Capítulo 4

1135 Palavras
--- Meia hora depois, Marcos chegou à sede do Grupo Duarte. A secretária já o aguardava no estacionamento. Assim que o carro parou, ela correu para abrir a porta. Marcos saiu do veículo com elegância, o terno perfeitamente alinhado e o rosto impassível. Mesmo em silêncio, sua presença era forte — firme, refinada, e impossível de ignorar. Algumas funcionárias próximas não conseguiram deixar de olhá-lo, admiradas. Mas Marcos parecia não notar. Por dentro, algo nele ainda estava inquieto… e o nome de *Helena* não saía de sua mente. Os dois entraram juntos no elevador privativo. A secretária , segurando alguns documentos, se aproximou e falou em voz baixa, como se tivesse medo de ser ouvida: — Senhor Marcos, sobre o projeto América… a Sr. Helena adicionou uma nova pessoa à equipe. Marcos levantou o olhar, observando os números vermelhos do painel do elevador subirem lentamente. Depois de um breve silêncio, soltou um leve riso, frio e contido: — Ela tomando decisões sozinha?.... --- Durante a reunião, Marcos e Helena acabaram se encontrando. Embora ainda fossem marido e mulher, o clima entre eles era tenso — quase gelado. Os executivos da empresa perceberam o contraste. Antes, Helena era a esposa calma e discreta, muitas vezes ofuscada pela presença de Marcos. Mas agora, sentada à mesa de reuniões, ela parecia outra pessoa — segura, elegante e determinada. Vendo os dois discutirem questões de negócios com a mesma firmeza, os gerentes do Grupo Duarte , ficaram impressionados. --- Quando a reunião terminou, o sol já começava a se pôr. Helena voltou para sua sala, recostou-se no sofá de couro e massageou as têmporas, tentando aliviar a tensão. A assistente Neia entrou com um copo de água e o colocou sobre a mesa. — Sr. Helena, — disse ela suavemente — o advogado particular do senhor Marcos ligou. Ele quer marcar um encontro com a senhora no café do primeiro andar. Helena abriu os olhos lentamente. Por um momento, ficou em silêncio… Depois, com um leve suspiro, respondeu: — Tudo bem. Diga a ele que eu estarei lá em dez minutos. Helena pegou o elevador privativo, e desceu no primeiro andar. Gustavo Ávila usava um terno inglês de três peças, perfeitamente ajustado ao seu corpo alto e elegante. Seu rosto, de traços firmes e olhar sério, transmitia aquela mistura de disciplina e charme que parecia natural nele. Ao ouvir os passos de Helena se aproximando, ele levantou o olhar. Nos olhos escuros e tranquilos dele, surgiu um leve brilho de surpresa. Ele nunca tinha visto Helena daquele jeito. Em sua lembrança, Helena era sempre a mulher impecável — vestidos caros, postura elegante, sempre ao lado de Marcos em eventos de negócios, com um sorriso educado e discreto. Mas todos no círculo social sabiam: Marcos não a amava. Marcos já tinha outro alguém. Hoje, porém, Helena estava diferente. Ela havia trocado o vestido formal por uma blusa de tricô leve, confortável, que realçava sua silhueta com simplicidade. O cabelo, liso e escuro, caía solto sobre os ombros, com algumas mechas rebeldes que davam a ela um ar suave, quase vulnerável. Por um instante,Gustavo se distraiu observando-a. Helena sentou-se diante dele, o olhar firme e sereno. “Marcos pediu que fosse você quem me procurasse?” — perguntou ela, com a voz calma, mas carregada de significado. Gustavo manteve o olhar calmo e a postura impecável de sempre. Ele abriu a pasta, tirou um documento e o empurrou suavemente para Helena. “De acordo com o contrato pré-nupcial,” disse com serenidade, “se a senhora insistir no divórcio, talvez as condições não sejam muito favoráveis.” Helena pegou o documento, folheando lentamente as páginas. Quando chegou à última, ficou imóvel por alguns segundos. Quatro anos antes, foi ali mesmo que Marcos havia segurado sua mão pela primeira vez — o começo de uma história que agora terminava em silêncio. Ela respirou fundo, e com a voz tranquila, respondeu: “Mesmo que as condições não sejam boas, eu quero seguir em frente. Dr Ávila, e por favor… Não me chame de Sra.Duarte. Me chame de Helena.” Gustavo, acostumado a lidar com separações de gente poderosa, já tinha o coração endurecido como ferro. Ele levou a xícara aos lábios, tomou um gole de café e perguntou num tom leve, quase distraído: “Posso perguntar uma coisa? Por que decidiu se divorciar agora? Você não amava o Marcos?” Helena desviou o olhar, um sorriso amargo cruzando seu rosto. “Amor?” ela murmurou. “Sim… eu amei. Talvez demais. Mas às vezes amar não é o suficiente para continuar.” O advogado ficou em silêncio por um instante, observando-a. Havia uma tristeza contida nos olhos de Helena, mas também uma força nova — algo que deixava claro que ela não voltaria atrás. O mundo inteiro sabia que Helena amava Marcos — todos, menos ele. Ou talvez ele soubesse, mas simplesmente não se importasse mais. Naquele instante, havia em Helena uma beleza frágil e delicada, uma vulnerabilidade que a tornava ainda mais irresistível. Aos olhos exigentes de Gustavo Ávila, ela estava mais deslumbrante do que nunca — não no brilho de uma mulher vaidosa, mas na serenidade de quem finalmente decide se libertar. Enquanto ele refletia, a porta do café se abriu de repente. Uma silhueta alta, de passos firmes e postura impecável, entrou no ambiente — o ar ao redor pareceu se alterar por completo. Não era qualquer homem. Era Marcos. Assim que entrou, seus olhos se fixaram em Gustavo, e depois em Helena. A expressão dele era séria, tensa, carregada de pensamentos que não dizia em voz alta. Por um breve momento, algo dentro de Marcos se agitou. Ver a esposa ali, sentada diante de outro homem — mesmo que fosse o advogado — o incomodou de uma forma que ele não soube explicar. Um desconforto inesperado o atravessou, como se algo dentro dele começasse a se partir, ainda que ele tentasse fingir indiferença. Marcos inclinou levemente a cabeça, em um gesto contido. Gustavo Ávila sorriu de forma discreta e educada, levantando-se. “Vou deixá-los a sós”, disse, afastando-se e saindo do café, deixando aquele espaço para o casal que um dia dividira o mesmo teto — mas agora, apenas o silêncio. Assim que Gustavo saiu, Marcos voltou o olhar para Helena. Seus olhos percorreram a figura dela e, com um leve franzir de sobrancelhas, comentou: “Por que está vestida assim? Troque de roupa. Depois vamos juntos jantar com meus pais.” Helena sabia muito bem que "jantar com a familia " para Marcos era encenar uma demonstração de casamento perfeito perante a familia Duarte. Ela poderia dizer não ,porem tinha interesse em jogar o mesmo jogo de Marcos interessada na divisão dos bens após o divorcio, Com esse pensamento voltou ao escritório e trocou de roupa.
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