Capítulo 6 - Aquele beijo...

1272 Palavras
Luana Silva Estava na frente do espelho do meu quarto, passando uma maquiagem básica. Só um rímel e um gloss pra dar um brilho, nada demais. Tava com uma calça jeans cintura alta, uma blusinha de alça e meu tênis branco de sempre. Enquanto me ajeitava, aquele beijo da noite passada invadiu minha mente do nada. O cara. Nem o nome do sujeito eu perguntei. Revirei os olhos e dei uma risadinha de lado, achando graça de mim mesma. O cara tinha uma vibe diferente, meio misteriosa, seguro de si, sabe? E o beijo dele... Forte, com presença. Não era qualquer um que beijava daquele jeito, dava pra ver que ele tinha moral. Por uns segundos, viajei pensando se ele ia aparecer de novo no bar no fim de semana. E se eu desse as caras lá? Vai que rolava outra vez, né? Talvez até um sex0 descontraído... Dei um sorrisinho sozinha, mas logo balancei a cabeça pra cortar o devaneio. — Foco, Luana, foco — falei baixo, olhando firme pro espelho antes de pegar minha bolsa. Desci as escadas e encontrei minha mãe na cozinha. Ela tava daquele jeito de sempre: roupa de academia toda estilosa, dessa vez um conjunto rosa neon, e segurando a coqueteleira com o pré-treino. — Já tá saindo essa hora, filha? — perguntou, me olhando de lado enquanto mexia o pó na água. — Hoje tem aula prática, mãe, e uns trabalhos pra adiantar. — Peguei as chaves do carro em cima do balcão e joguei na bolsa. Ela deu aquele sorrisinho carinhoso que só ela sabia dar. — Tá certo, mas não esquece de comer direito, hein? — Pode deixar. E você, vai botar pra quebrar no treino, né? — Sempre, né? Tem que manter o shape. — Ela piscou pra mim e soltou uma risadinha, que eu acabei retribuindo. Depois de me despedir, saí e fui direto pro carro. Entrei, liguei o som numa playlist mais calma e fui dirigindo pro campus. O trajeto era tão automático que minha cabeça insistia em voltar pro cara do bar. Será que ele tinha pensado em mim também? Dei um suspiro, mexi no volante pra tentar tirar a ideia da cabeça. Prioridades, Luana, faculdade primeiro. O resto depois. Cheguei na faculdade ainda cedo, pronta pra encarar mais um dia daqueles. Mas, lá no fundo, aquela sensação de expectativa ainda me rondava, meio impossível de ignorar. ... Depois de uma manhã puxada de aula prática, a gente tava morta de fome. Saímos direto pra um restaurante na beira da praia que a Yasmin sempre falava bem. Carol foi na moto dela, e eu e Yasmin no meu carro. — Esse sol tá fod@, mas pelo menos tá rolando uma brisa gostosinha hoje — Yasmin comentou, ajeitando os óculos de sol enquanto mexia no celular. — Verdade. Só falta o almoço pra completar o dia — respondi, rindo. Chegando lá, a Carol já tava estacionando a moto. Ela tirou o capacete, balançou o cabelo e veio andando cheia de estilo. — Bora, minhas lindas, que eu tô varada de fome! — disse ela, já indo na frente e chamando a gente. Nos acomodamos numa mesa com vista pra praia, o lugar tava cheio, mas ainda tinha aquele clima tranquilo. Fizemos nossos pedidos rapidinho, e enquanto esperávamos, Yasmin começou a puxar assunto. — Gente, vocês tão ligadas no baile que vai rolar sábado lá no morro, né? — ela disse, com aquele olhar animado de quem já tava se planejando há semanas. Eu olhei pra ela meio desconfiada. — Que baile, mulher? — Lá na Penha! Vai ser pesado, vários MC’s famosões vão tá lá. DJ FP, Livinho, os brabos. Vai ser ótimo! Carol, que tava mexendo no cabelo, já levantou a cabeça