De todos os dias que vivi até hoje, esse com certeza é um dos mais nervosos e felizes da minha vida.
Hyun finalmente acordou e estamos liberados para visitá-lo.
— Estou tão nervoso. — apertei um pouco a mão de jungkook que me ajudava a andar pelos corredores do hospital.
— Fica calmo, o hyung já acordou e vai ficar muito feliz em nos ver.
— Ele vai. — sorri para ele. — Onde está o Jin?
— Está chegando. — Jungkook disse e parou de frente ao quarto dele. — É aqui.
Do lado de fora, existia uma placa, junto a alguns produtos e utensílios, e uma pia para lavarmos as mãos.
— Precisamos higienizar as mãos, e pôr as máscaras. O doutor Nakamoto que orientou. — Jungkook explicou pacientemente e me ajudou a fazer cada um dos passos corretos.
— Isso é para o caso haja bactérias, elas não entrem em contato com ele, não é? — O perguntei e ele assentiu. — Entendo, ele está fraco e não pode adoecer.
Após estarmos devidamente limpos e protegidos, me aproximei da porta e bati três vezes antes de abrir.
Hyun estava deitado, quase imóvel, havia alguns drenos no peito, e cateteres nos braços, uma sonda no nariz, e uma enorme cicatriz no peito, sendo verificada pelo médico, e mesmo assim ele sorriu fraco quando nos viu.
— Tente não chorar. — Jungkook sussurrou ao meu lado, segurando minha mão.
Os doutores Nakamoto, junto ao doutor Wang, verificavam toda a área que foi aberta, e aguardamos no canto, até terminarem.
— Senhor Park. Senhor Jeon. — os doutores nos cumprimentaram.
— Senhor Yoo, acabamos por hoje ok? Volto mais tarde para verificar seus sinais.
Kihyun assentiu devagar e o doutor Wang se aproximou de nós.
— Ele está reagindo bem, mas seria melhor ele não falar muito, ok? Ao menos por hoje.
— Claro, tudo bem. — Assentimos e o vimos sair, junto ao doutor Nakamoto.
— Vai lá. — Jungkook tocou meu braço me encorajando a se aproximar.
Eu me sentia tão feliz, mas a imagem partia meu coração.
A cicatriz já estava coberta, mas os tubos e máquinas ao redor, apitando a cada sinal recebido e davam medo.
— Olá papai hyun. — sentei ao lado dele sorrindo e acariciando sua bochecha. — Estamos tão felizes em te ver bem.
Ele sorriu e ergueu a mão; apressei-me em segurá-la, temendo que fosse um esforço que não pudesse fazer e assim se machucasse.
— Estou feliz em poder ver vocês também. — ele respondeu baixinho, quase num sussurro. — eu consegui, Minnie... voltei para vocês.
— Shh, você ouviu o doutor, não se esforce falando.
Ele sorriu e olhou por cima do meu ombro. Jungkook se aproximou, acanhado e sorriu ao vê-lo.
— Estou muito feliz por você, Hyung. Você conseguiu! — disse eufórico.
Kihyun assentiu e esticou a mão para tocá-lo.
— Obrigado pelo apoio, amigo... — Hyun o deu um sorriso.
— Hyung, não fale! — Jungkook o repreendeu e fez um bico chateado. — Você precisa ficar bem.
Hyun assentiu e me olhou parecendo curioso.
— Nós estamos bem. — busquei a mão dele e com cuidado coloquei sobre a minha barriga. — ele ainda está no forninho.
Ele alisou devagar fechando os olhos enquanto sorria e a sentia, mas abriu rápido ao sentir um chute forte de Jiwan.
— Viu? Ele também está feliz que você esteja bem.
Jungkook ao lado fungou, e quando o olhei ele estava com os olhos marejados, querendo chorar.
— Anjo? — olha só, ele me pede para não chorar, mas é o primeiro a se entregar.
