Capítulo 4

4093 Palavras
Helena se sentia mortalmente entediada. Queria muito poder sair de casa, mas não lhe era possível. Sua prima, Katherine parecia persegui-la e espezinha-la, mostrando a todo tempo seu celular de última geração. E para piorar sua situação, precisou ir de bicicleta com ela para a escola todos os dias, durante uma semana inteira. Era terrível demais para sofrer aquele terrível destino, de estar tanto tempo na presença da prima. Katherine Lewis era filha da irmã da sua mãe. Louise Lewis estava em congresso médico de oncologia e não havia com quem Kate ficar. O pai de Kate nunca assumiu a paternidade e seus avôs haviam falecido há anos. Então, sobrava a casa dos tios e ela e Helena nunca foram melhores amigas. Enquanto Kate era uma princesa de cabelos cacheados e loiros, muito popular com todos, principalmente com os garotos, Helena era quieta e calada, sempre desenhando pelos cantos, com longos cabelos escuros e olhos verdes musgos. Ninguém parecia nota-la na escola e era como se Helena fosse excluída por isso, em qualquer lugar que fosse. Enquanto as duas andavam com suas bicicletas, até a escola, Helena pensava no que seu irmão disse, sobre Daniel. Que ele seria sua ligação mais importante na vida. Pelo fato de poder promover sua arte e trabalho. Era algo que Helena sempre quis. Temia ficar na Califórnia, sufocada por seus pais, que pareciam ter um medo terrível de perde-la. O que começava a se tornar desgastante. Ela não desejava que seu talento fosse ofuscado. Mas, Daniel não parecia sua melhor opção. Ele era soberbo e estranho. E parecia esconder muitas coisas. O interessante era o fato de ter conversado com ele, durante o tempo que seu irmão esteve na França. Daniel nunca havia dito seu nome e ela nunca havia perguntado. Os dois se tratavam como anônimos e ela gostou daquela brincadeira. E Elliot parecia ter aceitado a brincadeira dos dois, sem interferir. Ele ser o mesmo rapaz o qual ela trocou mensagens durante um verão inteiro era o mais estranho. Ele parecia ter um humor cáustico, mas ser atencioso. Daniel não parecia ser ele. Seu perfil não encaixava com o rapaz anônimo que conversara, realmente. E havia o fato de que Helena se apaixonara por ele, mesmo gostando secretamente de James. Era confuso gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, mas foi o sentimento que ela vivenciou com muita intensidade. Mas, na época, se tivesse que escolher, escolheria o rapaz anônimo. Apesar de agora saber quem ele era, não tinha mais esse desejo. Sua paixão platônica havia esfriado. Quando Kate e Helena chegaram na escola, apenas se separaram. Ela foi com o grupo de líderes de torcida, que por acaso era composto por Alexia e Alicia. Havia outras garotas que Helena não fazia questão de saber o nome e fingiu não ver o aceno doce de Alexia para ela. Helena não conseguia ser tão falsa a ponto de cumprimentar sua rival. Ela apenas chegou no seu armário, abrindo e deixando sua mochila, apenas pegando seu caderno para o primeiro tempo, que era de inglês. E então, sentiu mãos em seu rosto, tampando sua visão. Ela entrou em pânico, mas lembrou-se do cheiro de cravo, sol e areia. Uma fragrância que acompanhava James para onde ele fosse. - Adivinha quem é? - ela escutou a voz dele, risonha. - Para James, não somos mais crianças - Helena ralhou, tentando tirar as mãos dos seus olhos. Ele retirou, rindo e ela virou para ele. James tinha cabelos cinzentos e olhos azuis esverdeados. Era tão incrível ver seus olhos de perto, que quase tiravam o fôlego de Helena. Ela realmente sentia uma atração inevitável pelo garoto, ainda mais pelo fato de ele ter o estilo que ela mais apreciava em rapazes. Calça jeans rasgada no joelho, botas surradas, uma camisa de flanela vermelha, com uma camiseta de banda. Aquele dia ele usava uma do Alice In Chains. Estava estampada a foto de um álbum deles, Jar of