjo... continue cuidando de mim e me ensine a sentir tudo isso que você sente por mim. Eu quero sentir também, quero muito.
— Você irá, amor, você só não precisa ter pressa para isso, eu sei o que você sente por mim e eu amo te amar. — Jungkook disse e sorriu. Em seguida, buscou o celular no bolso.
— O que vai fazer?
— Vou ligar para o Jin-hyung!
— Pra quê?
— Pra ele falar com a Lalisa, ele está com ela agora.
Assenti e o puxei para deitar novamente, me aconchegando melhor nele, sentindo uma carência sem igual, e uma sensação maravilhosa no peito.