— Estou bem. — sorriu e olhei para hyun que sorria fraco também. — Foi só uma poeirinha que caiu aqui, só isso...
— Não chore moleque... Eu estou bem...
Jungkook sorriu para ele e não conseguiu segurar por muito tempo. Logo vi uma lágrima a percorrer por sua bochecha e aquilo me fez rir baixo. Sentia uma imensa vontade de chorar também, mas precisava segurar ou a bagunça se instalaria no quarto.
Passamos cerca de duas horas ali com ele, e no meio tempo Jim chegou carregando um enorme buquê de lírios-brancos com azuis, e disse que eram para enfeitar o quarto branco e sem vida. Mas tivemos que o levar junto conosco, por não ser permitido ainda com Hyun.
Deixamos o quarto, mas prometi a hyun voltar no outro dia junto à jungkook.
[...]
— Anjo, o que você comprou para eles?
— Pijaminhas de urso, olha.
Jungkook tirou da sacola três pijaminhas minúsculos marrons, com capuz e orelhas de ursos.
— Que fofos — jin se aproximou rápido e pegou um dos pijamas, o erguendo para observar enquanto fazia um bico fofo. — Eles irão amar... Vão ficar tão fofos.
— Será que já nasceram? — Jungkook me perguntou todo animado.
— As gêmeas do taehyung iriam nascer às duas da tarde, e o menino do yoongi às três, então já devem ter nascido.
— São quase sete, será que não seria melhor ir só amanhã? Eles podem estar exaustos.
— Taehyung veio hoje cedo aqui anjo, e me sentenciou caso eu não fosse os ver hoje.
— Ok então. — Jungkook estendeu a mão para mim.
Assenti e aceitei a ajuda dele, caminhando com cuidado até o quarto dos recém-nascidos.
[...]
Paramos em frente à porta branca, onde uma placa informava o número 572, e junto à placa, havia outra, toda enfeitada com estrelas e nuvens, com três nomes no meio.
Kim Jennie.
Kim Jisoo.
Kim Jongin.
— É aqui. — Jungkook disse todo animado.
Assenti e ele deu duas fracas batidas na madeira branca, abrindo devagar logo em seguida.
— Com licença. — sorri e vi o quarto cheio.
Hoseok estava no sofá, segurando um bebê todo de rosa, enquanto duas senhoras, que estavam de pé, seguravam os outros dois, que estavam um de azul bebê, e outro de lilás.
— Oh, Jimin-ah! — Taehyung que estava deitado na cama sorriu para mim.
— Entrem, por favor. — Foi Hoseok quem disse baixo, sorrindo todo bobo para o bebê que tinha nos braços.
Aproximei-me e toquei o braço de Taehyung numa carícia, sorrindo para ele e sentindo uma felicidade incomum dentro de mim.
Jungkook e Jinie foram até Hoseok, olhando o bebê que havia ali.
— Ela é linda, Hyung. — Jungkook disse, e olhei em direção a ele. Hoseok sorria todo orgulhoso.
— Eles todos são. — Jinie comentou olhando de esgueira para os outros bebês.
— Essa é Kim jisoo, a mais velha dos três. — Hoseok falou. — Aquela no braço da minha mãe — apontou para a senhora que segurava o bebê de lilás. — É a Kim jennie, a do meio. E aquele rapazinho ali, com a minha sogra. — apontou para o bebê de azul. — É o nosso Kim Jongin, o caçula.
— Me chamo Jung Chae-yeon, sou a mãe do Hoseok. — a senhora sorriu.
— É um prazer conhecê-la senhora Jung. — me curvei educadamente e Jungkook e Jin fizeram o mesmo.— Me chamo Park Jimin. Esses são Jeon Jungkook e Kim Seokjin.
— É um prazer conhecê-los. — A senhora sorriu novamente, o sorriso idêntico ao de Hoseok.
