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43 — Victória Narrando A Cida saiu do quarto levando a bandeja com o resto da comida que eu consegui empurrar pra dentro. O gosto do bife com batata, que sempre foi meu porto seguro, hoje parecia cinza na minha boca. Assim que a porta encostou, o silêncio do quarto me abraçou de novo, mas era um silêncio barulhento, cheio de vozes e de dúvidas. Eu me deitei de lado, abraçada ao travesseiro que ainda tinha um rastro bem fraco do cheiro dele, e comecei a forçar minha mente a trabalhar. "Emoção não ganha guerra, Victória. O que ganha guerra é estratégia e sangue frio", era o que o meu pai, o 20 Anos, sempre me dizia. Eu fechava os olhos e tentava buscar cada aula, cada esporro, cada conselho que ele me deu desde os dez anos, quando me tirou daquela calçada suja e me deu um destino. Eu prec

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