- Já pensou em se apresentar nos grandes museus de artes de Londres ou Paris? – indagou Daniel, enquanto andavam lentamente pela beira da praia.
O vento estava cada vez mais gelado e parecia mais difícil ficar abraçada a si mesma. Helena teria que pedir o casaco emprestado ou congelar lentamente. Seu jeans e blusa fina não estavam a aquecendo.
- Eu nunca pensei sobre isso, na verdade eu iria entrar na academia de artes e talvez dar aulas...
- Você não é muito ambiciosa, não é? – ele interrompeu – Devia reconhecer que tem grande talento.
- Como sabe que tenho grande talento? – indagou Helena, desconfiada.
- Porque seu irmão me mostrou umas fotos das suas pinturas, principalmente a praia com as ondas em movimento. – Daniel colocou os dedos no queixo, como se estivesse tentando relembrar algo importante – Qual era o nome mesmo...
- O oceano em movimento – respondeu ela.
- Isso, esse é o nome! Que incrível, uma garota como você, que nunca teve nenhum preparo conseguir fazer algo tão grandioso – ele comentou, enquanto olhava o mar. Seus olhos escuros brilhavam.
- Como assim, uma garota sem preparo? – perguntou ela, irritada.
- Oras, você nunca teve uma boa vivência da vida. E nunca cursou um curso de arte. Não é mesmo?
- Bem, eu nunca...
- Bem, foi o que quis dizer – ele interrompeu, rispidamente. – Posso financiar sua arte, se estiver disposta a pagar o preço.
- O que? Que preço? – ela retrucou. A raiva subiu, esquentando suas bochechas – Olha, estou cansada dessa conversa. Está frio e você está agindo de maneira muito estranha. E nem teve a decência de oferecer seu casaco.
Ele a fitou com interesse, ouvindo cada palavra com atenção. Sorriu e colocou o blazer nos ombros dela.
- Está melhor assim? – perguntou com afetada doçura.
- Está brincando comigo? Você é péssimo para primeiros encontros.
- Não estamos tendo um encontro. Estou falando de negócios – ele retorquiu.
Ela o encarou, parando a caminhada.
- Você é quem? O empresário mirim? – disse sarcasticamente.
- Não sou. Meu pai é que cuida disso. De obras de arte – respondeu ele, sem se afetar – Estou buscando para ele novos talentos que possam fazer negócios com ele.
- Ah! Claro e como você conseguiu saber de mim?
- Conheço seu irmão há muito tempo e ele comenta fervorosamente sobre sua arte. – respondeu ele, calmamente – Devido a isso, resolvi dar uma chance para você.
- Ah! É claro! Como sou afortunada de ser a escolhida. – ela zombou – Quer saber, não necessito das suas gentilezas.
Ela pegou o blazer e entregou para ele. Saiu andando, seus passos pesados como o temperamento. Ele a chamou, mas Helena não olhou para trás. Continuou a caminhada com olhar fixo na fogueira. Distraída, esbarrou em algo sólido.
- Calma, furacão. Vai me levar também? – James colocou as mãos nos ombros dela, sorrindo. – Agora pode entender o motivo da minha indignação? – ele apontou com olhar para onde Daniel estava.
- Bem, ele é arrogante. Mas isso não é motivo para me tratar como se eu fosse uma criança. – retrucou Helena. Ela se afastou e tentou continuar a andar.
- Ei, espere um pouco – ele foi mais rápido, segurando o braço dela – Tente se acalmar, okay? Sei que está brava e eu entendo. Só estou preocupado com você. Você nunca fez isso...
- Isso o que? – ela retrucou, tentando puxar o braço – Ser livre para fazer o que eu quiser? Sempre fui tão certinha, sempre obedecendo. E hoje eu não vou obedecer você.
- Não é isso... Você não sabe...não sabe como é o mundo, você nunca saiu do seu quarto sem seus pais – disse ele, com preocupação.
- Bom, hoje eu fiz isso. E lembra, você quem me convidou, não é mesmo?
Helena finalmente se soltou e continuou a andar. Ela sentia o amargor na sua boca. Por que todos estavam dizendo que ela era incapaz de ser independente? Por que tentavam a impedir? E por que Daniel estava lá? O motivo parecia muito mais do que comprar uma simples arte de uma adolescente. Ela avistou os seus amigos na fogueira, dançando e cantando em volta dela.
- Helle, que bom te ver – disse Lia, com as bochechas rosadas – Mas você não parece muito feliz em me ver, não é?