— Eu sou Kim Da-som, mãe do taehyung. - a outra senhora se curvou um pouco, segurando o bebê com cuidado, nos dando um sorriso aberto.
Curvamo-nos novamente, em educação.
— É um prazer conhecê-la também, senhora Kim. — Jungkook é quem diz.
— Estou com fome. — Yoongi falou aleatoriamente, ainda deitado na cama igualmente à taehyung, fazendo todos nós sorrirem.
— E quando você não está amor? — Taehyung esticou devagar o braço e tocou a mão do marido sorrindo.
— Taetae, não se mexa muito, vocês dois acabaram de sair da sala de cirurgia. Seu pai foi bem claro ao dizer que só podiam se levantar depois de doze horas. — senhora Kim disse toda séria, fazendo Taehyung e Yoongi assentirem e ficarem quietinhos.
— E esse barrigão? — senhora Jung se aproximou de mim — Quando nasce o seu bebê?
— Está marcado para daqui a seis semanas, mas minha gravidez é de risco. Então estou em observação aqui no hospital.
— Mãe, o papai que irá fazer o parto do jimin-ah!
— Oh, meu marido é um ótimo médico, estará em ótimas mãos.
— Sei disso, e fico super feliz em ter a vida do meu bebê e a minha sob cuidados de alguém tão responsável. — ela sorriu para mim. Jin se aproximou de nós.
— Trouxemos presentes para os bebês. É simples, mas é de coração — jinie me entregou a sacola e me ajudou a tirar as três roupinhas de dentro.
— Que coisinha linda jimin-ah. — Taehyung disse sorrindo.
— Eu que escolhi hyung. — Jungkook quase estufou o peito, falando todo orgulhoso.
— É lindo jungkook, muito obrigado. — Yoongi agradeceu.
Ouvimos batidas na porta, e uma moça entrou.
— Noona. — Hoseok se levantou e caminhou devagar até a moça. — Veja, eu sou pai! — sorriu e mostrou o bebê em seus braços.
— Ela se parece com você. — a moça sorriu olhando o pequeno bebê. — mas tem o nariz do Yoon. Como pode? — Olhou confusa para Hoseok que apenas deu de ombros — minha sobrinha é linda!
— Olhe a pequena jennie, filha. — senhora Jung foi até a garota e mostrou o bebê. — É a cara do taehyung-ssi, mas tem as bochechas do hobi.
— E Jongin tem a boca do taehyung-ssi com os olhos do yoongi-ssi. — Senhora Kim foi até a moça também mostrar o bebê que tinha nos braços. — Meus netos são uma mistura dos três, isso é engraçado e muito curioso. — ela sorriu, fazendo as outras duas assentirem.
— Eles são misturas do nosso enorme amor. — Taehyung disse rindo e a mulher assentiu outra vez. — Dawon-noona. — Taehyung a chamou. — Conheça meus amigos. Jimin, Jungkook e Seokjin. — apontou para nós três.
A garota sorriu e acenou nos cumprimentando. Jungkook se curvou educadamente e eu e jin sorrimos de volta, também cumprimentando-a.
— Quando sua mãe chega, Yoongi? — hoseok perguntou.
— Acho que ela não vem. — o menor fez um bico. — Ela não se importa muito com isso, você sabe.
— Não importa. — Taehyung falou. — As pessoas que se importam estão todas aqui.
Yoongi sorriu assentindo e vi Jungkook e Jin se aproximarem mais dos bebês.
— Quer segurar? — a senhora Jung perguntou a Seokjin.
— Eu posso? — os olhos do meu amigo brilharam.
— Claro. Mas antes precisa higienizar as mãos.
Ele assentiu e foi com Jungkook até o banheiro.
Demoraram cerca de um minuto lá e voltaram já secando as mãos.
— Onde está o álcool em gel? — a irmã do hoseok perguntou. — Desculpem, é que são recém-nascidos, e todo o cuidado é pouco.
