Capítulo 3

1121 Palavras
Henrietta escreveu tudo que poderia se lembrar sobre o que sabia sobre lorde Klyne. Aquele homem odioso conseguia tantas coisas, inclusive deflorar uma dama num jardim. Ela ainda se recordava que aconteceu quase isso com ela, há pelo menos cinco temporadas. Era sua estreia na sociedade. O momento em que seria vista e avaliada por todos, como se fosse uma égua premiada. Ela detestava a infinidade de bailes e saraus que precisava participar. Os dois únicos eventos que eram importantes para ela eram as corridas de cavalo e a ópera. Somente assim se sentia ela mesma. E não precisava ter conversas tolas e mascarar seu intelecto e sua personalidade. Como seu pai dizia sobre ela, sua personalidade era como levar um coice de um cavalo. Não que seu pai tenha levado um alguma vez na vida. De fato, ela sabia que não era delicada, mas não era tão truculenta. Era somente alguém com opiniões fortes, sobre certos assuntos. Como os direitos das mulheres. Principalmente o direito de entrar em uma universidade. Ora essa, uma dama entrou em uma universidade, para cursar medicina, nos Estados Unidos. Por que Henrietta não poderia, então? Elizabeth Blackwell era uma das mulheres que ela mais admirava, fora, é claro, Mary Wollstonecraft. E era com esses argumentos que ela tentava convencer seu pai, de que as mulheres poderiam pensar e ser úteis dentro da sociedade. Que as mulheres deveriam ter direito a votar e se tornarem médicas, se assim desejassem. Ela tentou muito tempo, convencer seu pai de que ela era capaz de gerenciar a Editora Harrison. Que era capaz até mesmo de escrever um livro. Ora, ela fez isso cinco vezes, fazendo uso de pseudônimos. Isso não era a prova suficiente de que ela era dotada de inteligência? Não para seu pai. Mesmo que ele tivesse ficado doente e ela tivesse cuidado da editora, sem a ajuda de ninguém, cuidando da contabilidade da empresa e da casa, gerenciando empregados, supervisionando a impressão de livros e panfletos. Mesmo assim, seu pai não confiava nela. Ele tinha o mesmo discurso de sempre na ponta da língua: - Filha, você não deve preocupar sua mente com essas atividades extenuantes. E é uma dama. Deve se preparar para o casamento. É só com isso que deve preocupar sua cabeça. E pare de aborrecer. Realmente, não havia argumentos que fizessem seu querido pai apoia-la com suas ideias. Mas, às escondidas, ela se encontrava com suas amigas sufragistas, para discutir ideias de liberdade, igualdade, direito ao voto e condições de trabalho justas. Pois, afinal, as condições de trabalhos atualmente eram precárias. Elas não só pensavam nas costureiras, nas mulheres que trabalhavam em fábricas, mas no coletivo. Afinal, uma sociedade justiça, igualitária seria muito melhor a todos os envolvidos. Isso pelo fato de ter mais mão de obra aos empresários se fosse pensar na questão economica. Além de que não seria necessário que as mulheres procurassem marido para ter seu sustento. E trabalhadores com direitos garantidos, principalmente tendo uma segurança no trabalho, evitariam acidentes e perda de funcionários. Henrietta pensou consigo mesma que seria interessante defender esse ponto de vista com suas amigas sufragistas. Após perceber que não iria render em escrever a continuação da história de Anne, ela pensou que deveria relaxar um pouco. Talvez, quem sabe sair. Seu pai não estava na cidade dessa vez e ela poderia sair sem ser acompanhada por ninguém. Iria despistar sua dama de companhia, Mary Ann. Antes de tudo, ela pegou um vestido simples de algodão dentro do seu guarda roupa enorme. Havia tantos vestidos, de vários tons. Ela não usava metade deles. E todos eles foram presentes do seu pai e da sua tia Pope. Contudo, Henrietta preferia se vestir com simplicidade, a parecer com uma rosa inglesa deslumbrante. Então, ela escolheu um vestido de tom marfim, com rendas nos braços e no decote de gola alta. E colocou um xale de cor salmão por cima. Calçou suas botas marrons, de amarrar e estava pronta para um passeio. Não se esqueceu do seu chapéu de palha, que tinha fita vermelha decorando. Estava pronta para sair e observar a cidade. Deveria ter tantas pessoas em Londres, devido à temporada. O clima estava agradável também. Então, saiu do seu quarto, observando se nenhum dos criados estava por perto e seguiu pelas escadas, descendo. Depois, encontrou o corredor do térreo, onde ficava a saída dos empregados, que passava ao lado da cozinha. Quando estava do lado de fora, contornou a casa e saiu pelo portão da frente, deixando o chapéu cobrir seu rosto, para evitar ter mais sardas. As malditas sardas a perseguiam. Ela conseguiu uma carruagem e parou em frente ao Hyde Park. Desceu da carruagem e pagou o cocheiro. Adentrou o parque, observando a movimentação de pessoas aquela tarde. O sol estava alto no céu e nuvens brancas contrastavam o azul claro do firmamento. Era uma vsão reconfortante, depois de tantos dias de chuva. O caminho estava com poças, mas ela desviou, puxando a saia com a mão direita. Para sua sorte, ninguém parecia reconhecê-la com o chapéu. Todos saberiam quem era ela, devido aos cabelos acobreados e cacheados. Lorde Beaumont circulava com sua mais nova conquistada, pelo Hyde Park. Henrietta notou com ele estava inchado e ele era tão jovem. Tinha apenas trinta anos. Mas, deviam ser as comidas gordurosas que ingeria. Ao seu lado, uma beldade de cabelos loiros andava ao seu lado, encantado a todos. Henrietta não sabia quem ela era, mas ouvira de suas amigas que aquela jovem estava sendo cortejada por Beaumont há semanas. Contudo, ele não tinha nenhuma libra do bolso para bancar uma noiva. E todas que ele tentou se casar fugiam dele, descobrindo que estavam sendo usadas em enganadas. Henrietta fez questão de desviar o percurso e seguir pelas árvores, para chegar mais perto do lago Serpentine, e ficar bem longe de Beaumont. Assim que ela chegou perto do lago, teve a visão desagradável de ver lorde Klyne ao lado de um menino de cabelos negros. Eles estavam de costas, observando o lago de perto. Perto demais. Henrietta sabia quem era o menino que lorde Klyne cuidava. Era Erik, o filho adotivo do doutor Henry Collins. Henrietta pensou que o melhor era não encontrar o visconde, pois sempre que se encontravam, eles se desentendiam. Então, ela tentou dar a volta e seguir pela direção contrária, a leste, mas Erik a viu. Ele deu um sorriso infantil para ela e estava indo em sua direção. Contudo, como estava perto da margem do rio, ele escorregou, caindo dentro da água. - Erik! – lorde Klyne exclamou, surpreso, entrando na água, para tira-lo. Henrietta sentindo a preocupação por vê-lo dentro da água, não pensou duas vezes e foi até eles.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR