Lara Narrando Esses dias todos a Marcela ficou distante, falava só o necessário, respondia com a cabeça, com um “aham” baixo, e eu respeitei. Mas respeitar o silêncio dela nunca significou me afastar. Isso não era opção. Amizade de verdade não é só pra rir em momentos bom, é pra sentar no chão frio junto quando tudo parece desabar. Então eu continuei indo. Todo dia. Às vezes de manhã, às vezes no fim da tarde, às vezes só pra passar cinco minutos e ver se tava tudo em ordem. Eu chegava como quem não quer nada, ajudava no que dava. Quando a tia Arlete estava com mais energia, a gente sentava na mesa da cozinha, fazia um chá, jogava dominó. Quando ela tava mais fraca, eu só ficava ali, sentada perto, fazendo companhia em silêncio. Às vezes o silêncio fala mais que qualquer conselho. A tia