— Nós entendemos. — Jin sorriu e Jungkook assentiu.
Dawon trouxe o produto até eles, e jogou um pouco sobre a mão de cada um.
Senhora Jung, e senhora Kim se aproximaram, e entregaram os bebês, com todo o cuidado.
Eu, junto a Taehyung, observei tudo, e senti meu coração derreter, ao ver jungkook todo sem jeito, segurar a garotinha minúscula, nas mãos grandes.
— Ele leva jeito. — Yoongi, ao lado disse sorrindo. — Veja só o outro.
Olhei para Seokjin, e ele estava quase petrificado, com o bebê nos braços.
— Jin você pode respirar. — falei rindo. — e se mover também.
— Estou com medo. Parece tão frágil...
— Ela é tão linda mochi, olha só. — Jungkook se aproximou, e parou à minha frente segurando a pequena garotinha. — E é tão pequena, parece uma bonequinha.
Sorri e assenti. Jin sentou no sofá que antes estava Hoseok, e se encostou bem devagar.
— Meu deus parece uma bolinha! — jin disse olhando o garotinho. — Vejam só, ele abriu os olhos!
Sorri e vi Hoseok se aproximar com uma das filhas nos braços enquanto sorria bobo, agora olhando o caçula.
— Como está o pai do seu bebê, ocorreu tudo bem na cirurgia?
— Graças ao universo ocorreu tudo certo, e ele está bem, Yoongi-ssi, fomos o visitar hoje, mas a recuperação vai ser bem demorada.
— Imagino... — Yoongi olhou para o bebê nas mãos do jin, que começou a chorar.
— Ai meu deus, eu não fiz nada! Eu juro! — Jin se desesperou, e olhou para todos ao redor.
— Ele só deve estar com fome. — Yoongi disse calmo.
— Ele é como o papai Yoongi, come a cada meia hora. — Taehyung sorriu, e Jin se apressou em devolver o bebê à avó.
— Está tudo bem, amor? — Hoseok se aproximou do marido menor. — Não está com dor?
— Dor? — Olhei para Yoongi.
— É, amamentar... É complicado, e Yoongi está tendo dificuldade. — Taehyung me explicou.
— Posso pedir para a enfermeira trazer fórmula, sabe que isso não vai te fazer menos pai do que amamentar, não é? — Hoseok o acariciou com uma mão, enquanto segurava a filha com a outra.
— Eu sei amor, mas eu quero dar. Eu quero fazer isso.
Hoseok assentiu e a senhora Jung se aproximou com o bebê.
— Acho que está na hora de irmos.— falei para Jin e Jungkook.
— Parabéns pelos bebês. — Jungkook disse para taehyung e yoongi, em seguida entregando a garotinha à outra avó.
— Nós voltamos depois — falei para taehyung que assentiu. — Parabéns pelos bebês.
— Obrigado jimin-ah, e voltem mesmo. Só iremos receber alta no sábado.
Assenti e fui até Hoseok, o dei um abraço, parabenizando pelos bebês, e me despedi de todos.
Voltamos ao quarto, e durante o caminho, ainda conseguimos falar com doutor Nakamoto, que nos assegurou que Hyun estava bem.
[...]
Jin teve que ir embora, e eu e Jungkook mais uma vez, ficamos sozinho naquele quarto claro.
— Está com dor, mochi?
— Estou bem. — sorri e fui até o banheiro, começando a me despir para tomar um banho.
— Quer ajuda? — Jungkook se encostou à porta do banheiro, tocando suavemente minhas costas, me dando um leve susto.
Cobri meu tronco do jeito que dava, sentindo a vergonha me impregnar.
— Eu estou bem...
— Não precisa ter vergonha amor, eu te acho lindo, você sabe.
— Não tem como me achar lindo, quando estou igual a uma bola, baby.
E me sinto estranho, em te deixar me ver assim...
— Por quê? — se aproximou e me deu um beijo no ombro, em seguida no pescoço, me fazendo suspirar com o toque.