Files. Uma cabeça e uma jarra a frente, em tom avermelhado. Era um pouco assustadora, mas Helena tinha atração por coisas exóticas, bizarras e desconcertantes. E James parecia ter o mesmo gosto. Eles gostavam do Halloween, se fantasiavam de forma mais real possível, além de gostar de zumbis, jogos de tiro e vampiros. Tinham uma paixão profunda por isso e Helena gostava de retratar isso em seus desenhos. Algo que James aprovava e dava mais ideias para sua arte ser mais gótica possível. Seu quadro mais leve realmente foi representando o mar. E ela tinha uma visão ótima para arte de observação, por isso poderia muito bem representar algo no estilo neoclássico, clássico e talvez, no estilo renascentista. Ela se esforçava para isso. Contudo, o seu preferido era arte gótica, demonstrando anjos, vampiros e cemitérios desertos, com lápide com cruzes. Ela sempre ia nesses lugares acompanhada de James e Lia, para pegar o aspecto mórbido da morte. E muitas vezes, procurou imagens de bruxas fazendo rituais sobre a lua. O místico sempre chamou sua atenção, com mais força e ela se sentia atraída por isso. Então, tudo que representava através do desenho e da pintura parecia se comunicar com ela. Parecia ter uma energia poderosa que a envolvia e infelizmente, causava terrores noturnos. - Eu gosto de surpreende-la - ele disse com um sorriso amigável, colocando as mãos no bolso - Eu queria saber se posso ir na sua casa hoje. Quero que você desenhe para mim algo que não sai da minha cabeça. - Sério? - Helena perguntou, com o coração batendo mais forte contra o peito - E Alexia? Ele deu de ombros. - Ela vai sair com as líderes de torcida e sinto falta de passar tempo com você. Podemos fazer isso? Eu só queria nós dois. É algo pessoal, esse lance. Sabe disso né? Nem Lia participava desses momentos em que ela retratava na pintura o que James imaginava em sua cabeça. Muitas vezes eram representações dos seus sonhos, cheios de símbolos, sem muito significado para ele, mas que se comunicavam com o inconsciente de Helena. Ela entendia tudo, como se pudesse ler a mente dele, através dos desenhos. Infelizmente, acabou descobrindo coisas nada agradáveis. Uma que a deixou muito m*l era saber que seu amigo havia sido abusado. Ele não disse quem havia feito isso e o fato aconteceu quando ele era criança. Então, ele havia sonhado que o home era enforcado em uma árvore e açoitado por uma lança no peito. E isso não saia de sua mente. Helena só conseguiu decifrar o desenho porque insistiu muito em saber o motivo para James ter aqueles sonhos. Ele acabou se abrindo e contou tudo a ela. E era assim que se comunicavam. Ele se lembrava de algumas coisas da sua infância conturbada e passava para Helena, em forma de desenho e desabafava tudo que ainda lhe perturbava. Aquela estranha conexão havia ocorrido quando eles tinham quatorze anos. Ficou menor, quando ele resolveu namorar Alexia, no começo daquele ano. Fazia pelo menos um ano que James a paquerava e isso rasgava o peito de Helena ao meio, mas ela nunca disse isso. Nunca iria dizer o quanto doía ver o garoto que gostava simplesmente ignorando o que os dois tinham, aquela conexão especial, para correr atrás de uma líder de torcida. - É claro, James. Podemos fazer isso sim. Seus pais vão deixar você sair? – ela perguntou, devido ao fato de que ele também estava de castigo como ela. - Sim, eu vou dizer que vou a sua casa e é só minha mãe confirmar com a sua – ele piscou para ela. Lia chegou até eles, com seus cabelos com as pontas roxas, daquela vez. Vestia calça jeans, coturno e um cropped roxo, com uma jaqueta de couro curta combinando. Sua maquiagem era pesada, com sombra preta. Apenas o batom nude deixava tudo um pouco mais leve. Ela deu um sorriso enorme para Helena e abraçou. - Eu estou começando a ficar com raiva de não poder conversar com você no celular – ela disse, fazendo beicinho. - Eu também, Lia – Helena disse, com pesar. - Eu também estou bem triste com isso – James brincou, piscando para as duas – E aliás, vamos logo para a sala de aula da Sra. Jones. Ou teremos problemas a mais hoje. Eles seguiram pelo corredor, mas foram interrompidos por Alexia, que correu apenas para dar um beijo em James. Para o terror de Helena, foi nos lábios, de forma muito sensual. Ele tinha um sorriso bobo nos lábios, quando ela se afastou com suas amigas, que pareciam rir de alguma coisa. Helena claramente por escutar que era sobre os cabelos de Lia. Ela ferveu por dentro, mas não disse nada, para não magoar a amiga. Eles rumaram para aula da Sra. Jones, que seria no primeiro, até o segundo tempo. Depois, a segunda aula seria de química, até o intervalo, para o almoço, ao meio dia. E depois, oficina de marcenaria. Algo que James parecia ter aptidão, para construir coisas, muito mais do que Helena e Lia, que detestavam aquela aula extracurricular. Enquanto a professora Jones discursava sobre a obra do poeta William Blake, Helena e James trocavam bilhetes. Consistia apenas em desenhos pequenos. Ele também sabia desenhar, mas, gostava apenas de ver os desenhos da amiga. Daquela vez, foi um pássaro, um cachorro e uma rosa. Ela modificou todos os desenhos de James, para uma rosa ferindo a mão de uma jovem, que havia perdido uma boa quantidade de sangue. O pássaro estava morto, dentro de uma gaiola e cachorro corria até o abismo. Tudo era chocante demais, mas James parecia apreciar tudo isso e a mente sombria da amiga. Apesar de Helena ter uma mente fantasiosa, mas com ideias macabras, por vezes, ela era doce e leve. Gentil e sempre justa. Mas, havia algo dentro dela que urrava para sair. Algo sombrio, que escorria por seu sangue, passava por seu coração e pulmões. Era o caos que ela continha dentro de si mesma e temia. Mas, que extravasa em seus sonhos. Neles, sempre encontrava um homem de olhos negros profundos e cabelos longos, até os ombros, cacheados. Ele dizia para ela ir embora da praia, dizendo que ela não estava pronta ainda. Que precisava esperar para seu chamado. Ela implorava para ficar, mas ele a assustava, a empurrando de um penhasco profundo. Ela sempre acordava no momento que estava em queda livre e escutava sua risada macabra. Algo que ela não conseguia compreender, de fato. Talvez, fossem os livros estranhos que lia, como Stephan King e Joe Hill, ou filmes de terror, com Rua do Medo e Halloween. - Senhorita Morgan? – Ela escutou a voz da professora Jones a chamando. E ela não parecia satisfeita – A senhorita está escrevendo algo muito mais interessante em seu caderno, para não prestar atenção na aula? Helena ficou vermelha de vergonha. O pessoal da sua turma apenas riu. E ela pode escutar claramente: “Olha a esquisitona de novo”. Ela se sentiu mortalmente magoada. - Não, senhora. Me perdoe – ela disse. A professora Jones apenas assentiu e voltou a sua aula. Lia olhou para trás, com um sorrisinho maroto e piscou para ela. Isso alívio um pouco o coração de Helena. Além de receber um bilhete amigável do seu amigo, James, que estava atrás dela. Não ligue para a bruxa. Sua arte é mais importante que uma aula chata sobre William Blake. Helena escreveu no bilhete, em baixo, com uma letra elegante, diferente da do amigo, que era um garrancho e levemente inclinada. Ele tem sua contribuição na literatura inglesa. Não o desmereça. Ele devolveu o bilhete, logo em seguida. Prefiro outro William. Ele deu sua contribuição com suas tragédias, com Otelo e Hamlet. Helena escreveu de volta, só mais uma vez, antes que a professora visse. Sou mais a favor das comédias e tragédias românticas dele. Como Gostais e Romeu e Julieta. E chega de conversar. Antes que nós tenhamos mais problemas. Ele não respondeu mais. Mas, tocou os cabelos dela. O que fez o corpo inteiro de Helena arder em chamas. Nunca