Pesadelo Narrando Minha cabeça estava fervendo. Daquele jeito perigoso, que eu conheço bem. O tipo de raiva que não vem gritando, vem silenciosa, acumulando, esperando só um vacilo pra explodir. Eu estava me segurando no limite, porque se aquele agente aparecesse ali de novo, com aquele sorriso de deboche, eu não sei se ia conseguir segurar. Não tinha necessidade nenhuma do que ele fez. Nenhuma. Foi só pra me provocar, pra me lembrar onde eu tô, do jeito mais sujo possível. Joguei a raiva no corpo. Comecei a fazer flexão, uma atrás da outra, sentindo o braço queimar, o peito arder, o suor escorrer pelo rosto. Aqui dentro é isso: se você não ocupa a cabeça, ela te ocupa. E quando ocupa, te leva para lugares que não tem volta. Eu contava mentalmente, respirando fundo, tentando manter o co