— Porque você tem que me desejar quando meu corpo estiver normal... E não assim.
— Mas você está normal, mochi. E não estou pedindo para fazermos nada, apenas quero te ajudar, você não pode se esforçar muito, sabe disso.
— Eu estou bem, anjo. — o toquei no rosto. — de verdade.
Ele assentiu, e se afastou.
— Qualquer coisa me chama, tudo bem?
— Está bem. — o beijei e ouvi o suspiro que ele liberou com o toque. — Está tudo bem?
— Está sim. — Ele sorriu sem mostrar os dentes. — Vou estar aqui fora. — me deu um beijo e saiu.
Fechei a porta do banheiro, sem trancar, e me despi.
Entrei debaixo da água fria, e fiz uma careta, quando a senti bater na pele.
Peguei-me pensando em jungkook e o quão frustrado ele não deveria estar.
Ele é um garoto jovem, deveria está namorando uma pessoa legal, interessante, e não um cara grávido que m*l consegue andar sozinho e não lhe oferecia prazer algum.
Senti-me também frustrado, por não conseguir fazer o meu namorado se sentir bem, ou ao menos, um pouco melhor, ou menos pior.
Terminei o banho, e vesti o roupão do hospital, saindo do banheiro, e o encontrando sentado sobre o sofá, digitando algo no celular.
— Baby. — Chamei-o trazendo sua atenção a mim.
— Está tudo bem? — Jungkook deixou o celular de lado e ficou de pé.
Assenti e me aproximei, parando de frente a ele.
— Você está frustrado?
— Frustrado? Claro que não, amor. — sorriu. — por que a pergunta?
— Porque eu percebo que você está... E tudo bem, eu também estou.
— Juro que estou bem e estou feliz com tudo o que vem nos acontecendo, amor. Mas por que você está se sentindo frustrado?
Segurei a mão e entrelacei nossos dedos, o puxando de volta até o sofá.
— Eu só sinto que não estou te fazendo bem de alguma maneira... Sabe você só tem vinte anos, baby, deveria estar se divertindo, sentindo o bom da vida.
— Mas quem disse que não estou sentindo? Mochi, eu estou aqui com você por que eu quero e porque isso é o bom da vida para mim.
— Mas baby, você vai passar as próximas semanas assim? E quando o bebê nascer? Eu vou ficar cansado e provavelmente ficarei descabelado e cheio de sono... m*l vou conseguir ficar com você e quando conseguir, estarei sempre com um bebê nos braços...
— Jimin-ah... — o encarei. — Eu te disse meus planos, amor. Eu sou sim, um cara de apenas vinte anos, mas o que isso tem a ver com ficarmos juntos? Eu quero te ver descabelado e quero te ver com um bebê nos braços, você não tem ideia de como eu quero isso. — ele chegou mais perto e juntou nossos lábios, em seguida me olhando nos olhos. — Eu quero isso e quero com você, só você.
— baby... — sorri e o beijei novamente. — Eu gosto de você.
Ele sorriu e mostrou os dentinhos, me puxando devagar até me abraçar, e me dar novamente o conforto dos braços grandes.
— Eu amo você.
[...]
— Chim, como eu vou achar a sua mãe aqui? Eu nunca vi uma foto dela.
— É verdade... Mas olha direitinho. Ela parece muito comigo, é fácil de achar.
— Tem certeza que ela chega hoje?
— Tenho Jin, ela me disse que chegaria à sexta, no trem das duas da tarde. Você deveria ter feito uma placa com o nome Park Sun-Young, ficaria bem mais fácil.
— Tenha senso, né, chimie? Vou procurar aqui, e te ligo de volta para avisar, Tchau.
— Tchau jin.
Encerrei a ligação, e olhei para Jungkook, que roía as unhas, parecendo em pânico.
— Baby, está tudo bem?
— Hm? Ah... Claro!