- Você não sabe o quanto. Por que me deixou sozinha? – perguntou ela, áspera.
- Nossa! O que foi isso? Helena Morgan sendo grossa? Preciso filmar – ironizou Simon, enquanto tirava o celular do bolso.
- Não foram vocês que ficaram ao lado daquele cara, todo engomado – disse Helena, sentando-se na areia – E para piorar, seu irmão acha que eu não sou independente para viver minha vida.
- Relaxa, Helle. Ele só está preocupado com você – Lia tentou tranquiliza-la.
- É relaxa e curta esse momento na praia com seus melhores amigos – disse Simon, sentando-se desajeitadamente na areia.
- Vocês dois beberam muito, não é? – comentou Helena, relaxando a postura.
- Você nem imagina – respondeu Lia, tomando uma mistura estranha em um copo de plástico.
- Gente, será que um dia eu vou ser tão independente como meus pais são? – perguntou Helena, encostando a cabeça no ombro de Simon.
- Chega desse papo depressivo. Toma isso o aqui – Lia entregou o copo de plástico que estava em sua mão. O líquido era de cor âmbar e borbulhante.
- O que é isso? – Helene indagou.
- É champanhe, meu bem – explicou Simon, abraçando-a – Mas você não vai tomar isso. Não tem vinte e um anos – Simon tirou o copo da mão dela e virou o conteúdo na boca.
- Deixa a menina ter uma experiência diferente, Simon – brincou Lia.
- Eu não posso, sou mais velho do que vocês. Minha responsabilidade é cuidar de vocês. E Lia, você nem deveria estar bebendo – disse Simon, contudo, ele não parecia falar sério.
- Eu não deveria? Quem é você pra falar? Já bebeu na minha idade que eu sei – ironizou Lia.
- Eu sou alguém que tem controle, vocês ainda são crianças.
- Uhh, como somos crianças – brincou Helena.
- Helle, sério, você é muito especial para seus pais. Precisa entender isso, minha mãe vive conversando com a sua mãe. Até ouvi um lance esquisito esses dias... – Simon interrompeu-se, olhando fixo para a areia, os olhos vidrados – Ah, mas enfim, você é tudo que eles têm. Você e Elliot.
- O que você ouviu de estranho, Simon? – indagou Helena.
- Bem...eu não sei...agora não lembro mais – ele tentou argumentar. Se levantou e começou a se afastar, como se Helena pudesse ler a verdade nos olhos dele.
- Volte aqui Simon, pode nos falar que lance é esse – gritou Lia. Mas já era tarde, ele já havia saído correndo.
- O que ele quis dizer com isso? – indagou Helena, pensativa.
- Significa que ele fumou alguma erva – Lia disse, sendo irônica. – Venha, vamos conversar com aqueles gatinhos do bar. Quem sabe eles têm alguma ideia do que o tal de Daniel faz aqui na nossa ilha.
As duas se dirigiram até o bar e se se encostaram ao balcão. Logo Pierce veio, abrindo um sorriso.
- Meninas, que prazer vê-las aqui na minha humilde choupana – brincou ele. Jogou seus cabelos lisos e castanhos para trás, charmosamente.
- Não vem com essa, ó pavão – cortou Lia. – Estamos aqui para colher informações.
- Quanto é que você vai me dar por uma? – disse Pierce, levantado à sobrancelha.
- Hum.. . vejamos, se você me contar o que preciso, eu não conto para sua mãe o que você fez com o carro dela. – Pierce arregalou os olhos – Vamos, me conta já o que aquele cara chamado Daniel esta fazendo por essas bandas?
- Bem, ele é filho de um empresário pelo que eu soube. Charles Ward Manson. – respondeu ele, pensativo – A história do empresário não é muito divulgada, ele tentou limpar os rastros. Porém, não deu para esconder que ele está envolvido com coisas da pesada.
Lia e Helena arregalaram os olhos.
- Que coisas são essas, Pierce – perguntou Lia.
- Bem, sabe como é. Tráfico de órgãos, acusado de fazer experiências com humanos em laboratórios clandestinos. – respondeu Pierce, tranquilamente.
- Como você sabe de tudo isso? – indagou Helena, pasma pelas informações de Pierce.
- Bem, gosto de navegar pela internet. Como disse, as informações do Sr. Ward Manson estão fora de circulação – de repente Pierce se inclinou no balcão, encarando as garotas com olhar sombrio – Mas não está fora da chamada Deep Web. Nesse local existem muitas informações que ninguém imagina. É tanta maldade que vocês não imaginam.
