Capítulo 19

3031 Palavras
- A senhorita deve estar furiosa comigo – a voz de John a tirou dos seus pensamentos. Henrietta fitou o homem que guiava o cabriolé de forma ágil e precisa. Estavam dentro do Hyde Park, na pista para as carruagens e cavalos. O local estava cheio. Havia muitos membros da sociedade no local, passeando e fazendo piqueniques ao ar livre. Era irônico estar ali mais uma vez, onde ela estivera horas atrás, dançando com um homem que nem era seu pretendente ou noivo. Mas, fora algo tão singelo e bonito, que Henrietta achou aquele passeio ao lado de John entediante. E custoso. Ela estava sendo deliberadamente forçada a estar na presença dele. Ao menos, Mary Ann estava ao lado dela. Não no meio dela e de John. O que era uma pena. Pois, ela queria distância daquele cavalheiro ardiloso. - Deve saber que estou sim – ela respondeu a pergunta dele sobre estar brava, de forma franca. Ele assentiu. O seu chapéu estilo cartola, em tom preto, escondia um pouco sua expressão. Ela não sabia se ele estava bravo ou não pela sua franqueza. Muitos cavalheiros ficariam escandalizados com isso. Normalmente, as damas deveriam bajular seus pretendentes. Mas, Henrietta não estava nem um pouco interessada em agradar John. Na verdade, ela queria empurra-lo para fora do veículo e guiar o cabriolé para sua casa. - Eu entendo – John disse, depois de minutos em silêncio – E quero me desculpar, senhorita, se pareço tão insistente no meu cortejo. Mas, o que fiz, sobre relatar o fato de que a senhorita estava com lorde Klyne na ópera foi apenas para protege-la – Henrietta riu, escarnecendo da preocupação dele. Mas, isso não desencorajou John a continuar seu discurso – De fato, a senhorita deveria ver como seus pares estão olhando para a senhorita. Veja como lady viúva de Beaumont esta olhando para a senhorita, enquanto passamos. Ali à esquerda. Ela está acompanhada de lady Ashbourne. De fato, lady Beaumont julgava Henrietta com dureza, ao lado de lady Ashbourne. Elas olhavam para Henrietta, sobre o cabriolé, sem disfarçar. Diziam que ela seria a nova amante de lorde Klyne. Passaram pela carruagem deles e não olharam para ela. Outros membros da sociedade fizeram o mesmo. Não cumprimentaram Henrietta. Alguns eram educados com ela, sempre acenando. Mas, aquela manhã, eles estavam a evitando. Até mesmo o senhor Langford que parecia avido em conversar com ela, desviou seu cavalo, sem olha-la. Henrietta sentiu o sangue ferver nas veias por constatar isso. Que estava sendo deliberadamente ignorada por seus pares. Mas, ela pensou consigo mesma: Ao inferno a opinião publica! - O senhor pode ter certa razão em suas ponderações – ela disse, em tom calmo, sem demonstrar a ebulição de sentimentos que estavam prestes a vir à superfície – Mas, o senhor é um fofoqueiro e ardiloso por ir até a minha casa e falar isso ao meu pai. - Ele teria descoberto de qualquer forma, lendo o jornal, senhorita – John refutou – E se eu não tivesse vindo resgata-la e mostrar que tudo está bem, a senhorita estaria com sua reputação na lama. O melhor é erguer sua cabeça e mostrar que não fez nada de errado na noite passada ao se associar ao lorde Klyne. Afinal, havia lorde e lady Bedford no camarote, não havia? Henrietta assentiu. Mas, não conseguiu compreender o motivo para John ser tão atencioso com sua reputação. Ainda sentia que algo estava errado. Contudo, não conseguia refrear o sentimento de agradecimento que vinha a tona. Afinal, ela saiu pela manhã ao lado dele, mostrando que nada havia feito de errado na noite anterior. Se resolvesse se esconder, daria motivos para a sociedade continuar a tecer vários comentários sobre ela e sua virtude, a difamando, sem ao menos escutar sua versão dos fatos. Contudo, o que a irritava era como a sociedade julgava duramente as mulheres. Se julgavam Klyne, mas o aceitavam, ela ao se associar a ele, ou ter sua reputação arruinada por qualquer motivo, era vista como uma paria. Por que o mundo era tão injusto? - Obrigada, senhor Miller – Henrietta agradeceu a ajuda de John, mesmo a contragosto. - Sempre as ordens, senhorita – ele disse, com um sorriso. E dessa vez, ela pode ver ser olhos brilhando. - O senhor está fazendo isso por consideração a mim? – ela perguntou, mesmo sabendo que não deveria ser por causa disso. - Quer minha sinceridade? – ele