um garoto a tocou. E o único toque que ela desejava era o de James. Mas, só poderia sonhar com ele. E sua paixão platônica. * Na hora do almoço, James, como sempre, sentou-se ao lado de Alexia, com as líderes de torcida e com o time de futebol americano. E como sempre, Lia e Helena comeram do lado de fora, no pátio, pois Helena se sentia desconfortável dentro da escola. Não gostava dos olhares que lhe dirigiam e detestava ver James e Alexia juntos. Ela sentia algo estranho dentro de si, ao vê-los trocarem abraços, carícias e beijos inocentes. Só podia imaginar o que eles faziam dentro do carro dele. E isso a deixava enjoada e com raiva. - Helena, por que está com essa cara? – Lia perguntou, olhando para ela. Estavam sentadas no banco de madeira, do pátio interno. - Que cara? – ela perguntou, desconversando, fitando seu sanduiche de atum inacabado. Não parecia nada apetitoso. A fome simplesmente se esvaíra, por causa do pensamento que teve sobre o relacionamento de James. Era revoltante demais. E revolvia seu estomago. - Essa cara de quem comeu e não gostou – Lia brincou – Não me diga que ainda gosta do meu irmão? - Eu? Não, eu não gosto dele – ela disse, desconversando – O que sentia por ele morreu quando ele decidiu se juntar com Alexia. Agora, só tenho amizade por ele. - Sei – Lia olhou desconfiada para Helena – Então, deveria começar a sair com garotos. Simon está disponível e parece gostar de você. Helena gargalhou. Se Lia soubesse que na verdade Simon chorava em seu ombro por causa de Lia, iria ficar furiosa. Ela não gostava de Simon, não daquele jeito e deixar isso claro. Ela amava seu irmão, Elliot. Mas, o rapaz parecia mais interessado nas garotas da universidade. Tanto que já havia voltado até a Universidade Stanford, no Palo Alto. Estudava engenharia e se formaria aquele ano. Já havia feito estágios e conseguiu emprego em uma construtora em São Francisco, o que deixou sua família muito feliz e Lia ainda mais. Pois, ela tentaria conquista-lo, em breve. Ela não iria desistir tão fácil. - Simon e eu nunca daríamos certo – Helena disse – Ele gosta de outra garota e quando ele me deu um selinho, não foi legal mesmo. Eles haviam jogado verdade ou desafio e Lia desafiou Simon a beijar Helena. Ele empalideceu e parecia enjoado. Helena disse em seu ouvido para que ele desse um selinho nela. Que tudo iria acabar bem. Ele fez isso, mas fora um completo desastre para os dois. Eles gostavam de outras pessoas. Ela de James e ele de Lia. O que era terrível para eles. Os dois passavam noites acordados, quando podiam, para chorar por duas pessoas que não sabiam de fato do amor deles. Simon, é claro, trabalhava com a família, no supermercado e se formou em contabilidade. Ele fazia a contabilidade do local, por isso ele sempre estava presente na vida dela. E eram inseparáveis, mas como irmãos. - É, mas parecia que vocês eram um casal perfeito – Lia disse, piscando para ela – Ele é bonito, você também. Ele poderia consolar você. É mais velho e experiente. Poderia tirar até sua... - Não diga isso, por favor – Helena pediu, horrorizada de pensar a pensar em si mesma na cama de Simon. Aquilo era desgastante e fazia com que a bile voltasse – Eu não quero ele. Nunca vou querer ele. Simon é meu irmão. Lia deu de ombros, dando uma boa mordia em seu sanduíche de pasta de amendoim. - Você é quem sabe. Ah, e ele me ligou. Estava preocupado que você não atendia o telefone, nem suas mensagens no f*******: e i********: – ela disse. - Avisou que estou proibida de pegar meu celular e meu notebook? – Helena perguntou. - Sim. Avisei. Ele está em abstinência. Disse que precisa conversar com você. Por isso, pensei que estava rolando algo. - Mas, não está – Helena frisou, irritada – E nunca vai, por Deus! - Tá, ok – Lia disse – Agora, me diga, o bonitão do Daniel Ward. Ele apareceu alguma vez para conversar? - Em vista da situação