Cap 21 — Victoria Narrando O meu celular vibrou na mão e o texto do Luan parecia um soco no estômago. "Se eu não descer... não me arrependo de nada." Aquilo não era uma mensagem de despedida, era um testamento. O medo que eu senti não foi o medo que eu tive da Bianca ou das ruas; foi um medo frio, visceral, de perder a única pessoa que me fez sentir mulher em vez de soldado. Eu não pensei. Se eu pensasse, eu travava. Catei a chave da minha moto, desci a escada ignorando a dor no corpo e o cansaço. Montei nela e saí rasgando as vielas. O vento batia no meu rosto, mas eu só conseguia ver a imagem do meu pai com aquela expressão de gelo. Eu conhecia o 20 Anos. Ele não faz teatro. Se ele chamou o Luan no escritório e o clima pesou, o final daquela conversa já tinha um endereço: o micro-ond