- Pff. Você fala como se nós fomos ter medo disso tudo – retrucou Lia, nem um pouco impressionada – Não sei se posso confiar em você. E isso porque o cara disse que o nome dele é Daniel Ward, não Daniel Ward Manson.
- Ah é claro que vai dizer isso. Ele não quer que ninguém saiba dos negócios ilegais de seu pai – falou Pierce – Enfim, meninas, vocês vão querer algo para beber? Se não, deem o fora.
- Não, obrigada Pierce. Você é sempre tão solicito – Lia ironizou.
- Não há de que. Estou ao seu dispor – ele fez uma reverência cômica.
- Esse Pierce não é muito confiável, não é? – indagou Helena, enquanto as duas se afastavam.
- Não sei dizer. Por quê?- disse Lia, chutando a areia.
- Bem, porque o Daniel queria comprar meus quadros. Quer dizer, o pai dele, o Sr. Ward.
- Hum... Não custa ter uma grana. – Lia deu de ombros.
- Como assim? Eu não vou negociar com um cara que é procurado pela lei – Helena ficou indignada.
- Você não precisa negociar com ele, vai negociar com o filho gato dele – Lia disse, rindo.
- Fácil para você falar. Não é você que vai negociar com um possível criminoso.
As duas continuaram a caminhada, até que viram uma van encostada no acostamento da praia, com luzes altas. Um homem alto e de roupas escuras estava do lado do veículo, acendendo um cigarro. Helena estancou, fazendo Lia tropeçar.
- Qual é seu problema? – reclamou Lia, passando a mão no tornozelo torcido.
- Aquele homem, ele é muito estranho – apontou Helena para o homem ao lado da van.
- Querida, esse é um país livre. Qualquer um pode parar seu carro e apreciar o mar – Lia continuou a caminhada. – Você vem?
- Estou com uma sensação estranha disso – comentou Helena mais para si mesma do que para Lia. Continuou a andar, ficando mais perto da beira da praia.
De longe as duas podiam avistar dois rapazes, pela altura poderia julgar se James e Elliot. Os dois eram tão altos, que era difícil perde-los de vista.
- E ai, gatas? – cumprimentou Elliot, quando avistou as garotas.
- Podemos ir embora, Elliot? – indagou Helena.
- Ir embora? Você m*l chegou aqui, só faz uma hora – reclamou Elliot, continuando a sua caminhada de volta para a fogueira.
- Elliot, tem algo estranho nesse lugar – Helena olhou de canto para a van. O homem do cigarro não estava mais lá – Você conhece bem aquele seu amigo, Daniel?
- Claro que conheço. Lembra-se daquele amigo do intercambio na França? – Helena balançou a cabeça – É ele, que mandava mensagem para você, enquanto eu estava fora. Você ficava tão preocupada comigo. Depois que começou a conversar com ele, parecia ter me esquecido – Elliot riu.
- Não tem graça, Elliot – resmungou Helena, ficando vermelha. James olhou de canto, insatisfeito. – Eu só gostava de conversar com ele. Mas agora que sei que é esse Daniel, não quero vê-lo na minha frente.
- Por que, ele fez algo pra você? – perguntou James, irritado.
- O que você tem contra o cara? – indagou Lia.
- Ele é arrogante. Se exibindo só porque veio de solo britânico – ele respondeu, irônico.
- James tem razão, Lia. Ele é arrogante e não é só isso – Helena disse. James sorriu triunfante – Ele queria comprar meu quadros...
- Isso é uma coisa boa – interrompeu Elliot – Sei que ele tem gênio difícil, mas é um bom rapaz. Eu sabia que ele compraria suas pinturas.
- Tem mais, Elliot – retrucou Helena – Segundo Pierce, o barman – Elliot e James torceram o nariz – Bem, como eu ia dizendo, Pierce contou que o pai dele não tem um bom histórico. Ele se chama Charles Ward Manson. Ele é acusado de coisas horríveis. Fez tráfico de órgãos e experiências com humanos em laboratório...
- O quê? – exclamou James. Elliot continuava com aparência sóbria. – Não quero vocês duas falando com esse cara. Eu juro que se eu ver ele de novo...
- Relaxa, James – tranquilizou Elliot – Daniel tem o sobrenome Ward, não Ward Manson. Como podem afirmar que ele é filho do Sr. Ward Manson?
- Isso é muita coincidência – Helene não parecia convencida.
- Sei que parece, mas vi o pai dele, Helle. – falou Elliot – O nome dele é Thomas Ward. Está resolvido. Pierce sempre fala essas coisas para assustar menininhas como vocês.