dele na praia, com a perna ferida, ele não vai vir. E espero que não. Que nunca – Helena desejava fervorosamente não vê-lo mais. Olhou para pelos janelões do pátio, de repente, tendo a estranha sensação de estar sendo observada. Não havia mais ninguém lá. Mas, era como estivesse. Na verdade, a semana toda era assim. O clima do lado de fora era ameno, com céu azul límpido, mas era como se a escuridão se aproximasse de Helena, a deixando com uma estranha sensação de algo r**m estaria prestes a acontecer. * - Desenhe a praia, em tom vermelho. O céu vermelho, se puder – James disse, andando de um lado a outro, no quarto de Helena. Depois da escola, Helena e James foram para sua casa. Sua mãe não se importou pela visita de James. Ele era de casa, quase um segundo filho para a Sra. Morgan. O que definitivamente, Helena não gostava de pensar. James nunca seria seu irmão. Era seu amado, mesmo nunca tendo tocado nele. Era patético para ela pensar nele daquela forma, mas inevitável. Com certeza, teria outros caras que iria se envolver, mas nunca iria se esquecer de James. A ligação deles era profunda, desde a infância. Seria difícil tira-lo do sistema. Ela trabalhava no desenho em cima da escrivaninha, usando sua tinta aquarela, tentando reproduzir o céu sangrento de James. O mar revolto, como ele havia visto e o penhasco. E nele, duas pessoas estavam. Ele via alguém cair de lá e era uma sensação terrível para James, que não podia salvar aquela pessoa da morte. Ele não conseguia ver quem era, mas claramente a outra pessoa a jogava. O sonho terminava com James correndo pela praia e vendo uma jovem de vestido, no estilo vitoriano, ensanguentada. Era terrível para ele lidar com isso. E estava sendo pior para Helena, que via a si mesma ali, pelos sonhos que tinha, quando caia do penhasco, sendo empurrada pelo homem de vestes negras e olhos negros, como a noite. Ela pintou apenas a praia e o penhasco. Não conseguiu desenhar a morte da jovem. Não conseguia. Suas mãos tremiam, quando tentava representar o que James vira. Ela se sentia inquieta e o pincel não parecia reproduzir o que desejava. Algumas páginas do seu caderno de desenho foram arrancadas a força, amassadas e jogadas na lata de lixo. - Está tudo bem? – ele perguntou, tocando seu ombro. - Sim...eu...acho que não consigo James – ela disse, com a voz entrecortada – É demais para minha mente. Ele assentiu, tocando o rosto dela com a palma da mão. Sua palma era quente, reconfortante. Ela até fechou os olhos, se rendendo ao seu toque gentil e cálido. - Está fria – ele disse, tocando o lábio inferior dela, com seu dedo polegar – Você não parece bem. Está pálida. - Estou? – ela disse, abrindo os olhos, um pouco assustada. Realmente, se sentia enjoada e nervosa. E fria por dentro. Era como se toda sua energia fosse drenada pela narração do sonho de James. - Sim, está. Venha aqui – ele afastou a mão do rosto dela, que se tornou mais frio, sem seu toque. Abriu os braços, como se quisesse que ela o abraçasse. Ela não pensou duas vezes, e se pôs de pé, se afastando da sua cadeira giratória e o abraçou. Ele envolveu os braços envolta dos seus ombros, beijando o topo da cabeça dela. - Me desculpe por isso. Eu deveria saber que ficaria sensível. Eu só pensei que não tanto assim. - Está tudo bem – ela disse, afastando a cabeça do peito dele e o olhando. Ele era uma cabeça mais alta que ela, o que fazia ela precisar inclinar mais sua cabeça para trás, para vê-lo. Ele se inclinou, beijando sua testa e estava com a respiração errática. Não era a primeira vez que ele ficava assim. Nem ela. Eles sempre se abraçaram daquela maneira, se olhando por longos períodos. E ela sentia uma conexão maior por ele. Algo muito forte e visceral. Era como se seus olhos pudessem mostrar a extensão da sua alma, lhe mostrando toda a dor e escuridão que existia dentro de James. E ela se sentia