Capítulo 5

872 Palavras
No elevador, estavam apenas os dois — Helena e Marcos. Marcos olhou o relógio no pulso e falou com a calma fria de sempre: “Depois de conversar com o doutor Ávila, espero que você tenha mudado de ideia sobre o divórcio. Ainda está nos seus periodos férteis? Em casa vamos aproveitar a noite. O jantar de aniversário do meu pai vai ser rápido. Se você não gostar do evento, prometo encerrar cedo” Helena sorriu, mas era um sorriso sem alegria. Ele sempre falava assim — com a mesma expressão calma, o mesmo tom de sempre. Durante quatro anos de casamento, ele a tratava da mesma forma — seja discutindo negócios, jantares de família ou planejando ter filhos. Nada parecia abalar a frieza de Marcos. E, mesmo assim, ela havia suportado tudo aquilo por quatro longos anos. Com um olhar firme, Helena respondeu: “Já te disse antes, Marcos. Quero divórcio apenas metade do que me cabe… e a minha liberdade.” O rosto de Marcos se endureceu. Ele estava prestes a responder quando, de repente, o elevador parou. Um som metálico ecoou, e as portas se abriram lentamente. Do lado de fora, uma jovem apareceu — delicada, vestindo um vestido branco simples, o tipo de pureza que parecia calculadamente inocente. Helena a reconheceu na mesma hora. Era Beatriz. Beatriz entrou no elevador com passos leves, lançando um olhar breve para Marcos antes de sorrir timidamente para Helena. “Desculpe, o elevador de serviço quebrou,” disse ela .... Helena manteve o olhar impassível, mas por dentro, algo nela se partiu de vez. “Sra. Helena, será que posso usar esse elevador rapidinho?” A voz de Beatriz soou suave, com aquele tom doce que fingia inocência. Eram três pessoas num espaço pequeno, mas o ar parecia o de um campo de batalha entre três. Helena apertou o botão para fechar as portas. Não disse uma palavra, mas seu silêncio falava por si — não. Beatriz, constrangida, corou ligeiramente. Seu rosto bonito ficou ruborizado, e ela mordeu o lábio inferior, lançando um olhar súplice para Marcos — como se pedisse que ele a defendesse. Marcos desviou o olhar, mantendo o tom controlado e frio: “ Faça o que a Sra. Helena decidir.” Beatriz engoliu a resposta atravessada, forçando um sorriso antes de recuar para fora do elevador. A porta se fechou, e o som do motor retomou. Mas o m*l-estar pairou no ar como um perfume pesado. Helena olhava fixamente para a frente, sem expressão. Quando chegaram ao estacionamento, ela entrou no carro sem dizer nada. Marcos prendeu o cinto de segurança, e, num tom neutro, comentou: “Não há nada entre mim e ela. Não precisa imaginar coisas.” Helena virou o rosto devagar e o observou, com os olhos frios, mas a voz serena: Marcos, por que você não vai ao hospital fazer um exame?” Ele franziu o cenho, interpretando as palavras de Helena como uma provocação sobre a dificuldade que enfrentavam para ter filhos. Com um tom frio, quase arrogante, respondeu: “Minha saúde é perfeita. Não há nada de errado comigo.” Helena riu — uma risada gélida, sem um traço sequer de humor. “Não estou falando disso, Marcos. Estou dizendo pra você ir ao urologista… ver se está limpo. Ver se não pegou alguma doença!” Por um segundo, o mundo pareceu parar. O sangue subiu-lhe à cabeça. O orgulho, ferido, virou fúria. Num movimento brusco, ele soltou o cinto, agarrou Helena pelos ombros e a puxou com força. Ela caiu contra o peito dele — tão perto que podia sentir o cheiro do perfume caro misturado ao hálito amargo da raiva. “Helena!” — a voz dele saiu rouca, trêmula, carregada de fúria contida. — “Você enlouqueceu?!” Helena se debateu, as mãos pressionadas contra o volante, o coração martelando. “Solte-me, Marcos! Você está me machucando!” Marcos segurava firme, o rosto a poucos centímetros do dela. A beijou com loucura, passando as mãos por seu corpo, desejando tê-la ali mesmo. Helena lutou, empurrando-o com todas as forças. Agarrou os braços deles , desesperada, o corpo inteiro tenso. Por um instante, tudo parou. A respiração dos dois se misturou. Marcos agarrou o pescoço dela, segurou seus lábios ainda inchados e a beijou com loucura, mordendo parte da sua língua. O sangue se misturou ao beijo. Helena ficou atordoada. Encarou o rosto dele, ainda incrédula. O desdém em seus olhos era tão óbvio. Ainda com os lábios nos dela, Marcos, ofegante, falou baixinho: "Sra.Duarte, estou limpo ou não". Helena o empurrou e voltou a sentar no banco do passageiro. E então, finalmente, tentou se acalmar. O silêncio que se seguiu foi ainda mais c***l do que qualquer palavra. Fique tranquila, pedirei à secretária que marque os meus exames médicos.” Marcos também foi tomado pelo desejo, mas ao ver a expressão fria e distante de Helena, ele reprimiu o impulso. Colocou o cinto de segurança e pisou no acelerador. Durante todo o caminho, o celular de Marcos recebeu mais de dez ligações não atendidas. Helena imaginou que fossem de Beatriz, e, decidida a manter distância, não fez nenhuma pergunta. Marcos virou o rosto e lançou um olhar para Helena. ……
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR