41 — Cida Narrando Eu colocava os pratos na mesa com as mãos ainda meio trêmulas, sentindo o peso do olhar do Peppa e daquele homem gigante que não dizia uma palavra. Cozinhar nessa cozinha sempre foi o meu prazer, mas hoje cada estalar do bife na frigideira parecia um grito de saudade. São muitos anos, meu Deus... muitos anos servindo o Vitor, cuidando dessa casa como se fosse minha, vendo ele crescer e se tornar o homem que todo o morro respeitava e temia. Dói. Dói de um jeito que não cabe no peito continuar aqui dentro, vendo a cadeira dele vazia, sentindo o cheiro do charuto dele que parece que nunca vai sair das cortinas. Teve momentos, logo depois do enterro, que minha vontade era só juntar minhas trouxas e sumir no mundo, ir morar com minha irmã no interior e nunca mais ouvir baru