fortificada, como se sugasse aquela energia. Daquela vez, foi um pouco diferente. Algo mudou no ar. E de repente, ele aproximou o rosto do dela, encostando seus lábios dos dela, apenas selando. Ela sentiu o corpo inteiro entrar em combustão. Uma energia profunda percorreu todo seu corpo, como se quisesse engoli-la. Era forte demais para aguentar. Ela tremia por inteiro. Ela nunca fora beijada direito. E ele a beijou, de novo, apenas selando seus lábios, lentamente, puxando o lábio inferior dela, com os dele. Ele começou a sugar seus lábios e entreabriu os dela, com sua língua, buscando a dela, de forma lenta, controlada, como se ele soubesse que ela nunca foi beijada. E seria impossível ele não saber. Eram amigos de longa data. Ele sabia muitas coisas sobre ela, assim com ela sabia sobre ele. No primeiro momento, o contato foi afoito, por parte dela. Ela sempre desejou aquele beijo, mas ele controlou o ritmo, ajudando a se acostumar com o beijo. Com o envolvimento das suas línguas, que se buscavam de forma que era torturante para ela. Ela desejava mais dele. Até mesmo se encostou nele, sentindo todo seu corpo, de forma muito intima. Ele soltou um suspiro e desceu sua mão para o seio direito dela, acariciando com o dedo polegar seu bico. Ela gemeu baixinho e ele intensificou o beijo. Então, tudo aconteceu de forma rápida. Ele parou o beijo, a puxando para a cama de casal, deitando-a por cima do lençol lilás e deitou sobre ela, antes afastando suas pernas e encostando suas pelves, empurrando sua i********e contra a dela. Helena se sentia mergulhar profundamente, em êxtase, por senti-lo tão profundamente. Ela sabia que isso não era sexo. Tinha ciência de como toda a coisa seria, mas aquilo era muito mais do que teve com garotos. E ter James tocando era muito profundo para ela. Sentiu seu toque por baixo da blusa. Sua mão quente tocando sua pele e subindo para seus s***s, que estavam presos a um top, era algo muito mais íntimo que pode ter em toda sua vida. E ela não conseguia toca-lo, como gostaria. Apenas passava as unhas por suas costas e depois, tocou sua barriga, por cima da camiseta dele. Ele se contraiu, rindo em sua boca. - Helena, você é tão...- ele disse, com a voz entrecortada, sem terminar a frase, sugando seus lábios e afastando sua boca da dela. Ela se sentiu fria sem seu toque – Eu estou enlouquecendo. Eu sempre quis sentir seu gosto, seu beijo...e não devia estar fazendo isso. - Eu sei – ela disse, lembrando de Alexia, mas não dando a mínima para a garota – Só me beije, James. Por favor. Uma expressão tensa ficou estampada no rosto dele. Ele estava lutando dentro de si. Talvez, pensando no que deveria fazer. Se deveria ser fiel a garota que estava namorando ou aproveitar e ter Helena consigo, em seus braços. Mas, a primeira opção prevaleceu. Ele levantou de cima dela, tenso, passando as mãos nos cabelos castanhos. Ele respirava ruidosamente. Ela sentou na cama, se sentindo vazia a fria por dentro. - Eu sinto muito, Helena...eu não deveria...eu não... Sua voz era um balbuciar. Ele não sabia o que dizer e ela m*l sabia o que dizer a ele, também. Ele apenas pegou a blusa de flanela sobre a cadeira da escrivaninha, olhou uma última vez para Helena, com uma expressão culpada e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Helena deitou na cama, afundando a cabeça nos travesseiros se sentindo suja por dentro e ao mesmo tempo, havia amado cada instante, cada toque. Queria de novo e de novo aquela sensação luxuriante. O queria de volta. E talvez, fizesse qualquer coisa para tê-lo consigo. Lágrimas varreram seu rosto delicado e pálido. Apesar de ter aqueles pensamentos sombrios, algo gritava para que ela não cometesse um erro tão terrível como aquele. De prendê-lo consigo, mesmo contra a vontade dele, apenas para ter suas carícias de volta.
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