42 — Peppa Peppa Narrando O silêncio daquela cozinha, depois que a Cida subiu com a bandeja, era tão denso que eu conseguia ouvir o barulho do motor da geladeira e o som da mastigação lenta do Baiano. O feijão estava bom, tinha o gosto da minha infância na Nova Holanda, mas cada garfada descia como se eu estivesse engolindo pregos. Eu não vim aqui para fazer tour gastronômico ou relembrar os velhos tempos com a cozinheira. Eu vim para caçar. Afastei o prato, ainda pela metade, e me inclinei sobre a mesa. O Baiano parou o talher no ar, sabendo que o papo ia mudar de figura. Ele me conhece. Sabe que quando eu fico com esse olhar fixo, é porque o sangue tá fervendo por baixo da pele de gelo. — Escuta aqui, Baiano — comecei, falando tão baixo que a voz era quase um rosnado, para não subir

