Capítulo 11

1278 Palavras
Henrietta não pensava com clareza, quando estava com Robert. De fato, o visconde a deixava com a mente enuviada. Ou com raiva que a cegava. Dependia da ocasião. Naquele momento, ela sentia o coração bater de forma acelerada no peito e todo seu corpo se entregou a ele, sem pensar duas vezes. Ela retribuiu o beijo, com a carruagem e movimento. Estava em seu colo e tomou a posição dominante, de ficar por cima dele, ou como sua saia permitiu, é claro. Precisou ficar de lado, mas isso não a impediu de acariciar seu pescoço e desfazer o nó da sua gravata. Ela desabotoou sua camisa e passou a mão por sua pele macia. Na base da sua garganta, sentiu pelos finos e macios ao toque. Ele gemeu em seus lábios, apertando sua nádegas e sugou a sua língua. - Henrietta – ele murmurou por entre seus lábios. Ela sentiu todo o corpo se arrepiar, mas ao mesmo tempo, sabia que estava cometendo um grave erro ao estar ali, naquela carruagem. Ele estava se aproveitando dela. Se pelo ciúme que sentiu dela, ou apenas porque queria tirar sua virgindade, ela não sabia. Podia senti-lo duro em baixo dela e ela sabia muito bem o que um homem queria quando estavam naquela posição. Não, não poderia fazer isso consigo mesma. Não seria sua amante. Ela se desenvencilhou do seu toque e sentou-se longe dele, perto da janela. Seus cabelos estavam soltos. As forquilhas com certeza caíram no momento em que ele a acariciava. Ela tentou se aprumar, mas ele ficou próximo dela no banco, a prensando contra a porta da carruagem. Seu olhar era dominante. - Não pode escapar de mim – ele disse, com a voz baixa e profunda – Você me pertence. - Há, como eu lhe pertenço, milorde? – ela desdenhou, tentando empurra-lo pelo peito. - Quando eu quero algo, eu tomo para mim. E agora você é minha – ele insistiu e beijou sua bochecha, depois sua boca e desceu para seu pescoço e colo – Eu desejo você, Henrietta. Seja minha. Prometo que terá tudo que deseja. Henrietta estava tentada àquilo. Mas, se sujeitar a ser amante dele? Sua tia Pope sempre disse que uma mulher que se sujeitava a ser uma amante, nunca seria feliz. Estaria fadada a perecer sozinha. Mas, se ela fosse seguir o pensamento de Mary Wollstonecraft, as mulheres deveriam ter direitos iguais aos homens e poderem ser livres. O casamento não seria então, uma instituição sagrada. Contudo, detestava ser usada daquela maneira. E sentia que Robert estava fazendo exatamente isso. Ela o empurrou pela ombro, mas ele só se afastou milímetros. A fitava com os olhos desejosos. E ela estava desejosa de senti-lo. Contudo, se lembrou das coisas que fez a ela. De como se exibiu com sua amante, anos atrás. De como desdenhou de seus sentimentos. Naquele tempo, ela acreditava no casamento e que seria bom se casar com alguém que a amasse. Ele zombou dela. Disse que jamais se casaria, ainda mais com uma jovenzinha recém saída das salas de aula. A amante dele riu dela, da sua expressão de choro. Essa lembrança foi o suficiente para afasta-lo com força. Ele passou as mãos pelos cabelos escuros e revoltos agora. Respirava com força. - O que há de errado, Henrietta? – ele perguntou – Até minutos atrás você me queria. O que houve? - Eu quero que o senhor me leve para casa e nunca mais me toque – ela exigiu, tentando conter o tremor do seu corpo. Abraçou a si mesma, para conter-se. - Eu a levarei, mas primeiro quero saber porque está me rechaçando – ele exigiu saber. - O senhor não se lembra de como me tratou, anos atrás? De como fui rechaçada pelo senhor? – ela perguntou, com rispidez – Se não se lembra, eu refrescarei sua memória. - Henrietta, chega de