34 — Victoria Narrando Eu senti meu sangue ferver de um jeito que a vista chegou a escurecer por um segundo. Aquele homem sentado ali, com aquela calma de quem é dono do mundo, estava me testando. Cruzei os braços e dei um sorriso de lado, carregado de deboche. Eu podia estar quebrada por dentro, mas ninguém ia ver a Herdeira baixar a cabeça para um forasteiro. — Vai dizer que você nunca ouviu falar de mim, pivete? — Ele soltou a fumaça na minha direção, com aquele ar de superioridade. — Não. Nunca ouvi falar — respondi seco, sem piscar. — Para de mentira. Impossível o teu pai nunca ter falado de mim pra você — ele retrucou, me medindo como se eu fosse uma criança contando história. — Olha, ele até pode ter falado — dei um passo à frente, encostando na mesa. — Mas eu nunca levei a sé