perguntou e ela assentiu – Preciso de uma esposa, senhorita. E a senhorita parece ser mais adequada ao posto – Henrietta fervilhou de raiva ao ouvir isso. E ele parecendo entender que o que dissera era errado, se apressou a acrescentar – Mas, vejo que a senhorita não merece ser julgada severamente. São regras tolas que essas de que uma dama deve se preocupar tanto com sua reputação. Eu não me importo com isso, afinal, não fui criado na alta sociedade. Mas, infelizmente, a senhorita deve se preocupar consigo mesma e com o que falam. Ou, eles irão vira-lhe as costas e falar coisas sobre a senhorita que não são verdade. E não suporto injustiças. Por isso, mesmo, quis ajuda-la. - E não há um interesse escuso em sua vontade em me ajudar? – ela perguntou, tentando conter a ironia. - Ó, infelizmente há sim – ele disse, em um tom baixo e rouco – Eu sinceramente gostei do seu gênio impetuoso e acredito que poderíamos ser bons parceiros. Henrietta ficou desconsertada pela sinceridade dele. Até mesmo Mary Ann pigarreou e estava vermelha de vergonha. - O senhor sabe que não desejo me casar, não sabe? Meu pai deve ter lhe dito isso – ela perguntou, ignorando propositalmente o que ele havia dito há poucos instantes. - Sei sim. Mas, isso não ira me desencorajar de tê-la como minha esposa, senhorita – ele disse em tom galanteador – Afinal, a senhorita tem um senso prático e é muito diferente das jovens damas no mercado matrimonial. Enquanto elas somente pensam em bailes, soube a senhorita aprecia escrever e deseja gerir os negócios do seu pai. Henrietta ficou surpresa por seu pai tocar naquele assunto com John, um completo estranho. Ele realmente havia dito ao seu pretendente como ela era de verdade? Isso não seria afasta-lo? Mas, ao que parecia, ele não se importava com as convenções sociais. - O senhor me julga por me interessar nos negócios da minha família e por exercitar meu intelecto, senhor Miller? – ela perguntou, querendo saber o que ele pensava sobre isso. - Eu não a julgo. Na verdade, é louvável que tenha o desejoso de ser útil e gastar seu tempo de forma útil. Significava que não vai gastar todo meu dinheiro com bobagens. Mesmo que ele parecesse ter uma opinião que ela sempre esperou dos homens, ela não conseguia confiar nele. De fato, ela m*l o conhecia. - O senhor tem um pensamento muito avançado para o nosso tempo – ela disse, por fim, depois de meditar sobre o que ele disse. - Eu tenho senso pratico, apenas isso – ele disse, guiando a carruagem para que eles pudessem voltar à entrada do parque – Bom, senhorita irá leva-la para sua casa agora. E amanhã a noite haverá outro baile, presidido por meus amigos lady e lorde Snowden. Gostaria de convida-la. Eles estenderam o convite à senhorita – E sem esperar uma resposta, ele disse – Passarei em sua casa por volta das sete horas. - Não pense que pode me levar aonde desejar, sem meu consentimento – ela disse entredentes. Ele nem ao menos esperou uma resposta dele. Como ele era contraditório. Se não pensava como seus pares, por que ele não esperava uma recusa dela. - Eu sou um homem um pouco impaciente, senhorita – ele disse, em tom baixo e perigoso – E não gosto de ouvir um não. E sei muito bem o que a senhorita estava fazendo essa manhã. É melhor estar pronta amanhã às sete horas da noite, ou correrá o risco de seu segredo ser revelado. Sei muito bem que estava com lorde Klyne em Hyde Park. E não tente negar. De fato, ela negaria com todas as suas forças, mas apenas mordeu os lábios. - O senhor não sabe nada sobre mim. E não entendo o motivo para me forçar a estar ao seu lado – ela disse, em tom indignado. - Quando quero algo, eu consigo senhorita. E eu a quero. Não havia nenhum traço de emoção da parte dele. Sua voz era possessiva, apenas, sem demonstrar que realmente a apreciava. Ela se sentiu sufocar. Já ouvira Robert falar isso, algumas vezes, em um tom malicioso. Principalmente, quando ele tentou beija-la aquela manhã. Mas, os dois homens eram diferentes e causavam sensações diferentes nela. Henrietta se perguntou como se livraria de John. Mesmo ele não sendo desagradável em aparência. De fato, era muito belo. Mas, ela não estava interessada em se casar com um homem como ele. Na verdade, não estava interessada em se casar. Foi então, que ela enviou uma carta para o conde de Chester, quando