Murilo Costa O toque insistente do celular me despertou de supetão. Ainda meio grogue, estiquei a mão para pegá-lo no criado-mudo. A tela mostrava o nome da minha mãe. O coração deu um salto imediato, ligação dela tão cedo nunca era bom sinal. — Alô, mãe? O que aconteceu? — perguntei, tentando disfarçar a preocupação na voz. — Oi, filho — ela respondeu, a voz um pouco trêmula, mas ainda controlada. — Não se assusta, tá? Eu escorreguei no banheiro e machuquei o pé... Tô achando que pode ser uma torção. Tá doendo bastante. Soltei o ar que nem tinha percebido estar prendendo. Não era nada gravíssimo, mas o tom dela me fez entender que a dor devia estar forte. — Tá bem, mãe. Fica calma. Eu te levo no pronto-socorro. Tô chegando aí em menos de dez minutos. — Obrigada, meu amor. Te espero