animada. — Pô, sério? Então é certo que a gente vai! Faz tempo que eu não vou num baile bom desses. Nunca mais o tio Barão fez algum baile que presta lá. Eu ri, balançando a cabeça. — Não fala assim do meu pai! E vem cá, vocês já tão decidindo por mim, é? Yasmin apoiou os cotovelos na mesa, olhando direto pra mim. — Até parece que a gente não te conhece, Luana! Tu faltar? Nem se tiver doente. — Tá bom, tá bom. Já tô até imaginando o quanto minha mãe vai ficar no meu pé. “Luana, cuidado, Luana, isso, Luana, aquilo...” — imitei a voz dela, fazendo as meninas rirem. — Relaxa, mulher, todo mundo sabe que tu é cheia de marra. Vai falar que não tá afim de dançar até o chão? — Carol provocou, me olhando com um sorrisinho. — Ah, isso aí ninguém recusa, né? — acabei admitindo, rindo. A conversa seguiu leve, mas Yasmin logo mudou de assunto, com aquele jeito dela de pegar alguém de surpresa: — E o cara do bar, Luana? Vai me dizer que já esqueceu? Senti meu rosto esquentar e dei uma risada sem graça, tentando disfarçar. — Esquecer? Até parece. Tô com aquele beijo na cabeça até agora. Carol soltou um gritinho animado, já se ajeitando na cadeira. — Ihhhh, olha a apaixonada aí! Vai, conta mais. Quero detalhes, mulher! — Gente, não é nada disso... — tentei despistar, mas sabia que não ia adiantar. Yasmin apoiou o queixo na mão, com aquele olhar de quem não ia me deixar escapar. — Nada disso, o quê? Tu tava toda derretida no carro ontem. Agora vai fingir que nem ligou? Suspirei, derrotada. — Tá bom, tá bom. Ele tinha uma pegada... Cara, vocês não tão entendendo. Foi aquele beijo que te deixa com gosto de quero mais, sabe? Carol gargalhou, batendo na mesa. — Tá maluca, Luana? Já tá apaixonada só por causa de um beijo? Esse boy deve ser brabo mesmo! — Apaixonada o que, garota? Só tô curiosa pra saber se ele é bom em outras coisas também... — sorri maliciosa e elas gargalharam. — Que safada! Deixa teu pai saber que tu tá assim com os playboys da zona sul! — Yasmin provocou, piscando pra mim. — E outra! Quero saber quando Sorriso descobrir que foi trocado por um playboy branco, que com certeza tem papo de 30 anos— Carol completou, rindo. Eu tentei manter a seriedade, mas não consegui. Acabei rindo junto, mas logo neguei com a cabeça. — Eu e Sorriso tivemos apenas algo casual, não exagera — comentei e dei um gole na minha água. — Casual por meses? Nunca vi isso! — Yasmin comentou e revirei os olhos. — Era só sex0, vocês que exageram! — respondi. Nesse momento, o garçom chegou com os pratos, e a conversa deu uma pausa. A comida tava incrível: peixes frescos, batata frita e aquele suco gelado que caía perfeito no calor. — Mas voltando ao boy de 30 anos, vai ir no bar ver ele de novo? — Yasmin voltou ao assunto, enquanto espetava uma batata frita com o garfo. — Não sei ainda, talvez devesse me fazer de difícil — brinquei, rindo. — Mas se a gente se ver, vou perguntar o nome, pelo menos. Pra vocês pararem de chamar ele de boy de 30 anos. As meninas riram alto, e a conversa continuou leve e cheia de zoações. Aquele momento era o que eu mais gostava: risadas sinceras, amizade verdadeira e a sensação de que, pelo menos por um tempo, as preocupações ficavam de lado. Minha mente voltou para o baile, a ideia parecia promissora, e eu tava precisando mesmo de um pouco de diversão. Mas no fundo, uma parte de mim pensava que talvez, só talvez, se dava pra passar naquele bar antes do baile...
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