chegou em sua casa, após o passeio com John. Iria conversar com ele e pedir sua ajuda. Ela sabia que ele já estava na cidade, mas não o vira nenhuma vez. Esperava que ele atendesse seu pedido * - Você tem certeza disso? – Anne perguntou, antes que elas entrassem no orfanato. O orfanato fora uma ideia de Anne, a qual Jasper e Robert apoiaram, além de serem os seus principais investidores. O orfanato Collins abrigava pelo menos duzentas crianças. E havia os funcionários que cuidavam do local. O prédio que abrigava aquelas crianças era propriedade de lorde St. Clair. E ele nunca veio às reuniões ou se interessou em ver como o local estava sendo utilizado. Apenas pediu que não fizessem alterações no imóvel. Contudo, justamente aquela manhã ele estava inspecionando o local, com seu advogado. Henrietta estava ali apenas para fugir da presença de John. Saiu muito cedo, deixando seu pai avisado. Ela temia que ele viesse a sua procura. O mais interessante, era que Robert havia lhe enviado um bilhete na tarde anterior, pedindo para vê-la. Ela respondeu que não faria isso tão cedo, devido aos boatos. E esperava que aquela manhã ele também não viesse procura-la, ou seria pior para ela. - Eu tenho certeza. Apenas me dê alguma tarefa para fazer – Henrietta pediu – Eu sei que você vem aqui apenas para dar aulas de música, mas eu estou pedindo isso como um favor. Preferia vir todos os dias, para não ver o senhor Miller. Anne riu e segurou a mão dela, com carinho. As duas subiram as escadarias do prédio, com fachada de tijolos a vista e entraram. O orfanato estava localizado perto de East End. - Ok, pode vir, mas apenas fique ao meu lado. Aliás, você ainda tem habilidade com pintura. Poderia ensinar as crianças a pintar. Enquanto Anne falava, elas viram a diretora do local, a Sra. Fernsby caminhando ao lado de St. Clair e seu advogado. Lorde St. Clair era um homem bem apessoado, na faixa dos quarenta anos, com cabelos loiros. Vestia colete e terno cinza, com gravata. As calças eram no mesmo tom e seus sapatos eram em um tom bordo. Ele tinha um ar charmoso, o que fazia com que as damas suspirassem por ele. Contudo, ele evitava estar em eventos sociais. Henrietta sabia um pouco sobre ele e sua família. Seu pai havia morrido há pelo menos dez anos e os dois se odiavam. St. Clair, antes de ter o título, era apenas Joshua Gray. Ele era um dândi, que vivia com inúmeras amantes. Alguns diziam que ele fazia isso para irritar o pai. Depois que ele faleceu, Joshua assumiu o título e nunca mais causou qualquer escândalo. Tornou-se um homem reservado. E para o desgosto das matronas, ele nunca quis se casar. Ter um conde na família seria muito vantajoso, apesar da reputação de St. Clair. - Senhorita Collins, bom dia – ele cumprimentou. - Bom dia senhorita Collins – o advogado e a diretora do orfanato disseram. - Bom dia senhora Fernsby, senhor, lorde St. Clair – Anne fez uma reverencia, a qual fora retribuída por ele. Ele lhe ofereceu um sorriso cativante. - Eu espero que a senhorita esteja bem. E apenas vim ver a situação do prédio. Vejo que a senhorita manteve tudo em ordem ao lado da senhora Fernsby. - Sim milorde. Não fizemos nenhuma alteração, como o senhor havia nos pedido em contrato – Anne disse, em tom um solene. - Ótimo – Então seus olhos verdes se dirigiram a Henrietta. Ele apenas lhe deu um sorriso educado – A senhorita deve ser filha do senhor Harrison, eu presumo. - Sim, sou eu mesma, milorde – ela respondeu, achando estranho o fato de ele saber quem era ela. Afinal, ela não era de um circulo social elevado. - Bom, eu devo ir agora – ele disse, fazendo outra reverência, que fora imitada com Henrietta e Anne. Elas voltaram a caminhar e foram direito para a sala de música. Os alunos já estavam aguardando ao lado da auxiliar da classe, a senhorita Minerva Bloom. Ela era a mais velha entre os órfãos, com dezessete anos e se interessava por música. Anne gostava da jovem. Ela fora acolhida de outro orfanato, pois Anne precisava de ajuda para cuidar do local. Afinal, ela havia conseguido o imóvel e abrir a instituição quando ainda estava gravida de Antony. E ela queria alguém que pudesse auxiliar. Ela conseguiu os profissionais através de anúncios no jornal. A senhorita Minerva era um deles e se candidatou e pediu moradia. Ela somente tinha experiência devido ao