Aproximei-me dele, e o toquei sobre o ombro.
— Você não está bem. — ele me olhou e assentiu. — É medo?
— E se ela não gostar de mim?
— Ela vai te adorar.
— Nem você acredita nisso hyung.
— Acredito, é claro que acredito, Kook-ah. Mamãe tem o maior coração que conheço, ela é realmente um doce.
— Não sei, estou nervoso...
O abracei do jeito que conseguia e encostei a cabeça no peito dele, ouvindo os batimentos acelerados.
— Se acalma anjo... Ela vai gostar de você, porque verá que cuida muito bem de mim.
Ele me apertou, em um abraço carinhoso, mas deu um pulo de susto, quando meu celular voltou a tocar.
— Jin?
— Bebezinho!
— Mamãe?
— Eu achei o seu amigo perdido aqui no meio da estação.
— Já estão vindo? A senhora virá para o hospital, não é?
— Claro que vou. Quero te ver e cuidar de você e da barriguinha que carrega meu neto.
- Não diga que vai fazer carinho na barriguinha mãe, parece que está falando de um cachorrinho.
Ela sorriu e ouvi a voz de Jin falar algo que não consegui entender.
— Seu namorado está aí?
— Jungkook? — o olhei e ele tinha os olhos abertos para o meu lado. — Ele tá bem aqui, não desgruda de mim.
— Ótimo, ele está assustado, não está?
Senti o tom brincalhão, típico dela, que amava assustar qualquer namoradinho meu.
— Não o assuste mais mamãe, por favor...
— Claro que não. — sorriu. — Chego já ai, beijos.
— Beijos.
Novamente a ligação foi encerrada, e jungkook já caminhava de um lado a outro.
— Jungkook fica calmo.
— Não me chama de Jungkook, fico mais nervoso!
— Mas é o seu nome, oras!
— Me chama de anjo, ou baby... Qualquer coisa que me faça ficar calmo, menos jungkook!
Aproximei-me dele, e o segurei pelos ombros, encarando os olhos grandes e assustados.
— Fica calmo bunny.
Ele franziu o cenho me olhando, mas em seguida abriu um sorriso grande, mostrando os dentes de coelho enquanto assentia.
— Ok... Ok!
Sorri e o abracei mais, o acalmando, enquanto acariciava as costas largas.
Ficamos trocando carinho no sofá, durante uns 40 minutos, até que a porta do quarto foi aberta sem aviso, fazendo jungkook dar um pulo do lugar, enquanto a mão ia em direção ao peito, assustado.
Ajeitei-me no sofá, e olhei para a porta, vendo a mulher pequena, que me deu a vida, sorrir pra mim.
— Mamãe! — me apressei em ficar de pé, mesmo com dificuldade, e fui até ela, a abraçando.
— Meu bebê! — ela beijou minhas bochechas, e em seguida olhou minha enorme barriga. — Meu Deus, Chimmy!
— Está enorme não é?
Ela assentiu, começando a chorar, me abraçando novamente.
— Está lindo bebê, você é a coisinha mais linda do mundo grávido.
Demorei um pouco naquele abraço, aproveitando o colo e matando a saudade, até lembrar-se do meu anjinho atrás.
— Quero que conheça Jungkook.
Ela me soltou devagar, e limpou os olhos, olhando por cima do meu ombro.
Virei-me e Jungkook vinha se aproximando devagar, até parar ao meu lado, e se curvar, quase desesperado, para ela.
— É um prazer conhecê-la, senhora Park.
Ela olhou para ele, em seguida para eu sorrindo, e piscou um dos olhos.
— Esse é o tal jungkook? — Jungkook se ergueu e a olhou. — Você que é o namoradinho do meu chimmy?!
— S-Sim senhora. — ele assentiu com as mãos juntas em frente ao corpo.
— Quais as suas intenções com o meu bebê?!
— Mãe! — sorri e olhei meu pobre anjinho, que a olhava desesperado.