- Como vocês? Tire-me fora dessa, garotão – Lia falou indignada.
- Não é só isso, Elliot – Helena parou e apontou para o acostamento – Consegue ver aquela van preta, tinha um cara lá. Estava fumando e observando, como se estivesse esperando alguma coisa. Tenho uma sensação estranha disso tudo.
Elliot riu, sem demonstrar acreditar em uma palavra que ela disse. Lia revirou os olhos, enquanto James parecia convencido.
- Olha, você anda assistindo filmes de investigação demais – falou Elliot, apertando o ombro de Helene – Você precisa sair mais. O mundo não é só um lugar de assassinatos e coisas ruins, Helle. Existem coisas belas para se ver e pessoas que podemos confiar. Não precisa ter medo.
Helena fungou. Não estava convencida daquilo. Ela precisava descobrir o que estava de errado com Daniel e iria até o fim com isso.
- Você está enganado, Elliot – falou Helena – Quando eu achar a verdade, vai me agradecer.
- Tá bom. Vamos voltar pra fogueira, por favor? – Elliot disse, cansado. Todos assentiram.
Os quatro continuaram a caminhada, mas pararam assim que ouviram um barulho alto e gritos.
- O que está havendo? – perguntou Lia, se agarrando em Elliot.
Continuaram até que viram algo que não esperavam. Simon estava no chão, deitado, sangrando muito, na altura do ombro.
- Oh meu Deus! – exclamou Helena, se ajoelhando ao lado do amigo. – Ele está morto?
- Não, mas levou um tiro no ombro – respondeu Alexia, trêmula – Ele tentou parar aquele homem que saiu correndo – ela apontou para a mata – O cara apareceu do nada. Tentou atacar Daniel – quando Helena ouviu o nome dele, olhou institivamente para frente, e pode ver Daniel sentado, com as mãos na perna. Tinha um corte superficial na coxa e havia machucados no rosto – Simon tentou pará-lo...mas, ele levou um tiro – Alexia desabou no choro e James tentou confortá-la.
Simon parecia inconsciente, mas assim que sentiu o toque de Helena em seu rosto, despertou. Seu sorriso era fraco e ele fazia caretas de dor.
- Oi princesa – brincou ele, tentando se levantar. Helena o parou, apertando sua mão – Eu só queria sentar, estou querendo vê-la melhor.
- Pare de brincadeiras, Simon – ralhou ela – Você está baleado. Tem que ficar deitado. A ambulância já vai chegar.
Havia pessoas em volta, filmando com seus celulares, toda a situação. Para postar no Youtube e veicular a notícia. Helena esperava que não aparecesse no vídeo. Ou teria sérios problemas com seus pais, se eles vissem.
- Espero que chegue. Esses caras só ficaram filmando – Simon ironizou.
- Alexia já chamou, não é? – perguntou Helene, devidamente irritada.
- Claro... foi horrível, Simon não merecia – respondeu ela, chorosa. Abraçava James como se não houvesse o amanhã.
Helena se levantou, tentando manter a postura. Viu o pessoal ainda filmando e fazendo perguntas para Daniel. Ela foi até eles e disse:
- Saiam já! Estava vendo que ele está m*l, ele precisa descansar.
Daniel sorriu fracamente e tentou se levantar, sem sucesso. Helena foi ignorada pelas pessoas e viu que Daniel queria se levantar. Foi até onde ele estava e ofereceu a sua mão, mas ele recusou com a cabeça.
- Não precisa, mi lady. Estou perfeitamente bem, só preciso... – ele guinchou, por tentar mais uma vez levantar. Sua perna escorria sangue.
- Fique parado ai. – Helenaa se virou para Alexia – Por acaso você tem algum pano grande para que eu possa estancar o sangue?
- Claro! Vou buscar – Alexia saiu e James foi atrás, sem antes soltar um olhar de advertência para Daniel. Parecia estar se comunicando pela mente: “ Se você fizer alguma coisa com ela, eu te mato”.
- Não preciso de tanta atenção, seu amigo está bem pior – comentou Daniel, com respiração fraca.
- Deixe de ser orgulhoso. Estou tentando controlar a situação aqui. – retrucou Helena – E não pense que é só para você isso. Não se sinta especial.
Daniel tentou rir, mas só soltou um suspiro.
- Tudo bem, enfermeira Morgan. Pode voltar para seu paciente grave – ironizou ele.