orfanato que residia, mas Anne não estava preocupada com isso, apenas deu uma oportunidade a jovem. Henrietta aproveitou aquela manhã e tarde ao lado de Anne, vendo-a ministrar as aulas de música e também, deixar que Minerva se desenvolvesse como professora. Anne era uma educadora nata. Tinha muito paciência, mesmo que Minerva não tivesse tanto pulso firme. Ela era doce e calma, de cabelos castanhos e olhos no mesmo tom. Não tinha tanto controle sobre a classe. Quanto que Anne parecia entrar no local e deixar todos os alunos em silêncio. A disciplina era algo que ela conseguia, sem usar da violência, o que ela abominava, mas o que era um método utilizado de forma natural pelos educadores. Enquanto Anne verificava todas as aulas de aula e via as instalações e depois foi ao escritório da senhora Fernsby falar sobre a contabilidade do orfanato, Henrietta ficou na sala de aula de artes, ensinando as crianças a pintaram, ao lado de uma jovem auxiliar, a senhorita Heloisa. Infelizmente, as duas tiveram as roupas respingadas de tinta, mas isso só provocou mais risos nelas e nos alunos pequenos, que pareciam adorar mexer com as tintas. As aulas ainda eram experimentais, mas Anne queria que com o tempo, as crianças passassem a desenhar de forma técnica, para ter empregos na indústria, quando saíssem do orfanato. - Eu já volto senhorita Heloisa. Apenas vou tirar a tinta das minhas mãos – Henrietta disse, saindo da classe. Ela andou pelos corredores, buscando um banheiro, mas como não conhecia o prédio, acabou se perdendo e parando no hall de entrada, por onde havia entrado com Anne, pela manhã. Henrietta, enquanto subia as escadas para o andar de cima, para ver se havia algum banheiro, escutou as baladas dos sinos, da igreja próxima ao orfanato. Já era meio dia. O tempo havia passado tão rápido que Henrietta não desejava ir embora. Esperava que seu pai não se irritasse se ela não voltasse para casa. De fato, ele nem ao menos notaria, pois aquela altura já estava na editora. - Senhorita Henrietta – ela escutou uma voz masculina, atrás dela, enquanto subia as escadas. Ela olhou para trás e pode ver Henry, além de é claro, Robert, no patamar da escada. - Doutor Collins. Milorde – ela disse surpresa. Robert não parecia estar. Henry, tão pouco. - Viemos buscar Anne para almoçar – Henry disse, com um sorriso jovial – Gostaria de se juntar a nós? - Eu...er...- ela balbuciou, sem saber o que dizer. Não deveria estar na companhia de Robert. De fato, deveria ficar longe dele. - Gostaríamos da sua presença, senhorita – Robert enfatizou. Henrietta sentiu o peito se aquecer, ao ver que ele parecia expectante de ela aceitar. Ela se segurou no corrimão, prestes a dizer que sim, mas se lembrou de que havia publicado um livro, difamando ele, nas entrelinhas. O remorso calou fundo em seu peito. Ele parecia gostar dela, mas ela não tinha certeza. Apesar disso, como ela pode ter sido tão infantil? Uma vingança era algo sério, não deveria ser tratada de forma leviana. E ela agira de forma tão baixa. - Está tudo bem, senhorita? – Robert perguntou, se aproximando dela na escada – Está pálida – ele olhou para trás – Henry examine a senhorita Henrietta. Ela não parece bem. - Eu estou bem – ela passou a mão na nuca, sem olha-lo. Sentia-se fraca, na verdade – É só uma queda de pressão. Ele não parecia tê-la ouvido e pegou-a pelo cotovelo. Olhou para ela, preocupado e amoroso. - Eu me preocupo com a senhorita, não sabe? Estava com saudades – ele sussurrou – Vira comigo almoçar? - Sim – ela respondeu, corando pelo modo atencioso dele. Robert sorriu, passando a mão pelo antebraço dela. - Vamos? – ele convidou se colocando ao lado dela na escada e estendendo o braço. Ela enganchou e foi então que percebeu que Henry não estava mais no hall de entrada. Ela se lembrou, enquanto Robert a acompanhava para fora do orfanato, em direção à carruagem que os esperava, de um evento há mais ou menos um ano. O qual, Henry e Anne se beijaram na sala de estar dele, com ela como testemunha. E para não atrapalha-los, ela os deixou sozinhos. Sentiu-se na mesma situação, mesmo Robert não tocando em seus lábios. Por todos os santos, ela estava se apaixonando por Robert? E se sim, como ela iria consertar seu erro quanto a publicação do livro que fizera?
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