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1271 Palavras

29 — Vitória Narrando O silêncio aqui dentro de casa é tão pesado que parece que eu estou carregando o mundo nas costas. Faz alguns dias que o meu chão sumiu, mas o relógio não parou. A vida é um bicho c***l: ela continua correndo mesmo quando a sua parou no tempo. Eu achei que o morro ia parar. Na minha cabeça, a Nova Holanda ia ficar em luto absoluto, tudo fechado, sem um rádio tocando, sem um motor de moto roncando, só o choro de quem amava o 20 Anos. Eu achei que o respeito ia trazer o silêncio. Mas quando eu olhei pela janela, o movimento continuava. As bocas funcionando, o som alto nos becos, a bagunça de sempre. — Luan, por que essa barulheira? — perguntei ontem, com o resto de voz que me sobrava. — Meu pai morreu, c*****o. Ninguém tem respeito não? Ele me olhou com aquele olha

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