Capítulo 7

1138 Palavras
Estar na presença de Daniel era desconfortável. Ele parecia dominar todo o ambiente. E sorria de uma forma tão educada, mas Helena se sentia estranha com ele ali, com sua família. Parecia que estavam em perigo perto dele. Mas, era um pensamento irracional. Não fazia o menor sentido. O que um rapaz como ele poderia fazer contra sua família? - Estou tão orgulhosa de você, filha. O senhor Ward disse que tem interesse em suas obras – a senhora Morgan disse, orgulhosa para Helena – Então, veio trazer o contrato para nós. Que gentileza. Como é menor de idade, eu e seu pai vamos assinar para você. - Vocês...vocês vão deixar? – ela perguntou, receosa. Não era comum que seus pais permitissem qualquer coisa. - Claro. Desde que ele não a leve para outro continente. É só aqui em San Diego – ela disse, com um sorriso – Não é mesmo, senhor Ward? - Sim, é aqui – Daniel assentiu, com um sorriso plácido, deixando a xícara na mesinha de centro, mas permaneceu sentado, confortavelmente na poltrona, com as pernas cruzadas – Então, ficarei no aguardo das suas assinaturas – Ele cruzou as mãos sobre o joelho. - Sim, sim. Vamos esperar Jonathan chegar do trabalho – ela disse – Gostaria de esperar mais um pouco? - Se não for incomodo – ele disse. Helena ficou parada, no batente da porta da sala, sem saber o que fazer. Se entrava ou se ia para seu quarto. Sua vontade era de se trancar no quarto e não sair mais. Seu coração ainda parecia doer pela rejeição de James. - Está chorando? – Elliot perguntou, levantando do sofá – Está tudo bem? - Eu...está tudo bem sim. Só um desentendimento – ela disse, sem olhar para seu irmão. Ele parecia preocupado. Era o que mais conhecia seus problemas e seu íntimo, além de James e Lia. - Querida, o que houve? – A Sra. Morgan perguntou – Alguma briga na escola? - É só James, mãe. A gente só brigou – ela respondeu, como se não fosse nada. Daniel a fitou com um olhar estranho. Seus olhos negros não diziam muito o que ele sentia. Ela apenas desviou o olhar. - Ah, brigas entres amigos. Isso é comum. Logo vão se entender – A Sra. Morgan disse como se entendesse do assunto muito bem. - Concordo com mamãe, tenho certeza que vocês vão se entender – Elliot disse, tocando a mão dela – Quer subir para o quarto, enquanto eu faço a sala? – ele sussurrou a pergunta, somente para que ela ouvisse - Por favor – ela pediu, agradecida – Eu vou subir mamãe. Foi bom ver você Daniel. - Igualmente – ele disse, acenando com a cabeça. Ela recebeu um beijo na testa do irmão e subiu as escadas, de forma rápida, batendo os saltos das botas de cadarço no chão de madeira. Quando chegou em seu quarto, apenas trancou com a chave, largando a bolsa de couro no chão e deitando na cama, abraçando seu travesseiro. Ali, derramou todos os sentimentos que a corroíam por dentro. Sentia o peito oprimido e a garganta doendo, como se estivesse sufocando. Sentiu os olhos doloridos, pelas lágrimas que banhavam seu rosto. Ela se sentia tão miserável e tola. Como poderia estar sofrendo tanto? Por algo tão t**o e pequeno? Mas, era um sentimento que a acompanhava desde que conhecera James mais profundamente. Desde que ele lhe contara seus segredos. E o amor que sentia parecia só aumentar, pela rejeição dele. Ou somente seria seu coração partido, ansiando por ser reparado? De preferência, pelo amor que esperava dele. Ela escutou batidas em sua porta e se levantou da cama, secando os olhos com dorso da mão. - Quem é? – perguntou, com a voz pastosa. - Sou eu – ela pode escutar a voz de Daniel – Posso entrar? - Por que? – ela perguntou, irritada. Não queria ele ali. - Só gostaria de ver como está. Parecia triste na sala – ele disse, transparecendo solidariedade pela dor dela. E isso só piorava o humor de Helena. Ela se sentia ainda mais humilhada por ter alguém que estava com pena dela. Não precisava daquilo. - Só vá embora, Daniel – ela pediu, deitando na cama. E escutou a porta ser aberta. Deu um salto na cama, se sentando, vendo ele entrar, com um olhar sério. Seus cabelos negros estavam bem penteados para o lado. Vestia um blazer preto, por cima de uma camisa azul escuro, calça jeans preta e sapatos Oxford pretos. - Eu não gostaria de ir agora – ele disse, fechando a porta, em um clique. Helena o fulminou com o olhar. Ele apenas lhe deu um sorriso provocativo. - O que você quer? – ela perguntou, irritada. - Eu gostaria de convida-la para sair no fim de semana – ele disse, fitando-a com os olhos negros – Para conhece-la melhor. E não gosto de ouvi-la chorar. Não deveria chorar por ninguém. - Você não sabe nada sobre minha vida, para querer qualquer coisa – ela retrucou, se levantando da cama e indo até a porta. Mas, ele segurou seu pulso – Quer me soltar? - Não, enquanto não aceitar meu convite para sair – ele insistiu, com um sorrisinho convencido – E não vou aceitar um não como resposta. - Você deve ser louco – ela disse, entredentes – Eu não o conheço e minha mãe nunca deixaria eu sair com você. E ainda mais agora, por invadir meu quarto desse jeito. - Ela deixou, Helena – ele disse – E parece ter gostado muito de mim. E você quer que suas obras sejam conhecidas, não quer Helena? Seria uma pena esse contrato acabar entre nós. Ela o fulminou com o olhar, soltando o braço do aperto da mão dele. - Eu não ligo para o contrato. Pode ir para o inferno – ela abriu a porta – Agora, saia do meu quarto. - Vou te dar mais uma chance, Helena. Espero não ser decepcionado – ele disse, se aproximando dela, na porta e passando a mão pelo rosto dela, beijando sua bochecha. Ela o fitou desconsertada – Marquei para o sábado. Espero que esqueça de uma vez seus problemas bobos e me encontre no restaurante. Já deixei com sua mãe o endereço. Ele saiu do quarto dela e Helena piscou atônita. Ele tinha atitudes estranhas, extravagantes e parecia convencido demais. Parecia ter tudo sobre o controle e agia sem o menor respeito. Ela queria gritar com ele, protestar. Mas, a única coisa que fez, pois estava exausta emocionalmente, era fechar a porta e deitar na cama. Colocou o travesseiro sobre o rosto e gritou. Estava com raiva de tudo. E de alguém, de Daniel Ward. Se ele pensava que poderia tê-la sobre sua mão, estava muito enganado.
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