lembrar do passado. Por que quer insistir nisso? – ele perguntou, em tom exasperado, se aproximando dela no assento, mas ela trocou de lugar. Ele não desistiu e sentou-se ao lado dela, segurando sua nuca. Ela forçou sua cabeça para o lado, para que ele não pudesse a beijar, mas ele aproveitou a pele exposta do seu pescoço – Não e ignore, Henrietta. Se fizer isso, farei pior. - Vai fazer o que? – ela provocou. - Vou enlouquece-la de desejo – ele ameaçou, com uma voz sedutora e baixa. Ela tentou se desvencilhar. Se ele continuasse com aquele joguinho, ela ia esquecer que precisava manter distância dele. Ainda mais devido ao livro que publicou. Tudo era sobre ele e era sua vingança. Ela não seria enganada novamente por ele. - Por que está me deixando louco, Henrietta? – ele perguntou, afastado dela – Pode parar com seus joguinhos de sedução. Apenas pare. - Eu não estou tentando seduzi-lo, seu i*****l – ela o ofendeu deliberadamente, cruzando os braços sobre o peito. Estava tremula ainda pelo toque dele – Apenas quero que pare com isso. Que pare com essa perseguição! Eu não serei um objeto seu. Não serei usada por você. Nunca, jamais. Já fui enganada por você uma vez. - E quando eu a enganei? – ele perguntou, irônico – Eu não me recordo de fazer promessas. De fato, não havia feito. Mas, ele prometeu não partir seu coração e não usa-la. E quando ele a beijou, cinco anos atrás, ela acreditava que era sério. Ela expos isso a ele, que apenas balançou a cabeça e suspirou. - Eu a beijei porque você veio até mim. Implorou por meu toque. O que queria que eu fizesse, Henrietta? E acaso, acha que eu acredito que você é recatada? Quantos homens deve ter beijado, durante esses anos? Acredito que não tenha permanecido pura – Cada palavra era como um corte profundo em seu coração. Henrietta sentia-se ultrajada e magoada por suas p************s – Não que eu me importe com a castidade. Mas, Henrietta, não tente se passar de santa para mim. Você apenas queria me forçar a isso. Queria me prender em uma armadilha, apenas por eu ser o futuro lorde Klyne. Está tentando o mesmo agora? Achei que estivéssemos falando de desejo aqui. Apenas desejo puro e carnal. Ela balançou a cabeça, sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto. Como ele poderia ser tão c***l em seu julgamento? Seu corpo inteiro estava tremendo e ela precisou se abraçar. - Está chorando? – ele perguntou, assustado, de repente. Se aproximou dela, mas ela se encolheu, ao lado da porta. - Henrietta, não faça isso. Não se faça de vítima. Somos dois adultos aqui. Eu não abusei da sua inocência – ele insistia em se defender. - Pare...essa...carruagem – ela tentou controlar a própria voz. Mas, entrecortada. Ele bateu na carruagem e o cocheiro sabia que era para parar na casa dela. Ele suspirou, se sentindo estranho por dentro. E ainda mais quando a carruagem parou e ela desceu, batendo a porta com força. Robert disse coisas que não deveria ter dito, mas de fato, acreditava que pudesse ser verdade. A maioria das mulheres que queriam estar com ele, era pelo seu título. Era por isso que não desejava o casamento. Não queria ser enganado. Detestava que os outros tentassem fazer isso com ele. Diversas vezes, durante aqueles anos, todos tentaram manipula-lo. Inclusive sua noiva, a única que teve. A qual o deixou para casar com Carlisle. E que faleceu, depois de dois anos de casada. Ela havia se matado, pelo desgosto de ter um marido como ele. Libertino e viciado em jogos de azar. Ele respirou fundo e pediu ao cocheiro que o levasse ao White’s. Ficaria lá até o amanhecer.
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