— As melhores, senhora, eu j-juro!
— Por que está gaguejando? Está mentindo para mim garoto? — ela semicerrou os olhos, me fazendo segurar ainda mais a risada.
— NÃO! — Jungkook falou alto, logo abrindo os olhos assustados, por talvez notar seu tom. — Eu o respeito demais senhora, quero me casar com ele, juro! E quero fazer tudo do jeito certinho, entende?
Ela o olhou e caiu na gargalhada, eu e jin fizemos o mesmo, vendo Jungkook nos encarar sem entender.
— Desculpa anjo, ela está brincando contigo.
— Está? — me olhou curioso.
— Mais ou menos. Mas posso dizer que gostei da parte em que você disse com clareza que quer casar com meu Chimmy, talvez eu goste de você.
— Você vai gostar dele, mãe, Jungkookie é um amor.
Mamãe continuou olhando jungkook.
— Tudo bem. Mas preciso te perguntar uma coisa, garoto... por que você é tão bonito?
— Não é? — abracei meu anjinho de lado, deixando um beijinho sobre a bochecha dele. — É a coisinha mais linda desse mundo.
— Desculpa... Mas a senhora gostou mesmo de mim? — Jungkook perguntou ela todo envergonhado.
— Ainda não posso afirmar isso, preciso te conhecer mais a fundo, não acha?
Ele assentiu mordendo o lábio inferior. Ainda estava muito nervoso.
— Jungkookie cuida muito de mim, e ele sempre me traz tortas... São as melhores do mundo.
— É confeiteiro? — minha mãe o perguntou, largando a bolsa sobre a mesa.
— Oh, não. — ele abanou a mão sorrindo. — Meu pai que é. Eu apenas tenho algumas cafeterias que usam as receitas dele.
— Oh, tão novo, e já tem a própria cafeteria? Isso é incrível.
— Na verdade ele tem dezenove, Jungkook tem uma mente de ouro. Irá abrir a vigésima lá em busan. Sabia que ele também é de lá?
— Calma, dezenove? — ela o encarou sem acreditar. — Mesmo? — ele assentiu com os olhinhos pretos a encarando. — mas como? Garoto qual a sua idade?
— Tenho vinte anos, senhora Park. Vim de busan para Seul aos dezesseis anos sozinho, com um pouco de dinheiro que meus pais haviam me dado. Quando cheguei aqui, comecei a trabalhar e consegui juntar um pouco de dinheiro, junto à renda extra que tive das vendas dos bolos que fazia com a receita do meu pai, e vendia por aí, então com dezessete anos tinha dinheiro suficiente para abrir a minha sonhada cafeteria e então abri... E bom, em três anos, consegui o que tenho hoje.
— Meu deus... — minha mãe tinha a boca aberta, completamente surpresa com a história. — Isso é inacreditável garoto!
— Eu também fiquei desse mesmo jeito quando o ouvi contar. Meu Jungkookie é um homem de ouro, muito inteligente e ótimo com os negócios.
Jungkook me olhou, com o rosto corado e sorriu.
— Eles não são lindinhos juntos? — jin falou e minha mãe assentiu.
— Soube que conheceu meu bebê praticamente o salvando, é verdade?
Fiquei surpreso ao ouvir aquilo, porque ainda não tinha contado a ela sobre isso. Olhei para Jin e ele sorria todo orgulhoso.
— Fiz a média com a sogra, você me deve uma jungkook.
Jungkook assentiu sorrindo e olhou para minha mãe.
— Sim, foi um dia muito ruim... Eu fiquei com muito medo, mesmo não o conhecendo ainda.
— Vocês estão juntos há quanto tempo?
— Estamos juntos há quatro meses, e namorando a dois.— a respondi.
— E você só me contou na semana passada, Park Jimin? — me olhou séria, colocando a mão na cintura, assim como eu, quando ficava irritado ou nervoso.
— Desculpa, é que estava tudo tão recente, e tinha o Kihyun, e-
— Kihyun! Como ele está? Vi na internet sobre a doença... Fiquei arrasada.
— Ele fez um transplante há dois dias. O hyung ficará bem agora senhora Park. — Jungkook respondeu.
— Hyung? Vocês são amigos?
— Acho que sim... — Jungkook sorriu meio sem graça. — Como mochi disse, é recente...
— Mochi? — ela franziu o cenho ainda encarando Jungkook. — Está chamando o meu bebê de bolo de arroz?
— Oh, me desculpe. É só um apelido carinhoso...
— Carinhoso? Chimmy, esse cara te chamou de bolo! — apontou o dedo para Jungkook, que tremeu de leve.
— Mamãe! Pare. — sorri negando. — Está assustando ele de novo, e mochi é lindo, eu gosto.
— Eww— ela fez uma carinha de nojo, fazendo Jin gargalhar. — Casal rapadura.
O celular do Jin tocou, e ele arregalou os olhos, batendo uma mão na testa.
— Minha nossa!
— O que foi? — perguntei.
— Esqueci meu noivo no aeroporto!
— Namjoonie já voltou?
— Sim, ele foi apenas a Taiwan, e eu fiz questão de buscá-lo, mas acabei esquecendo.
— Você está frito, jin. — sorri e ele me deu língua.
— Bom, tenho que ir. Jungkook pode vir comigo, para colocar as malas da senhora Park, no seu carro?
— Claro. — Jungkook me deu um beijinho na testa, e se curvou para minha mãe, indo até jinie.
— Até mais, Chimie. E foi um prazer conhecê-la, senhora Park.
— Prazer foi todo meu querido.
Vimos os dois deixarem o quarto, ficando somente eu e ela ali.
— Como é o nome do meu neto?
— Mãe... eu já te disse. É Jiwan.
— Jiwan... Jiwan! — ela sussurrava para si mesma. — Preciso lembrar.
— Vem aqui. — Fui até o sofá e a chamei. — me conta sobre a viagem, sobre como está toda a família.
Ela veio até mim, e sentou ao meu lado.
Passamos a conversar sobre tudo que havia acontecido no tempo em que não tínhamos nos visto. Contou como foi a notícia para a família e como minhas tias haviam chorado.
Fiquei de ir até Busan, quando o bebê nascesse, junto à jungkook, fazer uma visita a todos.
No final da tarde, fomos ver os três bebezinhos novamente, e incrivelmente Taehyung fez amizade com minha mãe nos primeiros cinco minutos.
Também segurei o pequeno jongin nos braços pela primeira vez, morrendo de medo, mas já treinando para receber o meu jiwan.
Na noite, como doutor Wang havia nos dito que seria o melhor horário, fomos visitar Hyun, e ele e minha mãe se davam tão bem, que ficaram horas conversando, enquanto eu e Jungkook observávamos sentados.
[...]
— Mamãe, tem certeza que não se incomoda em ficar sozinha?
— Claro que não chimmy, e amanhã estarei aqui logo cedinho, então vai passar rápido.
— Jungkook vai levar à senhora, até lá, ok? — Ela assentiu e se aproximou para me dar um abraço.
— Estou tão feliz por estar aqui com você, Chimmy. Estava morrendo de saudade.
— Também estava. Oh, eu e Jiwan, esperaremos por você amanhã, ok?
Ela assentiu e me deu mais um abraço.
— Eu volto já. — Jungkook me deu um selinho rápido e sorriu, se afastando junto à mamãe.
Sorri para a cena, e me ajeitei na cama, percebendo o quão louca a vida era, para ter nos juntado da maneira que juntou, em meio a lágrimas, dor e medo, mas também o quão boa era, para enfim nos fazer se sentir feliz, leve, e realizados, estando com pessoas novas, e restaurando as antigas.
Continua...