Meu deus, até machucado ele consegue ser irritante. Não sei por que me preocupo com ele!, pensou ela enquanto ia até Simon.
- Como você está? – perguntou ela, segurando sua mão.
- Me sentindo no paraíso – Simon brincou – Mas falando sério, isso dói demais. Não vou mais bancar o herói. Quem levaria um tiro por mim?
- Eu levaria, você é meu melhor amigo – disse ela, sentindo algumas lágrimas rolarem em sua bochecha.
- Não chore princesa. Eu vou ficar novo em folha. Você verá – Simon tentou tranquiliza-la.
- Espero que sim, se você morrer, sua mãe me mata e mata você de novo – brincou ela. Os dois riram fracamente e ficaram em silêncio por longos segundos.
- Está aqui. Trouxe algodão e álcool também – falou Alexia, entregando os materiais.
- Bom, preciso de ajuda, eu cuido do Simon, você pode cuidar de Daniel, Alexia? – perguntou Helene.
Ela assentiu, mas James balançou a cabeça.
- Vocês sabem que não podem tocar no corpo deles, até a ambulância chegar, não sabem? – ele constatou.
Helena sabia muito bem disse, mas não queria ver Simon sofrendo por causa da dor.
- Ele tem razão. Eu acho que prefiro o médico da ambulância – Simon disse, com a mão no ombro ferido.
Helena fez uma careta de desgosto. E espero, sentada ao lado do amigo, confortando-o. Até que a ambulância chegou e levou os dois rapazes feridos. Antes de ir, Daniel disse a Helena que eles se encontrariam de novo. O que ela, de fato, não desejava. Depois disso, a polícia apareceu no local e todos que estavam no local precisaram prestar depoimento. Por ter menores de idade na festa e devido a presença de álcool e entorpecentes, a festa terminou antes do previsto. A maioria dos jovens foi levada para a delegacia mais próximo. Outros fugiram, com medo do que poderia acontecer. Alexia estava em estado de choque, pois não havia previsto que sua festa terminaria daquela maneira.
Infelizmente, Helena, Lia, Elliot e James foram para delegacia. Alexia também precisou ir. Por ter dezoito anos, ela teria mais problemas. Juntamente com Elliot. Mas, como seu pai era rico, o advogado conseguiu tira-la da delegacia. A pedido de James, seus amigos também foram soltos, desde que um responsável maior de idade viesse buscar Helena, Lia e James. Essa foi a situação mais complicada, pois os pais de Helena e Elliot estavam furiosos.
- Como puderam sair assim a noite? E você Elliot, não tem vergonha disso? – A Sra. Morgan reclamava, dentro do carro, enquanto o Sr. Morgan dirigia, com um rosto constrito.
Eles não disseram nada em sua defesa. Não havia como se defender. Para sorte deles, como na delegacia não encontram qualquer entorpecente com eles, foram liberados e não foram fichados. Mas, mesmo assim, os pais deles estavam demonstrando toda sua irritação pela situação. E proibiram Helena de sair por um mês de casa. James e Lia foram para casa com seus pais e Helena sabia que eles teriam os mesmos problemas. Já se arrependia de ter saído do seu quarto, aquela noite. Tentar viver um pouco parecia ser perigoso, de fato. Dois rapazes foram baleados, um deles seu melhor amigo. E por causa disso, a polícia fora acionada, interrompendo uma festa simples na praia, devido a forma ilegal que tudo ocorreu.
Helena subiu para seu quarto, sobre o olhar sério dos seus pais. Apenas se despediu de Elliot no corredor e entrou no quarto. Ele lhe deu um sorriso reconfortante e disse que tudo ficaria bem e que seus pais iriam esquecer em breve daquilo. E que ele já fizera muito pior.
- Pode acreditar, mana. As festas de faculdade eram bem piores que essa. Para minha sorte, eles nunca me pegaram – ele deu uma risadinha.
Helena balançou a cabeça e beijou seu irmão do rosto, lhe desejando boa noite. Ainda estava muito irritada com tudo. Principalmente por não ter seu celular consigo. Estaria proibida de até mesmo ter seu meio de comunicação. O que era péssimo. Ali estavam suas músicas preferidas. Além de poder conversar com seus amigos e acessar suas redes sociais.
Quando ela deitou na cama, olhando para a janela aberta, ainda podia ver a lua brilhando no céu. Sentiu uma conexão estranha com o satélite. Como se já tivesse dançado sobre a luz da lua. E quando mergulhava no inconsciente, podia ver olhos negros como a noite, em sua mente.