47 — Victória Narrando Alguns dias se passaram, mas o clima na Nova Holanda parecia que ia explodir a qualquer segundo. Eu tentei manter a rotina, descendo pra boca, acompanhando a contabilidade e vendo como os moleques estavam organizando a carga. Eu precisava mostrar que, mesmo sem o meu pai, a engrenagem não parava. Eu estava sentada na mesa da sede, conferindo uns cadernos, quando a porta abriu com tudo. O Peppa entrou como se fosse o dono do mundo. Ele estava sem camisa, com um bermudão tactel e um chinelo de dedo. O sol do Rio não é pra qualquer um, e ele parecia bem adaptado. O peitoral dele era largo, coberto de tatuagens que subiam pelo pescoço e fechavam os braços, e o suor brilhava na pele morena, destacando cada músculo. — Que bagunça é essa aqui, Victória? — ele perguntou,

